— Não quero um oficial de guarda. Você. E dentro de seu quarto.
— Caso Tyrion venha pela lareira? Ele não fará isto.
— Assim diz você. Você por acaso encontrou todos os túneis secretos destas paredes? Ambos conheciam bem. Eu não deixarei Tommen sozinho com Margaery, não mais do que meio segundo.
— Eles não ficarão sozinhos. As primas dela estarão com eles.
— Assim como você. Eu ordeno, em nome do rei.
Na verdade Cersei não queria que Tommen e sua esposa dividissem uma cama, mas os Tyrells insistiram. Marido e mulher devem dormir juntos, a Rainha dos Espinhos tinha dito. Mesmo que não façam nada mais além disso. A cama de Vossa Graça é suficiente para dois, com certeza, Senhora Alerie fez coro com sua sogra. Deixem que as crianças aqueçam uma a outra durante a noite. Isto aproximará os dois. Margaery com frequência dividia o cobertor com suas primas. Elas cantam, brincam e compartilham segredos entre elas quando os candelabros são apagados.
— Que interessante. Cersei tinha respondido. Deixem que continuem, de qualquer maneira. Na Arcada das donzelas.
— Eu tenho certeza que Vossa Graça sabe muito bem — Senhora Ollena disse à Senhora Alerie. — Afinal, ela é a mãe do menino, nisso nós todos temos certeza. E claro que nós podemos concordar a respeito da noite do casamento? Um homem não pode dormir separado de sua esposa na noite do casamento. É má sorte para o casamento deles se eles fizerem isso.
— Qualquer dia eu irei ensiná-la o significado de ‘‘má sorte’’ — a rainha tinha prometido. Margaery poderia dividir o quarto com Tommen está noite, ela foi forçada a dizer. Não mais que isto.
— Vossa Graça é tão graciosa — a Rainha dos Espinhos respondeu, e todos trocaram sorrisos. Os dedos de Cersei estavam furando os braços de Jaime forte o suficiente para deixar marcas.
— Eu preciso de olhos dentro daquele quarto — a Rainha disse.
— Para ver o que? — Disse Jaime. — Não pode haver perigo na consumação. Tommen é muito jovem.
— E Ossifer Plumm estava morto demais, mas isto não o impediu de ter um filho, ou impediu?
Seu irmão parecia perdido
— Quem foi Ossifer Plumm? Ele era o pai de Lord Philip, ou...
Quem?
Jaime era quase tão ignorante como Robert. Toda sua inteligência estava em sua espada.
— Esqueça Plumm, apenas lembre-se do que eu te disse. Jure que você ficará ao lado de Tommen até o nascer do sol.
— Como você ordenar — ele respondeu — como se seus medos fossem irracionais. Você ainda quer prosseguir com o plano de queimar a Torre da Mão?
— Depois do banquete. — Era a única parte das festividades do dia que Cersei achava que a divertiria. — O senhor nosso pai foi assassinado naquela torre. Não posso suportar olhar para ela. Se os deuses são bons, o fogo queimará alguns ratos do cascalho.
Jaime virou os olhos:
— Você quer dizer Tyrion.
— Ele, Lorde Varys, e este carcereiro.
— Se algum deles estivesse escondido na torre, nós os teríamos encontrado. Eu enviei um pequeno exército para lá com picaretas e martelos.
Nós quebramos as paredes e abrimos o chão e localizamos umas quinhentas passagens.
— E pelo que você deve saber deve existir mais quinhentas passagens secretas
Alguma das passagens de rastejar soube-se que eram tão pequenas que Jaime precisou de escudeiros e cavalariços para explorá-las. Uma passagem para as masmorras foi descoberta e um poço de pedra que parecia não ter fundo. Eles encontraram uma câmara cheia de crânios e ossos amarelados, e quatro sacas de moedas de prata manchadas da época do reinado do rei Viserys. Eles encontraram um monte de ratos também... Mas nem Tyrion e nem Varys estavam por lá, e Jaime finalmente insistiu que as buscas deveriam ser interrompidas.
