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Mais fantasmas, Brienne pensou.

— Estou procurando por minha irmã, uma donzela bonita de treze anos. Talvez você a tenha visto?

— Eu não tenho visto donzelas, bonita ou feia.

Ninguém tem. Mas ela precisava continuar perguntando.

— A filha de Mooton, ela é uma donzela — o homem continuou. — Até a noite de núpcias, de qualquer modo.

— Esses ovos, eles são para o casamento dela. Dela e do filho de Tarly. Os cozinheiros vão precisar de ovos para os bolos.

— Eles vão precisar. — O filho de Lorde Tarly. O jovem Dickon está para casar-se. Ela tentou se lembrar qual era a sua idade; oito ou dez, ela pensou. Brienne havia noivado aos sete, um garoto três anos mais velho que ela, o filho mais novo de Lorde Caron, um garoto tímido com uma verruga acima de seus lábios. Eles haviam se encontrado apenas uma vez, na ocasião de seu noivado. Dois anos mais tarde ele estava morto, levado pelo mesmo abatimento que levou Lorde e Senhora Caron e suas filhas. Se ele tivesse vivido, eles teriam se casado em até um ano após sua primeira florescência, e toda a sua vida teria sido diferente. Ela não estaria aqui agora, vestida em uma armadura de homem e carregando uma espada, procurando pela filha de uma mulher morta. Mais provavelmente ela estaria cantando uma canção de ninar, envolvendo uma criança e olhando outra. Esse não era um pensamento novo para Brienne. Isso sempre a fez sentir-se um pouco triste, mas um pouco aliviada também.

O sol estava meio escondido atrás de um banco de nuvens quando eles saíram de trás das árvores escurecidas para encontrar Lagoa da Donzela a frente deles, com as águas profundas da baía do outro lado. Os portões da cidade haviam sido reconstruídos e reforçados, Brienne percebeu de uma vez, e homens com arcos curvos andavam nas paredes cor-de-rosa novamente. Acima do portão de entrada flutuava estandarte real do Rei Tommen, um veado preto e um leão dourado combatendo em um campo dividido em ouro e carmesim. Outros estandartes exibiam o caçador Tarly, mas o salmão vermelho da Casa Mooton voava apenas de seu castelo em sua colina.

Na ponte levadiça eles encontraram uma dúzia de guardas armados com alabardas. Seus distintivos os marcava como soldados que serviam à Lorde Tarly, embora nenhum deles fosse empregado de Lorde Tarly.

Ela viu dois centauros, um raio, um besouro azul e uma seta verde, mas não o caçador caminhando de Monte Chifre. O sargento deles tinha um pavão no peito, sua cauda brilhante por causa do sol.

Quando os fazendeiros apareceram com sua carroça ele deu um assobio.

— O que é isso agora? Ovos? — Ele jogou um para cima, pegou novamente, e sorriu. — Nós vamos ficar com eles.

O velho homem gritou.

— Nossos ovos são para Lorde Mooton. Para os bolos de casamento e demais pratos.

— Faça suas galinhas botarem mais. Eu não tenho um ovo há meio ano. Aqui, não diga que não estamos pagando. — Ele atirou um punhado de moedas de um centavo aos pés do velho.

A mulher do fazendeiro falou. “— Isso não é suficiente — ela disse.

— Nem perto de ser suficiente.

— Eu digo que é — disse o sargento. — Pelos ovos, e por você também. Tragam-na aqui garotos. Ela é muito jovem para aquele homem velho. — Dois guardas pousaram suas alabardas contra a parede e puxaram a mulher para fora da carroça, lutando. O fazendeiro assistiu com a cara fechada, mas não se atreveu a fazer nenhum movimento.

Brienne estimulou sua égua para frente.

— Soltem-na.

A voz dela fez os guardas hesitarem tempo suficiente para a esposa do fazendeiro se livrar do alcance deles.

— Isso não é da sua conta — um homem disse. — Você controle sua boca, meretriz.

Ao invés disso Brienne desembainhou sua espada.

— Bem, agora — o sargento disse — aço nu. Parece que estou cheirando um fora da lei. Você sabe o que Lorde Tarly faz com foras da lei?

