Выбрать главу

Mat pigarreou, depois resmungou:

— E o meu pai? O que foi que ele disse?

— Ele tem medo de que você tente seus truques com estrangeiros e acabe apanhando. Parecia ter mais medo disso do que da… Senhora Alys aqui. Mas, também, ele nunca foi muito mais inteligente do que você.

Mat pareceu não saber ao certo como assimilar o que ela dissera, nem como responder, nem sequer se deveria responder.

— Eu espero — Perrin começou, hesitante —, quero dizer, suponho que Mestre Luhhan não tenha ficado muito satisfeito com minha partida também.

— Você esperava que ele ficasse? — Nynaeve sacudiu a cabeça em sinal de desgosto e olhou para Egwene. — Talvez eu não deva ficar surpresa com essa idiotice vinda de vocês três, mas pensei que outros tivessem mais discernimento.

Egwene se recostou de modo a ficar protegida por Perrin.

— Eu deixei um bilhete — disse ela baixinho. Puxou o capuz do manto como se tivesse medo de que os cabelos soltos aparecessem. — Expliquei tudo. — O rosto de Nynaeve ficou mais severo.

Rand suspirou. A Sabedoria estava a ponto de dar um de seus famosos açoites verbais, e tinha todo o jeito de ser um de primeira. Se ela firmasse sua posição no calor da raiva, se dissesse que pretendia levá-los de volta a Campo de Emond não importasse o que qualquer pessoa falasse, por exemplo, seria quase impossível demovê-la. Ele abriu a boca.

— Um bilhete! — começou Nynaeve, no instante em que Moiraine disse:

— Nós duas ainda precisamos conversar, Sabedoria.

Se Rand pudesse ter se contido, ele o teria feito, mas as palavras saíram como se ele tivesse aberto uma comporta em vez da boca.

— Tudo isso está muito bom, mas não muda nada. Não podemos voltar. Precisamos prosseguir. — Ele falou mais devagar ao chegar ao fim, e sua voz foi afundando até terminar num sussurro, com a Sabedoria e a Aes Sedai olhando ao mesmo tempo para ele. Era o tipo de olhar que ele recebia se encontrasse com mulheres falando sobre assuntos do Círculo das Mulheres, o tipo que dizia que ele havia se metido onde não lhe dizia respeito. Recostou-se, desejando estar em outro lugar.

— Sabedoria — disse Moiraine —, você precisa crer que eles estão mais seguros comigo do que estariam nos Dois Rios.

— Mais seguros! — Nynaeve jogou a cabeça de lado em sinal de desprezo. — Foi você quem os trouxe até aqui, onde os Mantos-brancos estão. Os mesmos Mantos-brancos que, se o menestrel estiver dizendo a verdade, podem feri-los por sua causa. Diga-me como eles estão mais seguros, Aes Sedai.

— Há muitos perigos dos quais não posso protegê-los — concordou Moiraine. — Assim como você não pode protegê-los de serem atingidos por um raio se eles voltarem para casa. Mas não é de raios que eles devem ter medo, e nem mesmo dos Mantos-brancos. É do Tenebroso, e dos asseclas do Tenebroso. Dessas coisas eu posso protegê-los. Tocar a Fonte Verdadeira, tocar saidar, me confere essa proteção, assim como a todas Aes Sedai. — A boca de Nynaeve se contraiu, cética. A de Moiraine também, com raiva, mas ela seguiu em frente, a voz dura, no limite da paciência. — Mesmo aqueles coitados que se veem usando o Poder por um curto período adquirem isso, embora algumas vezes tocar saidin proteja e noutras a mancha os torne mais vulneráveis. Mas eu, ou qualquer Aes Sedai, posso estender minha proteção a quem estiver próximo de mim. Nenhum Desvanecido pode machucá-los enquanto estiverem perto de mim, como estão agora. Nenhum Trolloc pode chegar a um quarto de milha sem que Lan perceba, sem que ele sinta o mal deles. Você pode oferecer metade disso se eles voltarem a Campo de Emond com você?

