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Outros contingentes seguiam atrás do carroção, com bandeiras representando outros que haviam lutado e derrotado o falso Dragão. As Abelhas Douradas de Illian, os três Crescentes Brancos de Tear, o Sol Nascente de Cairhien, outras, muitas outras, de nações e de cidades, e de grandes homens com suas próprias trombetas, seus próprios tambores para estrondejar sua grandeza. Mas eram um anticlímax após Logain.

Rand se inclinou um pouco mais para a frente para tentar captar uma última visão do homem na jaula. Ele foi derrotado, não foi? Luz, ele não estaria numa maldita jaula se não tivesse sido derrotado.

Desequilibrando-se, ele escorregou e agarrou o topo do muro, e se colocou de volta em um ponto mais seguro. Depois de Logain sumir, deu-se conta das mãos que queimavam onde a pedra havia arranhado a palma e os dedos. Mas não conseguia esquecer as imagens. A jaula e as Aes Sedai. Logain, invicto. Não importava a jaula; aquele não era um homem derrotado. Estremeceu e esfregou as mãos doloridas nas coxas.

— Por que as Aes Sedai o estavam vigiando? — perguntou-se em voz alta.

— Elas o estão impedindo de tocar a Fonte Verdadeira, seu bobo.

Ele se virou e olhou para cima, na direção da voz de garota, e subitamente lá se foi seu assento precário. Só teve tempo de perceber que estava caindo para trás quando alguma coisa bateu em sua cabeça e um Logain às gargalhadas o perseguiu na escuridão que o tragou.

40

A Teia se Estreita

A Rand, parecia que estava sentado à mesa com Logain e Moiraine. A Aes Sedai e o falso Dragão olhavam para ele silenciosamente, como se um não soubesse que o outro estava lá. Subitamente Rand percebeu que as paredes da sala estavam se tornando indistintas, desvanecendo em cinza. Começou a experimentar uma sensação de urgência cada vez maior. Tudo estava borrando, esvaindo-se. Quando olhou novamente para a mesa, Moiraine e Logain haviam desaparecido, e quem estava sentado ali era Ba’alzamon. O corpo inteiro de Rand vibrou com urgência; ele sentia um zumbido cada vez mais alto dentro da cabeça. O zumbido se transformou no ruído do sangue em seus ouvidos.

Sentou-se com um movimento brusco, e imediatamente grunhiu e segurou a cabeça, zonzo. Todo o seu crânio doía; a mão esquerda encontrou algo úmido e grudento nos cabelos. Ele estava sentado no chão, na grama verde. Isso o perturbou vagamente, mas sua cabeça girava, a visão de tudo para o que ele olhava se borrava, e ele só conseguia pensar em se deitar até que aquilo parasse.

O muro! A voz da garota!

Firmando-se com uma das mãos na grama, ele olhou lentamente ao redor. Tinha de fazê-lo com lentidão; quando tentava virar a cabeça rapidamente, tudo recomeçava a girar. Ele estava num jardim, ou num parque; um caminho pavimentado com pedras serpenteava por entre arbustos em flor a uma braça de distância, com um banco de pedra branca ao lado e um pequeno caramanchão sobre o banco para fazer sombra. Ele havia mesmo caído dentro da muralha. E a garota?

Ele encontrou a árvore, bem às suas costas, e a encontrou também — descendo da árvore. Ela alcançou o chão e se virou de frente para ele, que piscou e gemeu mais uma vez. Um manto de veludo azul-escuro forrado de pelo claro repousava sobre seus ombros; o capuz pendia às costas até a cintura, com um aglomerado de sinos de prata na ponta. Eles tilintavam quando ela se movia. Uma presilha de filigranas de prata segurava seus compridos cachos ruivos acobreados, e delicadas argolas de prata pendiam de suas orelhas, enquanto um colar de elos de prata pesados e pedras verde-escuras, que ele achou serem esmeraldas, circundava-lhe o pescoço. O vestido azul-claro estava manchado com a nódoa da árvore, mas era de seda, e era bordado com desenhos minuciosamente intrincados, a saia aberta numa fenda com inserções de uma rica cor de creme. Um cinturão largo de prata entrelaçada envolvia-lhe a cintura, e sandálias de veludo despontavam sob a bainha do vestido.

Ele só vira duas mulheres vestidas daquela maneira, Moiraine e a Amiga das Trevas que havia tentado matar Mat e ele. Não conseguia sequer começar a imaginar quem escolheria escalar árvores numa roupa como aquela, mas tinha certeza de que devia ser alguém importante. A maneira como olhava para ele redobrava essa impressão. Ela não parecia nem um pouco incomodada por ter um estranho caído em seu jardim. Havia uma aura de autoconfiança nela que o fez pensar em Nynaeve, em Moiraine.

Estava tão absorto, preocupado com haver ou não se metido em encrenca, com ela ser ou não alguém que podia chamar os Guardas da Rainha mesmo num dia em que eles tinham mais com que se ocupar, que levou alguns momentos para ver, para além das roupas elaboradas e da atitude superior, a garota propriamente dita. Ela era talvez dois ou três anos mais nova que ele, alta para uma garota, e linda, o rosto oval perfeito emoldurado por aquela massa de cachos como um sol radiante, os lábios cheios e vermelhos, os olhos mais azuis do que parecia possível. Era completamente diferente de Egwene em altura, rosto e corpo, mas tão bonita quanto ela. Sentiu uma pontada de culpa, mas disse a si mesmo que negar o que seus olhos viam não traria Egwene sã e salva a Caemlyn nem um pouco mais rápido.

Um som de galhos farfalhando veio do alto da árvore, e pedaços de casca caíram, seguidos por um garoto que aterrissou com leveza no chão atrás dela. Ele era uma cabeça mais alto que a garota e um pouco mais velho, mas seu rosto e os cabelos indicavam que era um parente próximo. Seu casaco e manto eram nas cores vermelho, branco e dourado, com bordados e brocados, e, para um homem, ainda mais ornamentados do que os dela. Isso aumentou a ansiedade de Rand. Somente num dia de festa qualquer homem comum se vestiria de modo parecido, e nunca com tanta grandiosidade. Aquilo não era um parque público. Talvez os Guardas estivessem ocupados demais para se importar com intrusos na área do Palácio.

O garoto estudou Rand por sobre o ombro da garota, tocando uma adaga que levava na cintura. Parecia mais um tique nervoso do que uma sugestão de que pudesse usá-la. Mas não completamente. O garoto tinha a mesma postura autoconfiante da garota, e ambos olhavam para ele como se para um enigma a ser solucionado. Ele tinha a estranha sensação de que a garota, pelo menos, estava catalogando tudo sobre ele, da condição de suas botas ao estado do seu manto.

— Se mamãe descobrir isso, não vai largar do nosso pé nunca, Elayne — disse subitamente o garoto. — Ela nos disse que ficássemos em nossos quartos, mas você tinha de dar uma olhada em Logain, não tinha? Agora olhe no que deu.

— Fique quieto, Gawyn. — Ela era obviamente a mais nova dos dois, mas falava como se achasse normal que ele a obedecesse. O rosto do garoto mostrou sua hesitação, como se ele tivesse algo mais a dizer, mas, para surpresa de Rand, ele ficou quieto. — Você está bem? — perguntou subitamente.