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— Não. — Sam limpou o nariz e sinalizou para o sul com um dedo gordo, em direção ao lugar onde a escuridão era mais densa. — Ali. — Não disse nada, e um relâmpago acendeu no céu, repentino, silencioso, com um brilho cegante. As nuvens distantes brilharam por um segundo, montanhas sobre montanhas, roxas, vermelhas e amarelas, mais altas que o mundo. —

O pior nem começou, e não há final feliz.

— Louvados sejam os deuses. — Riu Dareon. — Matador, você é tão covarde.

JAIME

Lorde Tywin Lannister entrara na cidade em um garanhão, sua armadura vermelho-esmaltada polida e brilhante, reluzente com gemas e filigrana. Ele a deixou no carro fúnebre, drapejado de bandeiras vermelhas, com cinco irmãs silenciosas velando a seus ossos.

O cortejo fúnebre deixou Porto Real pelo Portão dos Deuses, mais largo e esplêndido do que o Portão do Leão. A escolha parecia errada para Jaime. Seu pai tinha sido um leão, ninguém podia negar, mas até mesmo Lorde Tywin nunca reivindicou ser um deus.

Uma guarda de honra de cinquenta homens cercava o carro de Lorde Tywin, flâmulas vermelhas esvoaçavam das lanças. Os senhores do oeste seguiam atrás deles. O vento batia nos estandartes, fazendo-os dançar e voejar. Enquanto ele trotava para a coluna, Jaime passou por javalis, texugos, e besouros, uma flecha verde e um boi vermelho, alabardas cruzadas, lanças cruzadas, um gato de árvore, um morangueiro, uma figura de escudo com uma manga, e quatro figuras de sóis ao contrário.

Lorde Brax vestia um gibão cinza-claro com bordados de prata, uma ametista em forma de um unicórnio em cima de seu coração. Lorde Jast usava uma armadura de aço negro, três cabeças de leões douradas incrustadas na sua couraça. A julgar pela sua aparência, os rumores sobre sua morte não tinha sido de todo errados; as feridas e as prisões tinham deixado apenas uma sombra do homem que ele fora. Lorde Banefort vencera melhor a batalha, e parecia pronto para retornar para a guerra mais uma vez.

Plumm vestia roxo, Prester, arminho, Moreland, ferrugem e verde, mas cada um vestira uma capa de seda vermelha, em honra ao homem que eles escoltavam de volta para casa.

Atrás dos senhores vinham uma centena de besteiros e três centenas de soldados, e o vermelho também ondeava de seus ombros. Em sua capa branca e armadura branca escamada, Jaime se sentia de fora naquele rio de vermelho.

O seu tio também não deixava aquilo mais fácil.

— Senhor Comandante — Sor Kevan disse quando Jaime trotou ao lado dele no alto da coluna. Vossa Graça tinha alguma última ordem para mim?

— Eu não estou aqui por Cersei. — Um tambor começou a rufar atrás deles, devagar, mensurado, fúnebre. Morto, ele parecia dizer, morto, morto. — Eu vim para dar adeus. Ele era o meu pai.

— E dela.

— Eu não sou Cersei. Eu tenho uma barba, e ela tem peitos. Se você ainda está confuso, tio, conte nossas mãos. Cersei tem duas.

— Os dois gostam do escárnio — seu tio disse. — Poupe-me de suas zombarias, sor, eu não gosto delas.

— Como deseja. Isto não está indo tão bem como eu desejava.

Cersei iria querer ver você de fora, mas ela tem muitos deveres.

Sor Kevan bufou.

— Assim como todos nós. Como passa o seu rei? — O seu tom de voz fez da pergunta uma repreensão.

— Bem o suficiente — Jaime disse defensivamente. — Balon Swann está com ele pelas manhãs. Um bom e bravo guerreiro.

— Foi o tempo em que não se falava daqueles que vestem o manto branca.

Nenhum homem pode escolher seus irmãos, Jaime pensou. Dê-me a licença para escolher meus homens, e a Guarda Real será grande novamente. Mas colocar isso grosseiramente soaria frágil; uma jactância vazia de um homem da realeza chamado Regicida. Um homem com uma honra de merda. Jaime preferiu esquecer aquilo. Ele não viera para discutir com o tio.

