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— Mas Lorde Stannis não procurará conquistar também a aliança de Porto Branco? — perguntou o Grande Meistre Pycelle.

— Oh, ele tentou. Lorde Manderly enviou-nos as suas cartas e respondeu com evasivas. Stannis exige as espadas e a prata de Porto Branco, pelas quais oferece... Bem, nada. — Um dia teria de acender uma vela ao Estranho por ter levado Renly, deixando Stannis. Se tivesse sido o contrário, a sua vida teria sido mais dura. — Hoje mesmo chegou outra ave. Stannis enviou o seu contrabandista de cebolas para negociar com Porto Branco em seu nome. Manderly enfiou o desgraçado numa cela. Pergunta o que deve fazer com ele.

— Que o envie para cá, para podermos interrogá-lo — sugeriu o Lorde Merryweather. — O homem pode saber muitas coisas valiosas.

— Ele que morra — disse Qyburn. — A sua morte será uma lição para o norte, mostrando-lhes o que acontece aos traidores.

— Estou bastante de acordo — disse a rainha. — De instruções a Lorde Manderly para lhe cortar imediatamente a cabeça. Isso porá fim a qualquer hipótese de Porto Branco apoiar Stannis.

— Stannis irá precisar de outro Mão — observou Aurane Waters com um risinho. — O cavaleiro dos nabos, talvez?

— Um cavaleiro dos nabos? — Disse Sor Harys Swyft, confuso. — Quem é esse homem? Nunca ouvi falar dele.

A única resposta de Waters foi rolar os olhos.

— E se Lorde Manderly recusar? — perguntou Merryweather.

— Não se atreverá. A cabeça do cavaleiro das cebolas é a moeda com que terá de comprar a vida do filho. — Cersei sorriu. Aquele velho palerma gordo pode ter sido leal aos Stark A sua maneira, mas com os lobos de Winterfell extintos...

— Vossa Graça esqueceu a Senhora Sansa disse Pycelle.

A rainha irritou-se.

— Pode ter certeza de que não me esqueci dessa pequena loba. — Recusava-se a proferir o nome da menina. — Devia tê-la mostrado as celas negras como filha de um traidor, mas em vez disso acolhi-a entre os meus.

Partilhou o meu salão e a minha lareira, brincou com os meus filhos. A alimentei, a vesti, tentei deixá-la um pouco menos ignorante acerca do mundo, e como foi que ela me pagou a bondade? Ajudou a assassinar o meu filho. Quando encontrarmos o Duende, encontraremos também a Senhora Sansa. Ela não está morta... Mas antes de eu acabar o que tenho planeado para ela, os garanto, desatará a cantar ao Estranho, suplicando o seu beijo.

Seguiu-se um silêncio incomodo. Terão todos engolido as línguas?

Pensou Cersei, irritada. Aquilo era o suficiente para se interrogar por que se incomodava com um conselho.

— Em todo o caso — prosseguiu a rainha — A filha mais nova do Lorde Eddard está com o Lorde Bolton, e se casará com o seu filho Ramsay assim que Fosso Cailin cair. — Desde que a menina desempenhe o seu papel suficientemente bem para cimentar a pretensão a Winterfell, nenhum dos Bolton se importaria muito que ela fosse na realidade a cria de algum intendente ataviada pelo Mindinho. — Se o norte tem de ter um Stark, daremos um. — Permitiu que Lorde Merryweather voltasse a encher-lhe a taça. — Outro problema surgiu na Muralha, porém. Os irmãos da Patrulha da Noite perderam o juízo e escolheram o bastardo de Ned Stark para ser o seu Senhor Comandante.

— O rapaz chama-se Snow – disse Pycelle inutilmente.

— Vi-o de passagem urna vez em Winterfell — disse a rainha — se bem que os Stark tivessem feito os possíveis por escondê-lo. Parece-se muito com o pai. — Os bastardos do marido também tinham o seu aspecto, se bem que pelo menos Robert tivesse tido a elegância de mantê-los longe de sua vista. Uma vez, depois daquele lamentável assunto do gato, fizera uns ruídos acerca de trazer uma de suas filhas ilegítimas qualquer para a corte.

