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Moiraine franziu a testa ao olhar a casa quando passaram. Ela ergueu as rédeas de Aldieb, e a égua branca apertou o passo.

Todos de Campo de Emond seguiam aglomerados com Loial um pouco atrás da Aes Sedai e do Guardião.

Rand balançou a cabeça. Não conseguia imaginar qualquer coisa crescendo ali, nunca. Mas também não conseguia imaginar os Caminhos. Mesmo agora que havia passado por eles, não conseguia imaginá-los.

— Acho que ela não esperava isso — disse Nynaeve baixinho, com um gesto que abarcava todas as fazendas vazias que haviam visto.

— Para onde foram todos? — perguntou Egwene. — Por quê? Não podem ter ido muito longe.

— O que faz você dizer isso? — perguntou Mat. — Pelo aspecto daquela porta de celeiro, podem ter partido no começo do inverno. — Nynaeve e Egwene olharam para ele como se ele não raciocinasse direito.

— As cortinas nas janelas — disse Egwene pacientemente. — Parecem leves demais para cortinas de inverno, mesmo daqui. Por mais frio que seja aqui, mulher nenhuma teria colocado aquelas cortinas há mais de uma semana, talvez menos. — A Sabedoria concordou com um gesto de cabeça.

— Cortinas! — Perrin riu. Ele imediatamente apagou o sorriso da cara quando as duas mulheres o olharam com as sobrancelhas arqueadas. — Ah, eu concordo com vocês. Não havia ferrugem suficiente naquela foice para ter estado mais de uma semana a céu aberto. Você devia ter visto isso, Mat. Mesmo que tenha deixado de reparar nas cortinas.

Rand olhou de esguelha para Perrin, tentando não encará-lo. Seus olhos eram mais aguçados que os de Perrin, ou tinham sido, quando costumavam caçar coelhos juntos, mas ele não havia sido capaz de ver aquela foice bem o bastante para encontrar qualquer sinal de ferrugem.

— Eu realmente não dou a mínima para onde eles foram — resmungou Mat. — Só quero encontrar algum lugar com uma lareira. E rápido.

— Mas por que eles foram embora? — perguntou Rand baixinho. A Praga não ficava longe dali. A Praga, onde estavam todos os Desvanecidos e Trollocs, os que não estavam em Andor à caça deles. A Praga, para onde eles estavam indo.

Ele aumentou o volume da voz o suficiente para ser ouvido pelos que estavam perto.

— Nynaeve, talvez você e Egwene não tenham de ir até o Olho do Mundo conosco. — As duas mulheres olharam para Rand como se ele estivesse falando bobagens, mas com a Praga tão perto ele tinha de tentar uma última vez. — Talvez seja suficiente para vocês estarem perto. Moiraine não disse que vocês tinham de ir. Nem você, Loial. Vocês podiam ficar em Fal Dara. Até voltarmos. Ou já poderiam partir para Tar Valon. Talvez um comboio de mercadores passe, ou aposto que Moiraine até mesmo alugaria um coche. Nós nos encontraremos em Tar Valon quando tudo acabar.

Ta’veren. — O suspiro de Loial era um rugido de trovão no horizonte. — Vocês fazem vidas girarem ao seu redor, Rand al’Thor, você e seus amigos. Seu destino escolhe o nosso. — O Ogier deu de ombros, e subitamente um sorriso enorme cruzou seu rosto. — Além disso, vai ser fantástico conhecer o Homem Verde. O Ancião Haman sempre fala sobre seu encontro com o Homem Verde, e meu pai também, e a maioria dos Anciões.

— Tantos? — disse Perrin. — As histórias dizem que o Homem Verde é difícil de encontrar, e ninguém consegue encontrá-lo duas vezes.

— Não duas vezes, não — concordou Loial. — Mas eu nunca o encontrei, nem vocês. Ele não parece evitar Ogier do jeito que evita vocês, humanos. Ele sabe muito sobre árvores. Até as Canções das Árvores.

— O que eu estava querendo dizer era… — Rand insistiu.

A Sabedoria o cortou.

