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— Eu te escrevi cartas — disse ele — mas Meistre Joseran não quis as enviar. Uma vez eu dei um veado para um remador de um navio comerciante com destino a Fidalporto, que prometeu colocar a minha carta em suas mãos.

O remador jogou a sua carta no mar.

— Eu temia isso. Eles nunca me deram suas cartas também.

Eu não escrevi nenhuma. Na verdade, ela tinha se aliviado quando Tris fora mandado embora. Até então, sua estranheza tinha começado a aborrecê-la. Não era algo que ele gostaria ouvir, claro.

— Aeron, o Cabelo-molhado convocou uma assembleia de homens livres. Você irá falar por mim?

— Eu irei a qualquer lugar com você, mas... Lorde Blacktyde disse que isso é uma loucura, uma assembleia de homens livres é perigosa. Ele acha que seu tio descerá sobre eles e matará a todos, como Urron fez.

Ele é louco o suficiente.

— Ele não tem a força.

— Você não sabe a sua força. Ele está reunindo homens em Pyke.

Orkwood de Montrasgo lhe trouxe vinte dracares, Jon Myre, o Cara-pintada, uma dúzia. Lucas Codd, o Canhoto, está com eles. E Harren, o bastardo Hoare, o Remador Vermelho, Kemmett Pyke, o Bastardo, Rodrik Freeborn, Torwold Browntooth...

— Homens de pouca importância. — Asha conhecia cada um. — Filhos de mulheres de sal, netos de escravos. Os Codd... você conhece o lema deles?

— Ainda que todos os homens nos desprezem — Disse Tris. — Mas se eles pegarem você nessas redes, você será tão morta como se fossem os Senhores Dragões. E não há pior. Olho de Corvo trouxe de volta os monstros do leste... sim, e feiticeiros também.

— O tio sempre teve uma predileção por monstros e loucos — disse Asha. — Meu pai costumava brigar com ele por isso. Deixe os feiticeiros chamarem pelos seus deues. Cabelo-molhado chamará o nosso, e irá afoga-los. Contarei com você na assembleia de mulheres livres, Tris?

— Você terá tudo de mim. Eu sou seu homem, para sempre. Asha, gostaria de me casar com você. A senhora sua mãe deu o seu consentimento.

Ela abafou um gemido. Você devia ter me perguntado antes... embora você não fosse gostar tanto da resposta.

— Eu não sou um segundo filho agora — continuou. — Eu sou o legítimo Lorde Botley, como você mesmo disse. E você é...

— O que eu sou vai ser determinado em Velha Wyk. Tris, não somos mais crianças desajeitadas que ficam tentando ver o que encaixa com o que. Você acha que quer casar comigo, mas você não quer.

— Quero sim. Tudo o que eu sonho é sobre você. Asha, eu juro sobre os ossos de Nagga, eu nunca toquei outra mulher.

"Vá tocar uma... ou duas, ou dez. Eu tenho tocado mais homens do que posso contar. Alguns com meus lábios, a maioria com o meu machado.

— Ela tinha entregado a sua virgindade aos dezesseis anos, a um marinheiro loiro e bonito em uma cozinha comercial em Lys. Ele só sabia seis palavras da língua comum, mas "foder" era um deles, e era a que ela mais desejava ouvir. Depois, Asha teve o bom senso de procurar uma bruxa dos bosques, que lhe mostrou como preparar o chá da lua, para manter sua barriga plana.

Botley piscou, como se não entendesse muito bem o que ela tinha dito.

— Você... Eu pensei que você esperaria. Por que... — Ele esfregou a boca. — Asha, você foi forçada?

— Sim, fui obrigada a rasgar sua túnica. Você não quer se casar comigo, tem a minha palavra quanto a isso. Você é um menino doce e sempre foi, mas eu não sou uma menina doce. Se nos casarmos, em breve você virá a me odiar.

— Nunca. Asha, tenho sofrido tanto por você.

Ela já tinha escutado o bastante. Uma mãe doente, um pai assassinado e uma praga de tios eram mais do que qualquer mulher podia lidar, só faltava um filhote doente de amor.

— Encontre um bordel, Tris. Ali te curarão do sofrimento.

