Выбрать главу

— Quando os dracares aprenderem a remar através de árvores, talvez. Um pescador pode pegar um leviatã cinza, mas ele iria levá-lo ao fundo do oceano e morreria, a não ser que o pescador cortasse a linha. O

norte é muito grande para nós mantermos, e muito cheio de homens do norte.

— Volte para suas bonecas, sobrinha. Deixe a vitória das guerras para os guerreiros. — Victarion mostrou a ela seus punhos. — Eu tenho duas mãos. Nenhum homem precisa de três.

— Embora eu conheça um homem que precise da Casa Harlaw.

— Hotho, o Corcunda ofereceu-me sua filha para ser minha rainha.

Se eu ficar com ela, eu terei os Harlaw.

Aquilo fez a garota pestanejar.

— Lorde Rodrik governa a Casa Harlaw.

— Rodrik não tem filhas, só livros. Hotho será seu herdeiro, e eu serei o rei. Uma vez que ele dissesse as palavras em voz alta, elas soaram como verdade. Olho de Corvo tem estado muito tempo longe.

— Alguns homens parecem maiores de longe — Asha advertiu. —Caminhe por entre as fogueiras se ousa, e ouça. Eles não estão contando histórias sobre a sua força nem sobre a minha beleza. Eles só falam de Olho de Corvo; os lugares distantes que viu, as mulheres que ele comeu e os homens que matou, as cidades que saqueou, o jeito que ele queimou a frota de Lorde Tywin em Lannisporto...

— Eu queimei a frota do leão — Victarion insistiu. — Com minhas próprias mãos coloquei fogo na sua capitania.

— Olho de Corvo tem um esquema. — Asha colocou sua mão sobre seu braço. — E matou sua esposa também... não foi?

Balon ordenara-os a não falar sobre isso, mas Balon estava morto.

— Ele colocou um bebê em sua barriga e me fez fazer o serviço. Eu o teria matado também, mas Balon não queria nenhum assassino em sua mansão. Ele mandou Euron ao exílio, para nunca retornar...

— ... enquanto Balon viver?

Victarion olhou para seus punhos.

— Ela deu-me um par de chifres. Eu não tive escolha. Teria sido conhecido, homens estariam rindo de mim, como Olho de Corvo ria quando o confrontei. Ela veio a mim molhada e desejosa, ele se gabara. Parece que Victarion é grande em todo lugar, mas principalmente onde importa. Mas ele não podia conta-la isso.

— Sinto muito por você — disse Asha — e mais ainda por ela... mas você me deu pouca escolha senão reivindicar a Cadeira de Pedra do Mar por mim mesma.

— Não. Seu bafo é seu para desperdiçar, mulher.

— Sim — ela disse, e o deixou.

O HOMEM AFOGADO

Somente quando seus braços e pernas estavam dormentes por causa do frio, foi que Aeron Greyjoy nadou de volta a costa e vestiu suas roupas novamente.

Ele havia corrido diante do Olho de Corvo como se ainda fosse a coisa fraca que havia sido, mas quando as ondas quebravam-se sobre sua cabeça, o lembrava mais uma vez que aquele homem estava morto. Renasci do mar, um homem mais duro e mais forte. Nenhum homem poderia assustá-lo, não mais que a escuridão poderia, nem os ossos de sua alma, as cinzas e terríveis ossos de sua alma. O barulho de uma porta se abrindo, o grito de uma dobradiça de ferro enferrujada.

Suas vestes de sacerdote estalaram quando ele as vestiu, ainda dura com o sal proveniente de sua ultima lavada nos últimos quinze dias. A lã se agarrou ao seu peito molhado, absorvendo a água que escorria do seu cabelo.

Ele encheu o cantil e atirou-o sobre seu ombro.

Assim que ele atravessou a costa, um homem afogado, retornando de um chamado da natureza tropeçou nele na escuridão.

— Cabelo Molhado! — Ele murmurou.

Aeron colocou a mão sobre sua cabeça, o abençoou e continuou andando.