Ela diz que Egwene e eu fazemos parte do Padrão também. Estamos todos entremeados com vocês três. Se formos acreditar nela, existe alguma coisa na maneira como essa parte do Padrão é tecida que poderia deter o Tenebroso. E receio que acredito nela; muita coisa já aconteceu para eu não acreditar. Mas se Egwene e eu formos embora, o que poderíamos mudar no Padrão?

— Eu só estava tentando…

Nynaeve o interrompeu novamente, com brusquidão.

— Eu sei o que você estava tentando fazer. — Ela o encarou até ele se mexer desconfortavelmente na sela, então o rosto dela se suavizou. — Eu sei o que você estava tentando fazer, Rand. Não gosto muito de nenhuma Aes Sedai, e desta aqui menos que todas, eu acho. Gosto menos ainda de entrar na Praga, mas se há algo de que eu gosto menos que tudo é o Pai das Mentiras. Se vocês, rapazes… vocês, homens podem fazer o que precisa ser feito quando poderiam fazer quase qualquer outra coisa, por que você acha que eu faria menos? Ou Egwene? — Ela não parecia esperar resposta. Pegando as rédeas, franziu a testa na direção da Aes Sedai à frente. — Fico me perguntando se vamos chegar a essa tal de Fal Dara em breve, ou se ela quer que passemos a noite ao ar livre aqui?

Quando ela trotou na direção de Moiraine, Mat falou:

— Ela nos chamou de homens. Parece que foi ontem que disse que deveríamos estar debaixo da saia das nossas mães, e agora ela nos chama de homens.

— Você ainda não devia ter saído de debaixo da saia da sua mãe — disse Egwene, mas Rand não achou que ela quisesse mesmo dizer aquilo. Ela aproximou Bela do alazão dele e abaixou a voz para que nenhum dos demais pudesse ouvir, embora Mat, pelo menos, tentasse. — Eu só dancei com Aram, Rand — disse baixinho, sem olhar para ele. — Você não pensaria mal de mim por dançar com alguém que nunca vou ver de novo, pensaria?

— Não — respondeu ele. O que a fez tocar nisso agora? — É claro que não. — Mas subitamente ele se lembrou de uma coisa que Min dissera em Baerlon, que parecia ter sido cem anos antes. Ela não é para você, nem você para ela; pelo menos, não do jeito que vocês dois querem.

A cidade de Fal Dara havia sido construída sobre colinas mais altas que a área ao redor. Não era nem de longe tão grande quanto Caemlyn, mas sua muralha era igualmente alta. Do lado de fora, por uma milha inteira em todas as direções, o terreno não tinha nada mais alto que a grama, e mesmo assim cortada rente. Nada poderia se aproximar sem ser visto de uma das muitas torres altas cobertas por andaimes de madeira. Enquanto as muralhas de Caemlyn tinham uma certa beleza, os construtores de Fal Dara pareciam não ter se importado se alguém acharia sua muralha bonita. A pedra cinza era lugubremente implacável, proclamando que existia com um único objetivo: proteger. Flâmulas sobre as passarelas drapejavam ao vento, dando a impressão de que o Falcão Negro de Shienar voava ao longo das muralhas.

Lan jogou para trás o capuz de seu manto e, apesar do frio, fez um gesto para que os outros fizessem o mesmo. Moiraine já tinha abaixado o dela.

— É a lei em Shienar — disse o Guardião. — Em todas as Terras da Fronteira. Ninguém pode esconder o rosto dentro das muralhas de uma cidade.

— São todos bonitos assim? — Mat riu.

— Um Meio-homem não pode se esconder com o rosto exposto — disse o Guardião categoricamente.

O sorriso de Rand fugiu de seu rosto. Mat tirou o capuz rapidamente.

Os portões estavam abertos, altos e revestidos de ferro escuro, mas uma dúzia de homens com armaduras montava guarda com casacos amarelo-ouro exibindo o Falcão Negro. O punho de espadas longas em suas costas despontava acima dos ombros, e em cada cintura pendia uma espada larga, maça ou machado. Seus cavalos estavam presos por perto, tornados grotescos por placas de aço que cobriam peito, pescoço e cabeça, com lanças perto dos estribos, todos prontos para serem montados num instante. Os guardas não fizeram qualquer gesto para impedir Lan, Moiraine e os outros. Na verdade, eles acenaram e gritaram, alegres.