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A luz da manhã tocou a vertente pedregosa, e ele assistiu os homens acordarem de seus sonos, jogando de lado seus cobertores de pele de foca enquanto eram chamados para seu primeiro chifre de cerveja. Bebam bastante, ele pensou, pois nós temos um trabalho de deus para fazer hoje.

O mar estava se movimentando também. As ondas ficaram maiores quando o vento aumentou, enviando plumas como spray que se quebravam contras os navios. O deus Afogado acorda, pensou Aeron. Ele podia ouvir sua voz brotando das profundezas do mar. Eu estarei com vocês aqui hoje, a voz disse. Nenhum homem sem deus irá se sentar em minha cadeira de pedra do mar.

Foi lá, sob os arcos das costelas de Nagga que seu homem afogado o encontrou, em pé, alto e severo com seus longos cabelos negros balançando ao vento.

— É a hora? — Rus perguntou.

Aeron deu um aceno de cabeça e disse.

— É, Vá em frente e faça a convocação.

Os homens afogados pegaram seus bastões de troncos e começaram a bater um contra o outro, enquanto caminhavam de volta morro abaixo.

Outros juntaram-se a eles, e o retinir se espalhava ao longo da costa. Tais retinir criavam um barulho assustador, como se centenas de arvores fossem compelidas umas as outras com seus membros. Tambores começaram a bater também, boom-boom-boom-boom-boom, boom-boom-boom-boom-boom-boom-boom. Um corno de guerra soou, e logo após outro.

AAAAAAooooooooooooooo.

Homens deixaram seus fogos para fazerem seus próprios caminhos para os ossos do Salão do Rei Cinza; remadores, timoneiros, veleiros, carpinteiros, os guerreiros com seus eixos e os pescadores com suas redes.

Alguns tinham escravos para servi-los, outros tinham esposas de sal. Outros, que haviam navegado muitas vezes para terras verdes, foram atendidos por cantores, meisters e cavaleiros. Os homens comuns, amontoavam-se em torno da colina, com escravos, crianças e mulheres, na parte de trás. Os capitães e os reis fizeram seus caminhos até a encosta. Aeron Cabelo Molhado viu o alegre Sigfry Stonetree, Andrik, o Sério. O cavaleiro Sor Baelor Blacktyde em seu manto negro, ficando ao lado de Stonehouse em sua pele de foca irregular. Victarion pairava acima de todos eles, exceto Andrik. Seu irmão não usava capacete, mas tinha seu esplendor todo em sua armadura: seu dourado manto de lula pendurado sobre seus ombros. Ele deve ser nosso rei. Que homem poderia olhar para ele e duvidar?

Quando o Cabelo Molhado levantou suas mãos ossudas, os tambores e os chifres de guerra ficaram em silêncio. Os homens afogados abaixaram suas lanças e todas as vozes silenciaram-se. Apenas o som das ondas batendo permaneceu. Um rugido que homem algum poderia deter.

— Nós nascemos do mar, e para o mar devemos retornar. — Aeron começou, suavemente no início, assim os homens se esforçavam para ouvi-lo. — O Deus da Tempestade em sua ira arrancou Balon de seu castelo e derrubou-o, mas agora ele festeja sob as ondas, nos salões de água do Deus Afogado. — Ele levantou seus olhos para o céu. — Balon está morto! O rei de ferro está morto!

— O rei está morto! — Seus homens afogados gritavam.

— Mas ainda, o que está morto pode nunca morrer, mas erguer-se novamente, mais duro e mais forte. — Lembrou-os — Balon caiu, Balon meu irmão, que honrou o Costume Antigo e pagou o preço do ferro. Balon, o Bravo, Balon, o Abençoado, Balon Duas Vezes Coroado. Que conquistou de volta nossa liberdade e nosso deus. Balon está morto, mas um rei de ferro precisa erguer-se novamente, e se assentar sobre ao Cadeira de Pedra do Mare governar as ilhas.

— Um rei precisa erguer-se — eles responderam — Ele precisa erguer-se!

— Ele precisa. Ele deve! — A voz de Aeron trovoou como as ondas.