— Ele continuava segurando o ovo que ele pegou da carroça. Sua mão fechou-se, e a gema vazou por seus dedos.

— Eu sei o que Lorde Randyll faz com os foras da lei — Brienne disse. — E também sei o que ele faz com estupradores.

Ela esperava que o nome fosse intimidá-lo, mas o sargento só chacoalhou a mão tirando o ovo de seus dedos e sinalizou para os seus homens para espalharem-se. Brienne se encontrava cercada por pontas de aço.

— O que você estava dizendo, meretriz? O que é que Lorde Tarly faz com...

—... Estupradores — uma voz mais profunda terminou. — Ele os capa ou os envia para a Muralha. Às vezes os dois. E ele corta fora os dedos dos ladrões. — Um homem jovem e lânguido saiu do portão principal, um cinturão com a espada afivelada a sua cintura. A túnica que ele usava sobre sua cota de malha já tinha sido branca, e aqui e ali ainda estava sob as manchas de grama e sangue seco. O seu símbolo estava disposto em seu peito: um veado marrom, morto e amarrado, pendurado em um poste.

Ele. Sua voz era um soco no estômago dela, e sua face uma lâmina em suas entranhas.

— Sor Hyle — ela disse rigidamente.

— Melhor deixá-la em paz, companheiros — avisou Sor Hyle Hunt.

— Esta é Brienne, a Bela, a Donzela de Tarth, quem matou o Rei Renly e metade de sua Guarda Arco-íris. Ela é tão desprezível quanto é feia, e não há ninguém mais feia... exceto talvez por você, Pisspot, mas o seu pai era o a parte traseira de um boi selvagem, então você tem uma boa desculpa. O pai dela é a Estrela da Tarde de Tarth.

Os guardas riram, mas as alabardas de dividiram.

— Não deveríamos prendê-la, sor? — o sargento perguntou. — Por ter matado Renly?

— Por quê? Renly era um rebelde. Então todos nós fomos rebeldes para um homem, mas agora nós somos todos leais a Tommen. — O

cavaleiro acenou para os fazendeiros do portão. — O intendente de sua senhoria vai ficar feliz em ter esses ovos. Vocês irão encontrá-lo no mercado.

O velho homem franziu o cenho.

— Meus agradecimentos, meu lorde. O senhor é um verdadeiro cavaleiro, isso é fácil de se ver. Venha, esposa. — Eles colocaram os seus ombros na carroça novamente e de deslocaram para o portão fazendo barulho.

Brienne trotou depois deles, com Podrick em seus calcanhares. Um verdadeiro cavaleiro, ela pensou, franzindo o rosto. Dentro da cidade ela tirou o arreio. As ruínas de um estábulo podiam ser vistas à sua esquerda, de frente para um beco lamacento. Do outro lado, havia três prostitutas seminuas no balcão de um bordel, cochichando umas com as outras. Uma parecia um pouco com uma seguidora do acampamento que uma vez veio a Brienne para perguntar se ela tinha uma boceta ou um pinto dentro do seu calção.

— Aquele cavalo deve ser o mais terrível que já vi — disse Sor Hyle da montaria de Podrick. — Eu estou surpreso que você não o esteja montando, minha senhora. Você planeja me agradecer pela minha ajuda?

Brienne desmontou de sua égua. Ela ficou uma cabeça mais alta que Sor Hyle. — Um dia eu vou agradecê-lo em uma luta, Sor.

— Da maneira que você agradeceu a Ronnet, o Vermelho? — Hunt riu. Ele tinha uma risada cheia, rica, mas sua face era clara. Um rosto honesto, ela pensou uma vez, antes de conhecê-lo melhor. Cabelo castanho desgrenhado, olhos castanhos, uma cicatriz perto de sua orelha esquerda. Seu queixo tinha uma fenda e seu nariz era torto, mas ele ria muito bem, e frequentemente.

— O senhor não deveria estar vigiando o seu portão?

— Ele fez uma careta para ela.

— Meu primo Alyn está lá fora caçando foras da lei. Sem dúvida ele irá voltar com a cabeça do Cão de Caça, regozijando e coberto de glória.

Enquanto isso, eu estou condenado a guardar este portão, graças a você. Eu espero que você esteja satisfeita, minha bela. O que é que você está procurando?