— Os Redwyne sempre tiveram mais sardas do que miolos. — Mas era útil saber aquilo. Se o Horror ou o Babeiro for encontrado na cama com Margaery... Cersei se perguntou se a pequena rainha gostaria de sardas. — Dorcas, vá buscar Sor Osney Keitleblack.
Dorcas corou.
— Ás suas ordens.
Depois da menina sair, Taena Merryweather deu a rainha um olhar zombeteiro.
— Por que ela ficou tão vermelha?
— Amor. — Foi a vez de Cersei rir.
Ela gosta do nosso Sor
Osnev. — Era o mais novo dos Kettleblack, o escanhoado. Embora tivesse o mesmo cabelo negro, nariz adunco e sorriso fácil do irmão Osmund, urna bochecha ostentava três longos arranhões, cortesia de uma das rameiras de Tyrion, — Gosta das cicatrizes dele, parece-me.
Os olhos escuros da Senhora Merryweather brilharam de travessura.
— É isso mesmo, As cicatrizes fazem um homem parecer perigoso, e o perigo é excitante.
— Choca-me, senhora — disse a rainha, provocando. — Se o perigo a excita assim tanto, por que casar com o Lorde Orton? Nós todos o apreciamos é verdade, mas mesmo assim... — Petyr comentara uma vez que a cornucópia que adornava as armas da Casa Merryweather se adequava admiravelmente ao Lorde Orton, visto que tinha cabelo cor de cenoura, um nariz tão bulboso corno urna raiz de beterraba e papas de ervilhas em vez de miolos.
Taena riu.
— O meu senhor é mais magnânimo do que perigoso, é verdade.
Mas... Espero que Vossa Graça não pense o pior de mim, mas não cheguei inteiramente donzela à cama de Orton.
Vocês das Cidades Livres são todas rameiras, não são? Era bom saber; um dia, poderia ser capaz de arranjar um uso para aquilo.
— Diga-me, quem foi esse amante tão... Cheio de perigo? A pele cor de azeitona de Taena tornou-se ainda mais escura quando ela corou.
— Oh, não devia ter dito nada. Vossa Graça guardará o meu segredo, sim?
— Os homens têm cicatrizes, as mulheres mistérios. – Cersei beijou-lhe o rosto. Arrancarei o nome dele bem depressa.
Quando Dorcas regressou com Sor Osney Kettleblack, a rainha mandou as suas senhoras embora.
— Venha se sentar comigo junto à janela, Sor Osney. Quer urna taça de vinho? — Foi ela própria quem os serviu. — Tem o manto no fio. Tenho em mente pôr-vos num novo.
— O quê, um branco? Quem morreu?
— Ninguém, por enquanto — disse a rainha. — É esse o seu desejo, juntar-se ao seu irmão Osmund na nossa Guarda Real?
— Preferia ser guarda da rainha, se aprouver a Vossa Graça. — Quando Osney sorriu, as cicatrizes no seu rosto tomaram um tom vermelho vivo.
Os dedos de Cersei percorreram o caminho que elas seguiam na cara do homem.
— Tem uma língua ousada, sor. Ainda fareis com que volte a descontrolar-me.
— Ótimo. — Sor Osney pegou-lhe na mão e beijou-lhe bruscamente os dedos. Minha querida rainha.
— É um homem perverso — sussurrou a rainha — e não um verdadeiro cavaleiro, penso eu. — Permitiu que lhe tocasse os seios através da seda do vestido. — Basta.
— Não basta. Desejo-a.
— Já me teve.
— Só uma vez. — Voltou a agarrar-lhe no seio esquerdo e deu-lhe um apertão desajeitado que lhe fez lembrar Robert.
— Uma boa noite para um bom cavaleiro. Prestaste-me um serviço com valentia, e obteve a recompensa. Cersei passeou os dedos pelas ataduras dele. Conseguia senti-lo a enrijecer através das calças. — Aquilo foi um cavalo novo que montou no pátio ontem de manhã?
— O garanhão negro? Sim. Um presente do meu irmão Osfryd. O chamei Meia-Noite.
Que maravilhosa originalidade.
— Uma bela montaria para uma batalha. Para o prazer, porém, nada se compara a um galope numa jovem potra fogosa. — Concedeu-lhe um sorriso e um apalpão. — Diga-me a verdade. Acha que a nossa pequena rainha é bonita?
Sor Osney retraiu-se, cauteloso.
— Suponho que sim. Para urna rapariga. Eu preferia ter uma mulher.
