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- Estou a contar precisamente com isso.

Os dois homens avançaram em direcção aos guardas, movendo -se entre a fila de trabalhadores que saíam e a dos que chegavam, os quais trocavam frases sarcásticas.

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- Vocês vão-se esfolar a trabalhar, enquanto nós dormimos por causa do mis…

- Como conseguiram mandar vir o mia, felizardos?

- Deus ouviu-nos, mas vocês escusam de contar com Ele. Jamie e Banda alcançaram o portão, onde se encontravam dois corpulentos guardas armados, que canalizavam os trabalhadores regressados do campo para um pequeno barracão, a fim de serem revistados.

Jamie segurou com mais força a camisa que tinha na mão, abriu caminho por entre a fila de trabalhadores e dirigiu-se a um dos guardas:

- Quem devemos procurar para obter trabalho?

- Que fazem aqui dentro? - rugiu o interpelado, enquanto Banda se esforçava por não deixar transparecer o assombro.

- Viemos procurar trabalho. Ouvi dizer que havia uma vaga para guarda e o meu criado pode escavar. Portanto…

- Toca a andar daqui para fora! - vociferou o guarda.

- Mas precisamos trabalhar, e garantiram-me… - volveu Jamie.

- Não leu a tabuleta em que se proíbe a entrada? Desapareçam! - e o homem apontou para um carro de bois que começava a encher-se de trabalhadores: - Dirijam-se a Port Nolloth. Se querem trabalho, têm de se inscrever nos escritórios da companhia.

- Está bem - aquiesceu Jamie, com um encolher de ombros de resignação.

E, com um sinal a Banda, transpôs a saída em direcção ao carro.

- Patetas - resmungou o guarda, meneando a cabeça.

Dez minutos depois, Jamie e Banda achavam-se a caminho de Port Nolloth, levando diamantes cujo valor não era inferior a meio milhão de libras.

Capítulo sexto A dispendiosa carruagem percorria a poeirenta artéria principal de Klipdrift, puxada por dois belos cavalos baios. Segurava as rédeas um homem de porte atlético, cabelos, barba e

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bigode brancos como a neve, trajado com a máxima elegância. Usava chapéu alto cinzento e no dedo mindinho exibia um anel c om um brilhante reluzente. Parecia um forasteiro, mas não era.

Klipdrift mudara consideravelmente desde que Jamie McGregor partira, havia um ano. Decorria o ano de 1884 e transformara-se de um vasto acampamento numa pequena cidade. O caminho -de-ferro fora completado da Cidade do Cabo até Hopetown, com um ramal que servia Klipdrift, o que criara uma nova vaga de imigrantes. A localidade apresentava -se ainda mais povoada do que Jamie a recordava, mas os habitantes pareciam diferentes. Continuava a haver muitos pesquisadores, mas também se viam homens de trajos irrepreensíveis e mulheres elegantes entrando e saindo de lojas. Tudo indicava que Klipdrift adquirira uma patina de respeitabilidade.

Jamie passou diante de três novas salas de baile e meia dúzia de saloons de criação recente. Depois de deixar para trás a igreja, uma barbearia de luxo e um hotel sumptuoso chamado Grand, deteve a carruagem à entrada de um banco, apeou-se e confiou as rédeas a um garoto nativo.

- Dá-lhes de beber - e, em seguida, entrou, anunciando ao gerente em voz alta: - Quero depositar cem mil libras.

O facto difundiu-se com prontidão, como Jamie calculava, e quando abandonou o banco e entrou no saloon Sundowner era o fulcro da curiosidade geral. O interior do estabelecimento não se alterara. Encontrava-se repleto de gente, e olhos curiosos acompanharam-no quando se encaminhava para o bar.

- Que deseja tomar? - perguntou Smit, com uma inclinação de cabeça de deferência.

- Uísque - informou Jamie, satisfeito por verificar que o bartender não o reconhecia. - O melhor que tiver.

- Sim, senhor - e Smit apressou-se a comprazê -lo. - Acaba de chegar à cidade?

- Exacto.

- De passagem?

- Não. Constou-me que era propícia para efectuar investimentos.

- Não encontra melhor - e o olhar do homem

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i luminou-se. - Uma pessoa com cem… com dinheiro pode safar-se muito satisfatoriamente. Talvez até lhe seja útil, se aceitar as minhas recomendações.