— Eu nunca poderia... — Tristifer balançou a cabeça. — Você e eu fomos feitos um para o outro, Asha. Eu sempre soube que você seria minha esposa, e mãe de meus filhos. — Ele agarrou seu braço.

Em um piscar de olhos o punhal dela estava em sua garganta.

Me solte, ou você não vai viver tempo suficiente para produzir um filho. Agora. — Quando ele soltou, ela baixou a lâmina. — Você quer uma mulher, muito bem. Eu vou colocar uma na sua cama hoje à noite. Finja que sou eu, se isso lhe der prazer, mas não presuma me agarrar novamente. Eu sou sua rainha, não sua esposa. Lembre-se disso. — Asha embainhou seu punhal e deixou-o ali, com uma gota de sangue rastejando lentamente pelo pescoço, preto na luz pálida da lua.

CERSEI

— Oh, espero que os Sete não permitam que chova no casamento do rei — disse Jocelyn Swyft enquanto atava o vestido da rainha.

— Ninguém quer chuva — disse Cersei. Para si mesma, intimamente ela queria granizo e gelo, ventos uivantes, trovões que estremecessem as pedras da Fortaleza Vermelha. Ela queria uma tempestade que combinasse com sua fúria. Ela disse a Jocelyn:

— Mais apertada. Aperte mais as cilhas, sua tolinha sorridente.

Era o casamento que a enfurecia, embora a burrinha da garota Swyft fosse um alvo mais seguro. A posse do Trono de Ferro para Tommen ainda não estava assegurada suficientemente para arriscar uma ofensa a Jardim de Cima. Não enquanto Stannis Baratheon mantivesse Pedra do Dragão e Ponta Tempestade, enquanto Correrio ainda continuasse se rebelando, enquanto os homens de ferro rondassem os mares como lobos. Então Jocelyn precisava comer do prato que Cersei tinha servido mais cedo a Margaery Tyrell e a sua hedionda e enrugada avó.

Para quebrar o jejum da rainha foi enviado das cozinhas dois ovos cozidos, uma broa de pão e um jarro de mel. Mas quando ela quebrou o primeiro ovo e encontrou um pintinho semi-formado dentro, seu estomago se agitou:

— Leve isto embora e me traga um vinho aromatizado quente, disse a Senelle. O frio que pairava no ar impregnava em seus ossos, e ela tinha um longo e horrível dia para encarar.

Nem Jaime ajudou a melhorar seu humor quando ele apareceu todo de branco e ainda com a barba por fazer para contar a ela como ele pretendia proteger seu filho de ser envenenado:

— Eu colocarei alguns homens nas cozinhas vigiando cada prato que será preparado — disse ele. — Os mantos dourados de Sor Addam irão escoltar os serviçais enquanto eles trazem a comida para a mesa, para ter certeza que nada seja acrescentado no percurso. Sor Boros irá provar de cada prato antes que Tommen morda qualquer coisa. E se tudo isso falhar, Meistre Ballabar ficará posicionado no fundo do salão com expurgos e antídotos para vinte tipos de veneno comum. Tommen ficará seguro, eu prometo.

— Seguro. — A palavra veio amarga em sua boca. Jaime não entendia. Ninguém entendia. Somente Melara esteve na tenda para ouvir os resmungos ameaçadores da velha feiticeira, e Melara estava morta há muito tempo.

— Tyrion não matará da mesma maneira duas vezes. Ele é muito astuto para isso. Ele pode estar embaixo do chão agora mesmo, escutando cada palavra que estamos dizendo e fazendo planos para abrir a garganta de Tommen.

— Supondo que ele esteja, disse Jaime. — Seja qual o plano que ele traçar, ele ainda será pequeno e atrofiado. Tommen estará rodeado pelos melhores cavaleiros de Westeros. A guarda real o protegerá.

Cersei olhou onde a manga da túnica de seda branca de seu irmão estava pregada sobre o cotovelo.

— Eu lembro como eles protegeram Joffrey tão bem, estes seus esplendidos cavaleiros. Quero que você fique com Tommen a noite toda, entendeu?

— Eu colocarei um oficial de guarda do lado de fora de sua porta.

Ela pegou seu braço