Um dos meninos tinha ficado entalado em uma passagem estreita e teve que ser puxado pelos pés, guinchando. Outro caiu de um mastro e quebrou as pernas. E dois guardas desapareceram enquanto exploravam um túnel lateral. Alguns dos outros guardas juravam que eles podiam ouvi-los chamando fracamente através das pedras, mas quando os homens de Jaime derrubaram a parede eles encontraram apenas terra e cascalho do outro lado.
— O Duende é pequeno e astuto — disse Cersei. Ele ainda deve estar pelas paredes. Se ele estiver, o fogo irá carbonizá-lo.
— Mesmo se Tyrion estivesse ainda escondido no castelo, ele não estará na Torre da Mão — disse Jaime. — Nós a reduzimos a escombros.
— Nós poderíamos fazer o mesmo com o resto deste maldito castelo — disse Cersei. — Depois da guerra eu pretendo construir um novo palácio além do rio.
Cersei tinha sonhado com isto a duas noites atrás, um magnífico castelo branco cercado de bosques e jardins, muitas léguas do fedor e barulho de Porto Real
— Esta cidade é uma fossa. Por meia moeda eu mudaria a corte para Lannisporto e comandaria o reino de Rochedo Casterly.
— Isto seria uma loucura ainda maior do que incendiar a Torre da Mão. Enquanto Tommen se sentar no Trono de Ferro, o reino o verá como o verdadeiro rei. Esconda-o em Rochedo ele se tornará apenas outro pedinte pelo trono, não será diferente de Stannis.
— Eu sei disto, a rainha respondeu bruscamente. Eu disse que eu queria mudar a corte para Lannisporto, não que eu vou fazer isto. Você sempre foi lento assim, ou perder uma mão deixou você mais devagar?
Jaime ignorou o comentário.
— Se as chamas se espalharem além da torre, você acabará incendiando o castelo querendo ou não. Fogo descontrolado é traiçoeiro.
— Lorde Hallyne me assegurou que seus piromânticos podem controlar o fogo. — a Guilda dos Alquimistas vinha fabricando fogovivo por uma quinzena. — Deixe que todos em Porto Real vejam as chamas. Será uma lição para nossos inimigos.
— Agora você está parecendo Aerys.
As narinas dela dilataram.
— Controle esta língua, sor.
— Eu também te amo, minha querida irmã.
Como eu posso ter amado esta criatura miserável? Ela se perguntou depois que ele se foi. Ele era seu gêmeo, sua sombra, sua outra metade, outra voz sussurrou. Uma vez talvez, ela pensou. Não mais. Ele se tornou um estranho para mim.
Comparado à magnitude do casamento de Joffrey, o casamento do Rei Tommen era bem simples, e pequeno. Ninguém queria outro casamento caro, menos ainda a rainha, e mais ninguém queria pagar por um, muito menos os Tyrells. Então o jovem rei escolheu Margaery Tyrell para ser sua esposa no septo real da Fortaleza Vermelha, com menos de cem convidados assistindo no lugar dos milhares que assistiram a cerimônia de seu irmão casando com a mesma mulher.
A noiva era clara, alegre e bela, o noivo tinha cara de criança e era roliço. Ele recitou os votos em uma voz alta e infantil, prometendo seu amor e devoção à duplamente viúva, filha de Mace Tyrell. Margaery usou o mesmo vestido que usou ao casar com Joffrey, uma confecção arejada de seda de marfim puro, laço de Myr e sementes de pérolas. Cersei ainda estava de preto, como sinal de luto por seu falecido primogênito. Sua viúva poderia estar contente para rir e beber e dançar e esquecer completamente de Joff, mas sua mãe jamais o esqueceria tão facilmente. Isto está errado, ela pensou. É muito cedo. Um ano, dois anos, teria sido tempo suficiente. Jardim de Cima deveria ficar satisfeito com um noivado. Cersei olhou para trás para onde Mace Tyrell estava parado entre sua esposa e sua mãe. Você me forçou a este casamento bizarro meu senhor, e eu não me esquecerei.
Quando chegou a hora de trocar as capas, a noiva ajoelhou graciosamente e Tommen a cobriu com um enorme e pesado tecido dourado que Robert tinha envolvido uma vez Cersei no dia do casamento deles, com o veado coroado de Baratheon trabalhado na parte de trás com contas de ônix. Cersei queria que ela usasse a capa vermelha de seda fina que Joffrey usou.