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— Só um animal faria mal a uma menina

— A minha irmã Elia tinha também uma menina. O seu nome era Rhaenys. Era também uma princesa. — O príncipe suspirou. — Aqueles que querem mergulhar uma faca na Princesa Myrcella não lhe têm qualquer rancor, tal como Sor Amory Lorch não tinha quando matou Rhaenys, se é que o fez mesmo. Procuram apenas me obrigar a agir. Pois se Myrcella fosse morta em Dorne enquanto estivesse sob a minha proteção, quem acreditaria nas minhas justificações?

— Nunca ninguém fará mal a Myrcella enquanto eu for vivo.

— Uma nobre jura — dissera Doran Martell com um tênue sorriso.

— Mas é apenas um homem, sor. Tive a esperança de que aprisionar as minhas obstinadas sobrinhas pudesse ajudar a acalmar as águas, mas tudo o que fizemos foi correr com as baratas para debaixo das esteiras. Todas as noites as ouço a murmurar e a aguçar as facas.

Ele tem medo, compreendera então Sor Arys. Olha, a mão treme-lhe. O Príncipe de Dorne está aterrorizado. Faltaram-lhe palavras.

— As minhas desculpas, sor - dissera o Príncipe Doran. - Estou fraco e doente e por vezes... Lançassolar cansa-me, com o seu ruído, sujidade e cheiros. Assim que os meus deveres o permitam, pretendo regressar aos Jardins de Água. Quando o fizer, levarei comigo a Princesa Myrcella. — Antes do cavaleiro ter tempo de protestar, o príncipe erguera uma mão, de articulações vermelhas e inchadas. — Você irá também, e a sua septã, as suas aias, os seus guardas. As muralhas de Lançassolar são fortes, mas à sua sombra fica a cidade sombria. Mesmo dentro do Castelo há centenas de pessoas a ir e a vir todos os dias. Os Jardins são o meu porto de abrigo. O Príncipe Maron construiu-os como presente para a sua noiva Targaryen, a fim de assinalar o casamento de Dorne com o Trono de Ferro.

Lá, o outono é uma estação adorável... dias quentes, noites frescas, a brisa salgada que vem do mar, os fontanários e as lagoas. E há outras crianças, rapazes e raparigas de nascimento elevado e de boa estirpe. Myrcella terá amigos da sua idade com quem brincar. Não se sentirá sozinha.

— Às suas ordens. — As palavras do príncipe martelavam-lhe na cabeça. Lá, ela ficará em segurança. Mas se assim era, porque lhe teria Doran Martell pedido para não escrever para Porto Real a relatar a mudança?

Myrcella ficará mais segura se ninguém souber exatamente onde se encontra. Sor Arys concordara, mas que alternativa teria? Era um Cavaleiro da Guarda Real, mas apesar de tudo era apenas um homem, tal como o príncipe dissera.

A viela abriu-se de súbito para um pátio iluminado pelo luar. Depois da loja do fabricante de velas, escrevera ela, um portão e uma curta escadaria exterior. Empurrou o portão e subiu os degraus desgastados até uma porta sem nada que a distinguisse das demais. Devo bater? Em vez disso, empurrou à porta, abrindo-a, e deu por si num aposento grande e sombrio com um teto baixo, iluminado por um par de velas odoríferas que tremeluziam em nichos cortados nas espessas paredes de barro. Viu por baixo das sandálias tapetes de Myr decorados com padrões, uma tapeçaria pendurada numa parede, uma cama.

Senhora? - chamou. - Onde está?

— Aqui. — Ela saiu da sombra atrás da porta.

Uma serpente ornamentada se enrolava em volta do seu braço direito, com escamas de cobre e ouro a cintilar quando se movia. Era tudo o que trazia vestido.