— Sor — ele disse. — Você precisa fazer as pazes como Cersei.

— Estamos em guerra? Ninguém me contou.

Jaime ignorou aquilo.

— Discórdia entre Lannister e Lannister ajudará apenas os inimigos da nossa Casa.

— Se há discórdia, não é por minha culpa. Cersei quer governar.

Muito bem. O reino é dela. Tudo o que eu peço é ser deixado em paz. Meu lugar é em Darry com meu filho. O castelo precisa ser restaurado, as terras, semeadas e protegidas. — Ele deu um latido de risada amarga. — E sua irmã me deixou pouco para ocupar o tempo. Eu também vi Lancel se casar. Sua esposa tem pressa em ir para Darry.

Sua viúva das Gêmeos. Seu primo Lancel estava a cem metros atrás deles. Com seus olhos ocos e cabelos secos e brancos, ele parecia mais velho do que Lorde Jast. Jaime podia sentir seus dedos fantasmagóricos se coçando... Fodendo com Lancel e Osmund Kettleblack e Menino Lua, pelo que sei... Ele tentara falar com Lancel mais vezes do que podia contar, mas nunca o encontrava sozinho. Se seu pai não estava com ele, algum septão estava. Ele podia ser o filho de Kevan, mas ele tinha leite em suas veias.

Tyrion estava mentindo para mim. Suas palavras queriam ferir. Jaime tirou seu primo de seus pensamentos e voltou-se para o tio.

— Você vai permanecer em Darry depois do casamento?

— Por um tempo, talvez. Sandor Clegane está saqueando tudo que encontra ao longo de Tridente, ao que parece. Sua irmã quer sua cabeça. É

possível que ele tenha se unido com Dondarrion.

Jaime tinha ouvido sobre as Salinas. Por ora, metade do reino ouvira.

Ataques excepcionalmente selvagens. Mulheres estupradas e mutiladas, crianças assassinadas nos braços de suas mães, metade da cidade queimada.

— Randyll Tarly está em Lagoa da Donzela. Deixe-o lidar com os fora da lei. Eu iria o quanto antes a Correrrio.

— Sor Daven governa lá. O Guardião do Oeste. Ele não precisa de mim. Lancel, sim.

— É Como você diz, tio. — A cabeça de Jaime estava martelando como a batida do tambor. Morto, morto, morto. — Você faria bem em manter seus cavaleiros por perto.

Seu tio o olhou com frieza;

— Isto é uma ameaça, sor?

Uma ameaça? A sugestão o assustou.

— Um aviso. Eu só quis dizer... Sandor é perigoso.

— Eu estava enforcando foras da lei e cavaleiros ladrões quando você ainda estava cagando em suas fraldas. Eu não vou fugir e encarar Clegane e Dondarrion sozinho, se esse é o seu medo, sor. Nem todo Lannister é capaz de fazer estupidez por glória.

Por que, tio, eu acredito que você está falando de mim?

— Addam Marbrand poderia negociar com esses foras da lei tão bem quanto você. Assim como Brax, Banefort, Plumm, qualquer um desses.

Mas nenhum deles daria uma boa Mão do Rei.

— Sua irmã conhece as regras. Elas não foram mudadas. Diga a ela isso, da próxima vez que estiver em seu dormitório.

Sor Kevan colocou seus tornozelos no seu corcel e galopou adiante, terminando abruptamente a conversa.

Jaime o deixou ir, sua mão da espada perdida se contraindo. Ele tinha esperado contra toda a esperança que Cersei tivesse, de alguma forma, entendido mal, mas claramente aquilo estava errado. Ele sabe sobre nós dois. Sobre Tommen e Myrcella. E Cersei sabe que ele sabe. Sor Kevan era um Lannister de Rochedo Casterly. Ele podia não acreditar que ela nunca o faria mal, mas... Eu estava errado sobre Tyrion, por que não sobre Cersei?

Quando filhos matam pais, o que há de impedir uma sobrinha de ordenar que matem seu tio? Um tio inconveniente que sabe demais. Embora Cersei talvez estivesse esperando que o Cão fizesse seu trabalho. Se Sandor Clegane matasse Sor Kevan, ela não precisaria sujar suas mãos com sangue.