— Faça o que quiser — dissera-lhe Cersei — mas talvez venha a descobrir que a cidade não é um lugar saudável para uma rapariga em crescimento. — A nódoa negra que aquelas palavras lhe tinham conquistado não fora fácil de esconder de Jaime, mas não voltara a ouvir falar daquela bastarda. Catelyn Tully era uma ratinha, caso contrário teria se visto livre daquele Jon Snow no berço. Em vez disso, deixou a tarefa suja para mim.

— O Snow também partilha o gosto do Lorde Eddard pela traição —disse. — O pai queria entregar o reino a Stannis. O filho deu-lhe terras e castelos.

— A Patrulha da Noite jurou não participar nas guerras dos Sete Reinos — recordou-lhes Pycelle. Ao longo de milhares de anos, os irmãos negros mantiver essa tradição.

— Até agora — disse Cersei. O bastardo escreveu-nos para afirmar que a Patrulha da Noite não favorece nenhum dos lados, mas os seus atos desvendam a mentira das suas palavras. Deu a Stannis comida e abrigo, e mesmo assim tem a insolência de nos suplicar armas e homens.

— Um ultraje — declarou o Lorde Merryvveather. — Não podemos permitir que a Patrulha da Noite junte as suas forças as do Lorde Stannis.

— Temos de declarar este Snow um traidor e um rebelde — concordou Sor Harys Swyft. — Os irmãos negros têm de o destituir.

O Grande Meistre Pycelle anuiu solenemente.

— Proponho que informemos Castelo Negro de que não lhes serão enviados mais homens até que o Snow desapareça.

— Os nossos novos dromones vão precisar de remadores — disse Aurane Waters. — Mandemos instruções aos lordes para que daqui em diante me enviem os seus caçadores furtivos e ladrões, e não à Muralha.

Qyburn inclinou-se para a frente com um sorriso.

— A Patrulha da Noite protege a todos nós dos snarks e dos gramequins. Senhores, o que eu digo é que temos de ajudar os bravos irmãos negros.

Cersei deitou-lhe um olhar penetrante.

— O que você está dizendo?

— O seguinte — disse Qybum. — Há anos que a Patrulha da Noite suplica por homens. Lorde Stannis respondeu ao seu apelo. Poderá o Rei Tommen fazer menos do que isso? Sua Graça deve mandar cem homens para a Muralha. Ostensivamente para vestir o negro, mas na verdade...

— Para destituir Jon Snow do comando — terminou Cersei, deliciada. Eu sabia que tinha razão em querê-lo no meu conselho. — É isso mesmo que vamos fazer. — Soltou uma gargalhada. Se este bastardo for mesmo filho de seu pai, não suspeitará de nada. Talvez até me agradeça, antes da lâmina lhe deslizar entre as costelas. — Terá de ser feito com cautela, com certeza. Deixe o resto comigo, senhores. — Era assim que havia que lidar com um inimigo: com um punhal, não com uma declaração.

— Hoje fizemos bom trabalho, senhores. Agradeço-vos. Há mais algum assunto?

— Uma última coisa, Vossa Graça — disse Aurane Waters, num tom de quem pede desculpas. — Hesito em ocupar o tempo do conselho com bagatelas, mas tem-se ouvido um estranho falatório nas docas nos últimos tempos. Marinheiros vindos de leste. Falam de dragões...

— E sem dúvida de mantícoras e de snarks barbudos? — Cersei soltou uma gargalhadinha abafada. — Venha falar comigo quando falarem de anões, senhor. — Pôs-se em pé, a fim de assinalar o fim da reunião.

Soprava um vento forte de outono quando Cersei saiu das salas do conselho, e os sinos do Abençoado Baelor cantavam a sua canção de luto do outro lado da cidade. No pátio, duas vintenas de cavaleiros golpeavam-se uns aos outros com espadas e escudos, somando ruído ao ruído. Sor Boros Blount escoltou a rainha de volta aos seus aposentos, onde foi encontrar a Senhora Merryweather aos risinhos com Jocelyn e Dorcas.

— O que vocês acham tão divertido?

— Os gêmeos Redwyne — disse Taena. — Ambos se apaixonaram pela Senhora Margaery. Costumavam lutar um com o outro relativamente a qual seria o próximo Senhor da Árvore. Agora ambos querem juntar-se a Guarda Real, só para ficar perto da pequena rainha.