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Sor Hugh Beesbury trouxe para ela um pote de mel ‘tão doce quanto as Donzelas de Tarth.’ Sor Mark Mullendore a fez rir com as esquisitices de seu macaco, uma criatura preta e branca, pequena e curiosa das Ilhas do Verão. Um cavaleiro da barreira chamado Will, o Cegonha se ofereceu para esfregar os nós de seus ombros.

Brienne o recusou. Ela recusou todos eles. Quando Sor Owen Inchfield a segurou numa noite e pressionou um beijo sobre ela, ela o empurrou com a bunda em uma fogueira. Mais tarde ela olhou para si mesma em um vidro. Seu rosto estava tão amplo e com dentes de coelho e sardento como sempre, lábios grandes, queixo largo, tão feia. Tudo o que ela queria era ser um cavaleiro e servir ao Rei Renly, até agora...

Não era como se ela fosse a única mulher lá. Mesmo as seguidoras do acampamento eram mais belas que ela, e lá em cima no castelo de Lorde Tyrell, Rei Renly festejava toda noite, enquanto donzelas bem-nascidas e damas adoráveis dançavam ao som da gaita de fole, da buzina e da harpa.

Por que você está sendo gentil comigo? Ela queria gritar, toda vez que um cavaleiro estranho lhe cumprimentava. O que você quer?

Randyll Tarly resolveu o mistério o dia em que enviou dois de seus homens de armas para chamá-la em seu pavilhão. O seu filho mais novo, Dickson, tinha ouvido quatro cavaleiros rindo enquanto selavam os seus cavalos, e contou ao seu pai o que eles disseram.

Eles tinham uma aposta.

Três dos cavaleiros mais jovens tinham começado, ele disse a ela: Ambrose, Bushy, e Hyle Hunt, de sua própria casa. À medida que a notícia se espalhou pelo acampamento, outros entraram no jogo. Cada homem precisava entrar com um dragão de ouro, a quantia total iria a quem conseguisse tirar a sua virgindade.

— Eu preciso dar um fim nesse esporte — Tarly a disse. — Alguns desses... jogadores... são menos honoráveis que outros, e o bolo está crescendo cada vez mais. É só uma questão de tempo antes que algum deles decida tomar o prêmio a força.

— Eles eram cavaleiros — ela disse atordoada. — Cavaleiros ungidos.

— E homens honoráveis. A culpa é sua.

A acusação à fez recuar.

— Eu nunca... meu lorde, eu não fiz nada para encorajá-los.

— Você estar aqui os encorajou. Se uma mulher comporta como uma seguidora do acampamento, ela não pode opor-se a ser tratada como uma. Uma batalha de guerra não é lugar para uma donzela. Se você tem alguma consideração por sua virtude ou pela honra de sua Casa, você vai tirar esta armadura, voltar para casa, e pedir ao seu pai para encontrar um marido para você.

— Eu vim para lutar — ela insistiu. — Ser um cavaleiro.

— Os deuses fizeram os homens para lutar, e as mulheres para criar as crianças, — disse Randyll Tarly. — A guerra de uma mulher está na cama do parto.

Alguém estava descendo os degraus da adega. Brienne colocou seu vinho de lado enquanto um homem maltrapilho, magro, com cara de trapaceiro com cabelos castanhos e sujos entrou no Ganso. Ele deu uma olhadela para os marinheiros de Tyroshi e uma olhada mais longa para Brienne, e então foi até a prancha.

— Vinho — ele disse. — e nada de mijo do seu cavalo nesse, obrigado.

A mulher olhou para Brienne e acenou com a cabeça.

— Eu vou pagar o seu vinho — ela disse — por umas palavras.

O homem olhou melhor, seus olhos cautelosos.

— Umas palavras? Eu sei muitas delas. — Ele se sentou do outro lado do tambor de frente para ela. — Diga-me o que minha senhora quer ouvir, e Dick, o Ágil vai dizer.

— Eu ouvi que você enganou um bobo.

O homem esfarrapado tomou um gole de vinho, pensando.

— Talvez eu tenha. Ou não. — Ele usava um gibão desbotado e rasgado, de onde o distintivo de algum lorde havia sido arrancado. — Quem quer saber?

