Euron encolheu os ombros.
— Eu ouvi que o Deus da Tempestade varreu Balon à morte. Quem é esse homem que o matou? Diga-me seu nome, sobrinha, e eu porei minha vingança sobre ele.
Asha levantou-se.
— Você sabe seu nome tanto quanto eu. Por três anos você esteve longe de nós, e, no entanto, o Silêncio retorna um dia após a morte de meu pai.
— Está me acusando? — Euron perguntou suavemente.
— Devo? — A severidade na voz de Asha fez Victarion franzir as sobrancelhas. Era perigoso falar com Olho de Corvo daquele jeito, mesmo quando seu olho sorridente brilhava com deleite.
— Eu comando os ventos? — Olho de Corvo perguntou aos seus favoritos.
— Não, Vossa Graça — disse Orkwood de Orkmont.
— Homem nenhum comanda os ventos — disse Germund Botley.
— Comandaria se fosse você — disse o Remador Vermelho. — Você velejaria quando quisesse e nunca seria acalmado.
— Aí está, da boca de três homens corajosos — Euron disse. — O Silêncio estava ao mar quando Balon morreu. Se duvida de uma palavra de um tio, lhe dou permissão para perguntar à tripulação.
— Uma tripulação de mudos? Sim, isto serviria bem.
— Um marido ia servir-lhe bem. — Euron voltou-se a seus seguidores de novo. —Torwold, eu tenho uma memória fraca, você tem uma esposa?
— Só uma. — Torwold Dente Marrom arreganhou os dentes, e mostrou como tinha ganhado seu nome.
— Eu sou solteiro — anunciou Lucas Codd, o Mão Esquerda.
— E por uma boa razão — Asha disse. — Todas as mulheres desprezam os Codds. Não olhe para mim tão miseravelmente, Lucas. Você ainda tem sua famosa mão. — Ela fez um movimento com seu punho.
Codd xingou, até que Olho de Corvo colocou a mão sobre seu peito.
— Isso não foi delicado, Asha. Você feriu Lucas em carne viva.
— Mais fácil do quer feri-lo no pau. Eu jogo um machado tão bem quanto um homem, mas quando o alvo é tão pequeno...
— Essa menina perdeu a cabeça — rosnou Jon Myre, o Cara Apertada. — Balon a deixou acreditar que ela era um homem.
— Seu pai cometeu o mesmo erro com você — disse Asha.
— A de para mim, Euron — sugeriu o Remador Vermelho. — Eu darei palmadas nela até seu traseiro ficar vermelho como meu cabelo.
— Tente — disse Asha — e depois nós podemos te chamar de Eunuco Vermelho. —Um machado estava em sua mão. Ela o jogou no ar e o pegou com destreza. — Aqui está meu marido, tio. Homem que me queira deve ter isto com ele.
Victarion bateu o punho na mesa.
— Eu não quero sangue derramado aqui. Euron vá embora com os seus... Favoritos.
— Eu esperava boas-vindas mais calorosas de você, irmão. Eu sou o seu irmão mais velho... Em breve, seu legítimo rei.
O rosto de Victarion escureceu.
— Quanto à assembleia do rei, nós veremos quem usará a coroa de madeira.
— Nisso nós concordamos. — Euron ergueu dois dedos em direção ao couro que cobria seu olho esquerdo, e foi embora. Os outros o seguiram grudados ao seu calcanhar, como cachorros. O Silêncio demorava-se atrás deles, até Lenwood Tawney, o Pequeno pegar sua rabeca. O vinho e a cerveja começaram a fluir novamente, mas vários convidados tinham perdido a vontade. Eldred Codd saiu rapidamente, embalando sua mão ensanguentada. Então, Will Humble, Hotho Harlaw, e boa parte dos Bons Irmãos.
— Tio. — Asha colocou sua mão sobre seu ombro. — Caminhe comigo, se você quiser.
Do lado de fora da tenda o vento soprava cada vez mais forte.
Nuvens corriam sobre o rosto pálido da lua. Elas pareciam um pouco com galeras, remadas fortemente. As estrelas eram poucas e lânguidas. Por toda a praia os dracares descansavam, mastros altos se erguiam como uma floresta crescendo da espuma das ondas. Victarion podia ouvir seus cascos rangendo enquanto eles se assentaram na areia. Ele ouviu o lamentar de seus forros, o soar dos estandartes agitando-se ao vento. Além, nas águas profundas da baía, grandes barcos ancoravam sombras horríveis envolvidas na névoa.