— E porque não ambas? — sussurrou Cersei. — Faça-me o favor de colher a rosinha, e não me achará ingrata.
— A rosinha... fala de Margaery? — O ardor de Sor Osney estava murchando nas calças. — Ela é a esposa do rei. Não houve um membro qualquer da Guarda Real que perdeu a cabeça por se deitar com a esposa de um rei?
— Há séculos. — E la era a amante do rei, não esposa, e a cabeça foi a única coisa que não perdeu. Aegon desmembrou-o bocado a bocado, e obrigou a mulher a ver. Contudo, Cersei não queria que Osney remoesse esse antigo e desagradável caso. — Tommen não é Aegon, o indigno. Não tenha medo, ele fará o que eu lhe pedir. Pretendo que seja Margaery a perder a cabeça, não você.
Aquilo o fez hesitar.
— Refere-se ao cabaço?
— Isso também. Assumindo que ainda o tem. — Voltou a percorrer lhe as cicatrizes. — A menos que pense que Margaery mostre-se indiferente aos vossos... Encantos?
Osney deitou-lhe um olhar magoado.
— Ela gosta bastante de mim. Aquelas primas dela andam sempre a me atormentar por causa do nariz. Que é muito grande, e tal. Da última vez que Megga fez isso, Margaery disse-lhes para parar, e disse que eu tinha uma cara adorável.
— Então ai tem.
— Aí tenho — concordou o homem, em tom de dúvida — mas o que terei se ela... se eu... depois de nos...
— Fizerem o ato? — Cersei concedeu-lhe um sorriso cheio de farpas. — Dormir com uma rainha é traição. Tommen não terá alternativa a não ser envia-lo para a Muralha.
— A Muralha? – disse ele, consternado.
Foi com dificuldade que Cersei evitou rir. Não, é melhor não. Os homens odeiam que alguém ria deles.
— Um manto negro combinaria bem com seus olhos, e com esse seu cabelo negro.
— Ninguém regressa da Muralha.
— Você regressará. Tudo o que tem de fazer é matar um rapaz.
— Que rapaz?
— Um rapaz bastardo conivente com Stannis. É jovem e verde, e você terá cem homens.
Kettleblack tinha medo, Cersei conseguia cheirá-lo, mas era demasiado orgulhoso para admitir esse medo. Os homens são todos iguais.
— Já perdi a conta aos rapazes que matei — insistiu. —Depois desse rapaz estar morto, obterei o perdão do rei?
— Isso, e uma senhoria. — A menos que os irmãos do Snow te enforquem primeiro. — Uma rainha tem de ter um consorte. Um consorte que não conheça o medo.
— Lorde Kettleblack? — Um sorriso lento espalhou-se pelo seu rosto, e as cicatrizes flamejaram rubras. — Sim, gosto do som disso. Um majestoso lorde...
—... e digno de dormir com uma rainha.
O homem franziu as sobrancelhas.
— A Muralha é fria.
— E eu sou quente. — Cersei pôs seus braços em volta do pescoço.
— Durma com uma menina e mate um rapaz, e eu sou sua. Tem coragem para tal?
Osney pensou um momento antes de concordar.
— Sou o seu homem.
— É sim, sor. — Beijou-o, e permitiu-lhe saborear um pouco de língua antes de se afastar. — Basta por agora. O resto terá de esperar.
Sonhará comigo esta noite?
— Sim. — A voz dele soou rouca.
— E quando estiver na cama com a nossa Donzela Margaery? — Perguntou -lhe, provocando-o. Quando estiver dentro dela, sonhará comigo nesse momento?
— Sonharei — jurou Osney Kettleblack.
— Ótimo.
Depois de ele sair, Cersei chamou Jocelyn para lhe escovar o cabelo enquanto ficava descalça e se espreguiçava como uma gata. Fui feita para isto, disse a si própria. O que mais lhe agradava era a pura elegância do plano. Nem mesmo Mace Tyrell se atreveria a defender a sua filha querida se fosse apanhada em flagrante com um homem como Osney Kettleblack, e nem Stannis Baratheon nem Jon Snow teriam motivos para se interrogarem sobre o motivo de Osney ser enviado para a Muralha. Se asseguraria de ser Sor Osmund quem descobriria o irmão com a pequena rainha; desse modo, a lealdade dos outros dois Kettleblack não teria de ser posta em causa. Se o pai pudesse me ver agora, não se apressaria tanto a falar em voltar a me casar.