- Sim? Como?

- Conheço o homem que governa praticamente a cidade - inclinou-se para a frente e assumiu uma expressão conspiratória. - É presidente do Conselho da cidade e director da Comissão de Cidadãos. Chama-se Salomon van der Merwe.

- Não sei quem seja - declarou Jamie, depois de levar o copo aos lábios.

- É dono do armazém de artigos gerais do outro lado da rua. Pode indicar-lhe alguns investimentos vantajosos. Penso que não perdia nada em o procurar.

Voltou a servir-se do copo e indicou em voz átona:

- Mande-o chamar.

- Sim, senhor - assentiu o bartender, abarcando o anel e o alfinete de brilhantes na gravata do interlocutor. - Posso revelar-lhe o seu nome? - lan Travis.

- Muito bem, Mister Travis. Estou certo de que Mister Van der Merwe desejará conhecê-lo - e tornou a encher o copo. - Entretenha-se com isto, enquanto aguarda. Oferta da casa.

Jamie conservou-se sentado num dos bancos do balcão, consciente de que todos o observavam. Muitos homens tinham partido de Klipdrift ricos, mas nenhum tão obviamente abastado chegara até então. Tratava-se de uma experiência nova.

Transcorridos quinze minutos, Smit reaparecia, acompanhado por Salomon van der Merwe, o qual avançou de mão estendida para o desconhecido de barba e cabelos brancos.

- Tenho muito gosto em conhecê-lo, Mister Travis. Jamie estreitou-a, ao mesmo tempo que tentava detectar um indício de reconhecimento, que não se verificou. No fundo, não estava surpreendido, pois não restava coisa alguma do rapaz de dezoito anos ingénuo e idealista.

O bartender conduziu os dois homens para uma mesa isolada e, mal se sentaram, Van der Merwe proferiu:

- Segundo entendi, tenciona efectuar investimentos em Klipdrift, Mister Travis.

- É possível.

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- Talvez lhe possa ser útil. É preciso muita cautela, pois anda por aí gente sem escrúpulos.

- Não duvido - aquiesceu Jamie, olhando o holandês com firmeza.

Afigurava-se-lhe irreal estar ali sentado, trocando impressões amenas com o homem que lhe roubara uma fortuna e depois tentara assassiná -lo. O ódio que Van der Merwe lhe inspirava consumira-o ao longo de um ano e a sede de vingança fora a única coisa que o mantivera vivo. Agora, o alvo das suas diligências encontrava-se na iminência de sentir os efeitos dessa vingança.

- Se me permite a indiscrição, Mister Travis, quanto pensa investir?

- Aí umas cem mil libras, para principiar - informou Jamie, com desprendimento, ao mesmo tempo que via Van der Merwe humedecer os lábios. - Mais tarde, talvez umas trezentas ou quatrocentas mil.

- É natural que consiga investimentos muito satisfatórios, com essas quantias.

Desde que obedeça a uma orientação apropriada - apressou-se o holandês a acrescentar. - Tem alguma ideia daquilo que prefere?

- Primeiro, gostava de lançar uma olhadela às oportunidades existentes.

- É uma atitude prudente. Se aceitar o convite para jantar comigo esta noite, poderemos discutir o assunto mais a fundo. Minha filha cozinha uns petiscos deliciosos.

- Com o maior prazer - acedeu Jamie, com um sorriso, enquanto reflectia: “Nem fazes uma ideia do prazer que vou sentir!”

A “operação vingança” principiara.

A viagem do campo de diamantes da Namíbia para a Cidade do Cabo decorrera sem problemas. Jamie e Banda tinham feito escala por uma pequena povoação do interior, onde um médico tratou o braço do primeiro, e daí prosseguiram até à Cidade do Cabo. O trajecto caracterizou-se pelo desconforto, mas a euforia que dominava os dois homens permitiu-lhes ignorá-lo. No final da viagem, Jamie instalou-se no luxuoso Royal Hotel de Plein Street (“preferido por sua excelência o duque de Edimburgo”), onde lhe concederam a suite real.

- Mande chamar o melhor barbeiro da cidade - indicou

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ao recepcionista. - Depois, preciso de um alfaiate e um sapateiro.