— Rei Robert. — Ela colocou um veado de prata entre eles. A cabeça de Robert estava de um lado, o veado do outro.

— Ele agora? — O homem pegou a moeda e a girou, sorrindo. — Eu gosto de ver um rei dançar, hey-nonny hey-nonny hey-nonny-ho. Talvez eu tenha visto o seu bobo.

— Havia uma garota com ele?

— Duas garotas — ele disse de uma vez.

— Duas garotas? — Poderia a outra ser Arya?

— Bem — o homem disse. — Eu nunca vi as duas doçuras, note você, mas ele queria passagens para três.

— Passagens para onde?

— Pro outro lado do oceano, se bem me lembro.

— Você se lembra qual era a sua aparência?

— De um bobo. — Ele pegou a moeda girando em cima da mesa quando ela começou a ficar mais lenta, e a fez desaparecer. — Um bobo assustado.

— Assustado por quê?

Ele deu de ombros.

— Ele nunca disse, mas o velho Dick, o Ágil conhece o cheiro do medo. Ele vinha aqui quase todas as noites, comprando bebidas para marinheiros, fazendo gracejos, cantando pequenas canções. Em uma noite alguns homens chegaram com aqueles caçadores em suas tetas, e seu bobo ficou branco como leite e ficou quieto até que eles saíram... — Ele ficou mais perto do banco dela. —Aquele Tarly colocou soldados rastejando sobre as docas, vendo todos os navios que chegam ou partem. O homem quer um veado, ele vai até a floresta. Se ele quer um barco, ele vai às docas. Seu bobo não se atreveu. Então eu ofereci ajuda a ele.

— Que tipo de ajuda?

— O tipo que custa mais que um veado de prata.

— Diga-me, e você terá outro.

— Vamos ver — ele disse. Ela colocou outro veado no barril. Ele a girou, sorriu e a jogou pra cima. — Um homem que não pode pegar os navios precisam que os navios venham até ele. Eu disse a ele que conhecia um lugar onde isso pudesse acontecer. Um local escondido, por exemplo.

Uma picada de ganso subiu pelos braços de Brienne.

— Uma enseada de contrabandistas. Você enviou o bobo para contrabandistas.

— Ele e suas duas garotas. — Ele riu. — A única coisa, bem, o local que eu os enviei, não há navios lá há algum tempo. Trinta anos, eu diria. —Ele coçou seu nariz. — O que esse bobo é para você?

— As duas garotas são minhas irmãs.

— Elas são agora? Coitadas das coisinhas. Eu tive uma irmã uma vez. Uma garota magrela com joelhos saltados, mas então cresceu nela um par de tetas e o filho de um cavaleiro ficou entre suas pernas. A última vez que a vi ela estava fora de Porto Real para fazer uma vida por ela mesma.

— Onde você os enviou?

Ele encolheu os ombros de novo.

— Ah, isso, não consigo me lembrar.

— Onde? — Brienne bateu com a mão aberta outro veado de prata.

Ele jogou a moeda de volta para ela com o dedo indicador.

— Algum lugar onde não se encontra o veado... um dragão talvez.

Prata não tiraria a verdade dele, ela sentiu. Ouro talvez, mas talvez não. O aço daria mais certo. Brienne tocou a sua adaga, mas então pegou a sua bolsa. Ela encontrou um dragão de ouro e colocou sobre o barril.

— Onde?

O homem esfarrapado pegou a moeda e a mordeu. — Doçura. Me vem a mente a Ponta da Garra Rachada. Ao norte daqui, há uma terra selvagem com colinas e pântanos, mas acontece que eu nasci e fui criado lá.

Dick Crabb, é meu nome, embora muitos me chamem de Dick, o Ágil.” Ela não ofereceu seu próprio nome.

— Onde no na Ponta da Garra Rachada?”

— Os Sussurradores. Você já ouviu falar em Crabb, com certeza.

— Não.

Isso pareceu surpreendê-lo.

— Sor Clarence Crabb, eu disse. Eu tenho o sangue dele em mim.

Ele tinha oito pés de altura, e tão forte que podia desenraizar pinheiro com uma mão e atirar a meia milha de distância. Nenhum cavalo podia aguentar o seu peso, então ele montava um auroque.