Eles andaram pela praia juntos, acima da espuma do mar, longe dos acampamentos e fogueiras.
— Diga-me a verdade, tio. — Disse Asha. — Por que Euron se foi tão repentinamente?
— Olho de Corvo muitas vezes foi um saqueador.
— Nunca por tanto tempo.
— Ele levou o Silêncio para o leste. Uma longa viagem.
— Eu perguntei por quê ele foi, não onde. — Como ele não respoe, Asha disse. — Eu estava longe quando o Silêncio velejou. Eu levei o Vento Negro da Árvore para os Degraus, para roubar algumas jóias sem valor dos piratas de Lyseni. Quando eu voltei, Euron tinha-se-ido e sua nova esposa estava morta.
— Ela era só uma esposa indecente. Ele não tocara em outra mulher desde que ele a deu aos caranguejos. Eu precisarei de uma esposa quando for rei. Uma esposa de verdade, para ser minha rainha e dar-me filhos. Um rei deve ter um herdeiro.
— Meu pai se recusa a falar com ela — disse Asha.
— Não traz bem algum falar de coisas que nenhum homem pode mudar. — Ele estava se cansando do assunto. Eu vi o drácar do Leitor.
— Levou todo meu charme piscar pra ele sair da Torre do Livro.
Ela tinha os Harlaws, então. Victarion franziu a testa ainda mais.
— Você não pode aspirar governar. Você é uma mulher.
— É por causa disso que eu sempre perco as competições de mijo?
— Asha riu. — Tio, isto me aflige, mas você pode estar certo. Por quatro dias e quatro noites, eu tenho estado a beber com os capitães e os reis, ouvindo ao que eles dizem... e ao que eles não irão dizer. Estou comigo mesma, e muitos Harlaw. E Tris Botley também, e alguns outros. Não é o suficiente. — Ela chutou uma pedra que foi chapinhando na água entre dois dracares. — Tenho em mente gritar o nome do meu tio.
— Qual? — Ele exigiu. — Você tem três.
— Quatro. Tio, ouça-me. Eu mesma colocarei a coroa de madeira na sua testa... Se você concordar em dividir o trono.
— Dividir o trono? Como? — A mulher falava coisas sem sentido.
Queria ela ser uma rainha? Victarion achou-se olhando para Asha de um jeito que nunca fizera. Ele podia sentir sua virilidade começar a endurecer.
Ela é a filha de Balon, ele lembrou a si mesmo. Ele recordou de quando ela era uma menina, jogando machados na porta. Cruzou os braços contra o peito. Na Cadeira da Rocha do Mar só um se senta.
— Então, meu tio senta — Asha disse. — Eu estarei atrás de você, protegendo-o e sussurrando em seu ouvido. Nenhum rei pode governar sozinho. Mesmo quando os dragões sentaram no Trono de Ferro, tinham homens para ajudá-los. As Mãos do Rei. Deixe-me ser sua mão, Tio.
Nenhum Rei das Ilhas precisou de uma Mão, muito menos a de uma mulher. Os capitães e os reis zombariam de mim.
— Por que você desejaria ser minha Mão?
— Para acabar com essa guerra antes que ela acabe conosco. Nós ganhamos tudo o que queríamos ganhar... E ficamos para perder tudo tão rápido, a não ser que nós façamos a paz. Eu mostrei a Senhora Glover toda cortesia, e ela jurou que o seu senhor entraria em entendimento comigo. Se nós devolvermos Bosque Profundo, Praça de Torrhen e Fosso Cailin, ela diz, os homens do norte nos cederão a Ponta do Dragão Marinho e toda a Costa Pedregosa. Essas regiões são poucos povoadas, mas dez vezes maiores do que as ilhas todas juntas. Uma troca de reféns selará o pacto, e cada lado concordará com o outro na junção do Trono de Ferro.
Victarion riu.
— Esta Senhora Glover a faz de tola, sobrinha. O Ponta do Dragão Marinho e a Costa Pedregosa são nossos. Por que devolver alguma coisa?
Winterfell está queimada e destruída, e o Jovem Lobo apodrece imprudentemente na terra. Nós teremos todo o norte, como o senhor seu pai sonhou.