O chão se ergueu sob seus pés, delicadamente no inicio, e então mais acentuado. Quando ele sentiu a grama verde esfregando-se entre seus dedos, ele sabia que havia deixado à costa para trás. Lentamente ele subiu, ouvindo as ondas. O mar nunca está cansado. Devo ser incansável também.

No topo da colina, monstruosas costelas de pedras erguiam-se da terra rosada, como troncos pálidos de grandiosas árvores. A visão fez o coração de Aeron bater mais rápido. Nagga havia sido o primeiro dragão do mar, o mais poderoso de todos os tempos que surgiu das ondas. Ela se alimentou de lulas e leviathans e afundou ilhas inteiras em sua ira, mas mesmo assim o Rei Cinzento havia a matado e o Deus Afogado tinha transformado seus ossos em pedras para que os homens nunca cessassem de admirar a coragens dos primeiros dos reis. As costelas de Nagga tornaram-se as vigas e pilares de seu longo corredor, assim como suas mandíbulas se tornou seu trono. Por mil e sete anos ele reinou aqui, lembrou Aeron. Aqui ele pegou sua esposa sereia e planejou as suas guerras contra o Deus da 324

Tempestade. A partir daqui ele governou tanto pedra e sal, usando mantos tecidos de algas e uma coroa alta e pálida, feita com os dentes de Nagga.

Mas isso fora na aurora dos dias, quando poderosos homens ainda habitavam a terra e o mar. O salão havia sido aquecido pelo fogovivo de Nagga, que o Rei Cinza havia feita seu escravo. Em suas paredes pendiam tapeçarias feitas de algas marinhas prateadas, mais agradáveis aos olhos. Os guerreiros do Rei Cinza tiveram um banquete da generosidade do mar, em uma mesa com o formato de uma grande estrela do mar, enquanto sentava-se sobre tronos entalhados pela mãe-de-pérola . Então, toda a glória se foi.

Homens são menores agora. Suas vidas se tornaram curtas. O Deus da Tempestade afogou o fogo de Nagga após a morte do Rei Cinza. As cadeiras e as tapeçarias tinham sido roubadas, os telhados e as paredes haviam apodrecido. Mesmo o grande trono do Rei Cinza, feito com os dentes de Nagga havia sido engolido pelo mar. Apenas os ossos de Nagga resistiram para relembrar o ‘nascido do ferro’ de toda a maravilha que havia sido.

É o suficiente, pensou Aeron Greyjoy.

Nove passos de largura haviam sido cavados no topo da colina de pedra. Subiu por trás dos morros uivantes de Velha Wyk, com suas negras e cruéis montanhas ao longo. Aeron parou onde as portas uma vez se ergueram, retirou a rolha de seu cantil, bebeu um gole de água salgada, virou o rosto para o mar. Nascemos do mar, e ao mar devemos retornar. Mesmo aqui, ele podia ouvir o barulho incessante das ondas e sentir o poder do deus que se escondia sobre as águas. Aeron caiu de joelhos. Você enviou seu pessoal para mim, ele orou. Eles deixaram suas salas e casebres, seus castelos e seus pertences, e vieram aqui para os ossos de Nagga, de cada vila de pescadores e de cada vale escondido. Agora lhes conceda sabedoria para reconhecer o verdadeiro rei quando estiver diante deles e força para evitar o falso. Toda a noite ele orou, pois quando o deus estava nele, Aeron Greyjoy não tinha necessidade de sono, não mais que as ondas precisam, ou os peixes do mar.

Nuvens escuras correram perante o vento quando a primeira luz adentrou o mundo. O céu negro se tornou cinza como ardósia. O mar preto virou cinza-verde; As montanhas negras de grande Wyk por toda a baía colocou os tons de azul-verde dos pinheiros. Assim como a cor voltou ao mundo, uma centena de estandartes se levantaram e começaram a bater.

Aeron observou os peixes prateados de Botley, a lua sangrenta de Wynch, as árvores verdes escuras de Orkwood. Ele viu machados, leviatãs e foices, e por todo lado as lulas gigantes, grandes e dourados. Abaixo dele, os escravos e suas mulheres começaram a se mover, agitando carvões e criando brasas para um novo dia, limpando peixes para os capitães e reis quebrarem seus jejuns.