— Mas, quem? Quem deve sentar-se no lugar de Balon? Quem deve governar estas ilhas sagradas? Ele está entre nós agora? — O sacerdote abriu suas mãos amplamente. — Quem deve ser rei sobre nós?

Uma gaivota gritou de volta para ele. A multidão começou a se mover, como se fossem homens acordando de um sonho. Cada homem olhou para seu vizinho, para ver qual deles talvez pretendiam reclamar uma coroa.

Olho do Corvo nunca foi paciente, Aeron Cabelo Molhado disse a si mesmo.

Talvez ele vá falar primeiro, e se assim for, seria sua ruína. Os capitães e reis haviam percorrido um longo caminho para aquele banquete e não escolheriam o primeiro prato que lhes fosse oferecido. Eles vão querer experimentar e provar, uma mordida deste, uma mordidela em outro, até aquele que melhor lhes convier.

Euron deveria saber daquilo também. Ele permaneceu com seus braços cruzados entre seus mudos e seus monstros, apenas o vento e as ondas responderam ao apelo de Aeron.

— Os nascidos do ferro devem ter um rei. — Ele insistiu depois de um longo silencio. — Eu pergunto novamente, quem deve ser rei sobre nós?

— Eu serei. — A resposta veio de baixo.

— Gylbert — Subiu da multidão um grito áspero. — Gylbert, Rei Gylbert.

Os capitães deram lugar para deixar o requerente e seus campeões subirem ao monte e se postarem ao lado de Aeron, sob as costelas de Nagga.

Este candidato a rei era um senhor alto com uma expressão melancólica, sua mandíbula se destacava raspada e limpa. Seus campeões tomaram posições dois passos atrás dele, tendo sua espada, escudo e estandarte. Eles compartilhavam da aparência do alto senhor, e Aeron acreditou que fossem seus filhos. Um desfraldou seu estandarte, uma grande e negra canoa contra um sol poente.

— Eu sou Gylbert Farwynd, Senhor da Luz Solitária — o senhor disse à assembleia de homens livres.

Aeron conhecia alguns Farwynd, um povo estranho que ocupou terras nas margens ocidental de Grande Wyk e as ilhas espalhadas além, pequenas rochas que a maioria das pessoas não poderia suportar, exceto uma única família. Destas, A Luz Solitária era a mais distante, velejando oito dias para o noroeste, entre colônias de focas, leões-marinhos, e o oceano cinza e sem limites. Os Farwynd ali presentes eram ainda mais estranhos que o resto. Alguns diziam que eles eram transformadores de pele, profanas criaturas que podiam assumir a forma de leões marinhos, morsas, e mesmo baleias manchadas, os lobos do mar selvagem.

Lord Gylbert começou a falar. Ele falou de uma terra maravilhosa além do por do sol no mar, uma terra sem inverno, onde a morte não tinha domínio.

— Façam-me seu rei, e eu levarei vocês até lá. — Ele proclamou. — Vamos construir dez mil navios, assim como Nymeria fez uma vez, e velejar com todo o nosso povo para a terra além do por do sol. Então todo homem será um rei, e toda esposa uma rainha.

Seus olhos, Aeron viu, ora cinzas, ora azuis, eram tão mutáveis quanto o mar. Olhos de louco, ele pensou, olhos de tolo. A visão de que ele falava, sem dúvidas se tratava de uma armadilha armada pelo deus da tempestade, para trair os filhos do ferro a destruição. As ofertas que seus homens derramavam perante a assembleia de homens livres incluíam peles e presas de morsa, braceletes feitos de ossos de baleias, e cornos de guerra enfaixados em bronze. Os capitães olharam e se afastaram, deixando homens menores ajudarem-nos com os presentes. Quando o tolo havia terminado de falar e seus campeões começaram a gritar seu nome, apenas os Farwynd ajudaram no coro, e nem todos eles. Logo, o grito de ‘Gylbert, Gylbert Rei’ deu lugar ao silêncio. A gaivota gritou bem alto acima deles e pousou em cima de uma das costelas de Nagga, enquanto o Senhor da Luz Solitária fazia seu caminho de volta morro abaixo.