— Falácia — disse Nynaeve. — Temos um ditado nos Dois Rios que diz: “Quer o urso derrote o lobo ou o lobo derrote o urso, o coelho sempre sai perdendo.” Leve suas disputas para outro lugar e deixe a gente de Campo de Emond fora disso.

— Egwene — disse Moiraine, depois de um momento —, leve os outros e deixe a Sabedoria sozinha comigo um pouco. — O rosto dela estava impassível; Nynaeve endireitou-se à mesa, como se se preparasse para uma luta corpo a corpo.

Egwene levantou-se de um pulo, o desejo de agir com dignidade obviamente em conflito com seu desejo de evitar um confronto com a Sabedoria por causa de seus cabelos sem trança. Mas não teve dificuldade para reunir todos só com o olhar. Mat e Perrin afastaram suas cadeiras apressadamente, fazendo murmúrios educados enquanto o que tentavam realmente era não sair correndo para a porta. Até mesmo Lan se dirigiu para lá a um sinal de Moiraine, levando Thom consigo.

Rand os seguiu, e o Guardião fechou a porta, montando guarda do outro lado do corredor. Sob os olhos de Lan os outros percorreram uma curta distância no corredor; não lhes seria permitida sequer a menor chance de escutar. Quando haviam se afastado o suficiente do seu ponto de vista, Lan se recostou na parede. Mesmo sem o manto de cores mutantes, estava tão imóvel que seria fácil não reparar na sua presença até quase esbarrar nele.

O menestrel resmungou alguma coisa sobre ter mais o que fazer com seu tempo e saiu com um duro “Lembrem-se do que eu disse” para os rapazes. Ninguém mais parecia inclinado a sair.

— O que ele quis dizer com isso? — perguntou Egwene distraída, os olhos na porta que escondia Moiraine e Nynaeve. Ela não parava de mexer no cabelo, como se dividida entre continuar a esconder o fato de que ele não estava mais trançado e descer o capuz do manto.

— Ele nos deu alguns conselhos — disse Mat.

Perrin lançou-lhe um olhar duro.

— Ele disse para não abrirmos a boca até termos certeza do que íamos dizer.

— Isso me parece um bom conselho — disse Egwene, mas obviamente seu interesse não era genuíno.

Rand estava mergulhado em seus próprios pensamentos. Como Nynaeve poderia fazer parte daquilo? Como qualquer um deles poderia estar envolvido com Trollocs e Desvanecidos, e Ba’alzamon aparecendo nos sonhos deles? Era loucura. Ele se perguntou se Min havia contado a Moiraine a respeito de Nynaeve. O que elas estão falando ali dentro?

Não fazia ideia de quanto tempo ficara ali em pé parado quando a porta finalmente se abriu. Nynaeve saiu e levou um susto quando viu Lan. O Guardião murmurou algo que a fez virar a cabeça com raiva, então passou por ela e entrou na sala de onde ela saíra.

Nynaeve se virou na direção de Rand, e pela primeira vez ele percebeu que os outros haviam desaparecido silenciosamente. Ele não queria encarar a Sabedoria sozinho, mas não podia sair no momento que seus olhos se encontravam. Olhos particularmente perscrutadores, pensou ele, intrigado. O que foi que elas disseram? Ele se endireitou quando ela se aproximou.

Ela indicou a espada de Tam.

— Ela parece se adequar a você agora, embora eu achasse melhor que não fosse assim. Você cresceu, Rand.

— Em uma semana? — Ele riu, mas o riso pareceu forçado, e ela balançou a cabeça como se ele não compreendesse. — Ela convenceu você? — perguntou ele. — É realmente o único jeito. — Fez uma pausa, pensando nas fagulhas de Min. — Você vem conosco?

Nynaeve arregalou bem os olhos.

— Ir com vocês? Por que eu faria isso? Mavra Mallen veio de Trilha de Deven para cuidar das coisas até eu retornar, mas vai querer voltar para casa assim que puder. Ainda espero fazer com que vocês vejam a razão e voltem comigo.

— Não podemos. — Ele achou ter visto alguma coisa se mover na porta ainda aberta, mas estavam sozinhos no corredor.