Não, quis o cavaleiro dizer, só vim te dizer que tenho de ir embora, mas quando a viu a brilhar à luz das velas pareceu perder o poder da fala. Sentia a garganta tão seca como as areias de Dorne. E em silêncio ficou, bebendo a glória do corpo dela, a cova da sua garganta, os seios redondos e maduros com os seus enormes mamilos escuros, as curvas luxuriantes da cintura e da anca. E então, sem saber como, deu por si a abraça-la, e por ela a tirar-lhe as vestes. Quando alcançou a túnica interior pegou-lhe pelos ombros e rasgou a seda até ao umbigo, mas Arys já ultrapassara o ponto em que ainda se importava. A pele dela era lisa por baixo dos seus dedos, tão quente ao toque como areia cozida pelo sol de Dorne. Ergueu-lhe a cabeça e encontrou os seus lábios. A boca dela abriu-se sob a dele, e os seus seios encheram-lhe as mãos. Sentiu os mamilos a retesar-se quando roçou neles os polegares. O cabelo dela era negro e espesso e cheirava a orquídeas, uma cheiro escuro e terroso que o deixou tão teso que quase doía.

— Me toque, sor — murmurou a mulher ao seu ouvido. A sua mão deslizou ao longo da barriga arredondada dela e foi encontrar o lugar doce e úmido por baixo do matagal de pelos negros. — Sim, aí — murmurou ela enquanto Arys enfiava um dedo no seu interior. Ela soltou um som lamuriento, puxou-o para a cama e empurrou-o para baixo. — Mais, oh, mais, sim, que bom, meu cavaleiro, meu cavaleiro, meu querido cavaleiro branco, sim, você, você, te desejo. — As mãos dela guiaram-no para dentro de si, e depois envolveram-lhe as costas para o puxar para mais perto. —

Mais fundo — murmurou. — Sim, oh. — Quando o envolveu com as pernas, pareceram-lhe fortes como aço. As unhas arranharam-lhe as costas enquanto a penetrava, outra vez, e outra, e outra, até que ela gritou e arqueou as costas por baixo de si. Quando o fez, seus dedos se fecharam sobre os mamilos, beliscando-os até que ele derramou a sua semente dentro dela. Podia morrer agora, feliz, pensou o cavalheiro, e, durante uma dúzia de segundos, ao menos ficou em paz.

Não morreu.

O seu desejo fora tão profundo e sem limites como o mar, mas quando a maré desceu, os rochedos da vergonha e da culpa ergueram-se, tão afiados como sempre. Por vezes as ondas cobriam-nos, mas permaneciam por baixo da água, duros, negros e viscosos. Que estou fazendo? P erguntou a si próprio. Sou um cavaleiro da Guarda Real. Rolou de cima dela e esticou-se de olhos no teto. Uma grande racha atravessava-o, duma parede à outra.

Não reparara nisso antes, tal como não reparara na imagem da tapeçaria, uma cena de Nymeria e dos seus dez mil navios. Só vejo a ela. Um dragão podia estar a espreitar pela janela, e eu não teria visto nada além dos seus seios, o seu rosto, o seu sorriso.

— Tem vinho — murmurou ela junto de seu pescoço. Passou-lhe uma mão pelo peito. — Tem sede?

— Não. - Rolou para longe dela e sentou-se à beira da cama. O quarto estava quente, e no entanto tremia.

— Estais sangrando - disse ela. - Arranhei com força demais.

Quando lhe tocou as costas, Arys estremeceu como se os dedos estivessem em fogo.

— Não faça isso. - Nu, pôs-se em pé. - Já chega.

— Tenho bálsamo. Para os arranhões.

Mas não para a vergonha.

- Os arranhões não são nada. Perdoe-me, senhora, tenho que ir...

— Tão depressa? — Ela tinha uma voz rouca, uma boca larga feita para murmúrios, lábios cheios, maduros para beijar. O cabelo caía em cascata sobre os ombros nus e até ao topo dos seios cheios, negro e denso.

Encaracolava-se em caracóis grandes, fofos e indolentes. Até os pelos no púbis eram fofos e encaracolados. — Fique comigo esta noite, sor. Ainda tenho muito a te ensinar.

— Já aprendi demasiado com você.

— Durante as lições pareceu bastante feliz com elas, sor. Tem a certeza de que não vai para outra cama, ter com outra mulher? Me diga quem é ela. Lutarei por você, de peito nu, faca contra faca. - Sorriu. - A menos que seja uma Serpente de Areia. Se assim for, podemos partilhá-lo. Amo muito as minhas primas.