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Tudo se harmonizaria. Passariam a viver juntos os três.

No instante em que ele apareceu, Margaret voltou a experimentar o acesso de emoção familiar. “Amo-o tanto, meu Deus!” - Olá, Maggie.

- Olá, Jamie - murmurou, com um sorriso radioso de felicidade.

- Quero o meu filho.

- É natural - articulou, sentindo o coração cantar de alegria. - Nunca duvidei disso.

- Providenciarei para que receba uma educação esmerada. Desfrutará de todas as vantagens que lhe posso proporcionar, e, naturalmente, tomarei as medidas necessárias para que não te falte nada.

- Não… não compreendo - balbuciou, perplexa.

- Disse que quero o meu filho.

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- Pensei… isto é… que tu e eu…

- Não. Só me interessa a criança.

- Muito bem - acudiu-lhe cólera repentina. - Não permitirei que mo roubes.

Jamie contemplou-a em silêncio por um momento e tomou uma resolução.

- Nesse caso, optaremos por uma situação de compromisso. Podes ficar aqui com Jamie. Serás a sua… preceptora - apercebendo-se da expressão irredutível da interlocutora, inquiriu: - Que pretendes, afinal?

- Que o meu filho tenha um nome - declarou Margaret, em tom de desafio. - O nome do pai.

- De acordo. Adopto-o.

- Adoptas o meu bebé? De modo algum. Não contes com isso. Fazes-me pena. O grande Jamie McGregor, com todo o seu dinheiro e poder, no fundo não tem nada.

És merecedor de compaixão.

Ele ficou como que petrificado, enquanto a rapariga rodava nos calcanhares e abandonava a moradia, com o filho nos braços.

Na manhã seguinte, Margaret iniciou os preparativos para partir rumo à América.

- A fuga não resolve nada - observou Mrs. Owens.

- Não fujo. Limito-me a seguir para um lugar onde eu e o meu filho possamos iniciar vida nova.

Margaret decidira que não podia sujeitar-se e ao bebé à humilhação que Jamie McGregor lhes oferecia.

- Quando tencionas partir?

- O mais depressa possível. Tomaremos a diligência de Worcester e depois o comboio para a Cidade do Cabo. Economizei dinheiro suficiente para ir até Nova Iorque.

- É uma viagem longa.

- A distância não me assusta. Não chamam à América a terra das grandes oportunidades? É precisamente do que necessitamos.

Jamie sempre se orgulhara de permanecer calmo nas situações difíceis, mas agora gritava com todos. O escritório da firma constituía um fulcro de rugidos quase permanentes. Nada do que o pessoal fazia lhe agradava. Vociferava e

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protestava contra tudo, incapaz de se dominar. A breve conversa com Margaret não lhe abandonava o pensamento. “Maldita mulher!” Era de prever que tentaria forçá-lo a desposá-la. Revelava-se ardilosa como o pai. Ele não procedera como a situação exigia. Dissera que tomaria as medidas necessárias para que não lhe faltasse nada, mas não especificara. Devia ter-lhe oferecido dinheiro. Mil libras… dez mil… mais, se fosse caso disso.

Por fim, mandou chamar David Blackwell e informou:

- Vou confiar-lhe uma missão delicada.

- Perfeitamente.

- Quero que procure Miss Van der Merwe e lhe ofereça vinte mil libras em meu nome. Ela saberá o que pretendo em troca - Jamie preencheu um cheque, pois há muito que aprendera a vantagem de negociar com dinheiro à vista. - Entregue -lhe isto.

- Muito bem.

O rapaz regressou transcorridos quinze minutos e restituiu o cheque ao patrão, agora rasgado em dois.

- Obrigado, David - proferiu Jamie, sentindo um calor desagradável nas faces.

Era óbvio que Margaret desejava mais dinheiro. Pois bem, dar-lho-ia. No entanto, desta vez ele próprio se ocuparia do assunto.

Naquela tarde, dirigiu-se à pensão de Mrs. Owens e anunciou:

- Quero falar com Miss Van der Merwe.

- Não é possível. Vai a caminho da América.

- Que me diz? - sentiu uma impressão pungente, como se acabassem de o socar no estômago. - Quando partiu?

- Hoje ao meio-dia, na diligência de Worcester, com o filho.

O comboio na estação de Worcester achava-se superlotado, com os assentos e corredores repletos de passageiros ruidosos que se destinavam à Cidade do Cabo. Havia comerciantes com as esposas, caixeiros-viajantes, pesquisadores, cafres, soldados e marinheiros que regressavam às suas unidades após períodos de licença. Muitos viajavam de comboio pela primeira vez, o que constituía mais um motivo para exteriorizarem a euforia. Margaret conseguira obter lugar junto de

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uma janela, onde o pequeno Jamie não corria o perigo de ser esmagado pela multidão. Sabia que teria de enfrentar privações e mesmo perigos antes de obter uma situação estável. Onde quer que se instalasse, seria uma mãe solteira, um ultraje à sociedade. Apesar disso, encontraria um meio de assegurar uma vida decente ao filho. Por fim, ouviu o empregado da estação anunciar a partida e, quase no mesmo instante, ergueu os olhos e deparou-se-lhe Jamie no compartimento.

- Qual é a tua bagagem? - perguntou em tom peremptório. - Vais desembarcar imediatamente.

“Continua convencido de que me pode comprar…”, reflectiu ela, que redarguiu:

- Quanto me ofereces, desta vez?

Ele contemplou o filho, que dormia tranquilamente nos braços da mãe, e articulou com serenidade:

- Ofereço-te o casamento.

Capítulo nono Casaram três dias depois, numa cerimónia rápida e íntima, tendo David Blackwell como única testemunha.

Durante a execução das formalidades, Jamie McGregor sentia-se dominado por emoções estranhas. Habituara-se a dominar e manipular os outros, mas desta vez o manipulado fora ele. Lançou um olhar fugaz a Margaret, a seu lado, quase bela, e recordou a sua paixão e abandono. No entanto, tratava-se apenas de um facto do passado, nada mais, sem ardor nem emoção. Ele utilizara-a como um instrumento de vingança e ela proporcionara-lhe um herdeiro.

Por último, o sacerdote proferiu:

- Declaro-os marido e mulher - voltou-se para Jamie. - Pode beijar a noiva.

Ele inclinou-se e pousou levemente os lábios na face de Margaret, após o que murmurou:

- Vamos para casa.

Uma vez na moradia, conduziu-a a um quarto de uma das alas e explicou:

- Os teus aposentos.

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- Compreendo.

- Admitirei outra governanta e Mistress Talley ocupar-se-á de Jamie. Se necessitares de alguma coisa, entende-te com David Blackwell.

Ela vacilou ligeiramente, como se acabasse de ser esbofeteada. Tratava -a como uma criada. Todavia, isso carecia de importância. “Meu filho tem um nome. Não ambiciono nada mais.”

Jamie não jantou em casa. Margaret esperou demoradamente, até que se sentou à mesa, só. Naquela noite, conservou-se acordada na cama, consciente de todos os sons, até que, às quatro da madrugada, acabou por adormecer. O seu último pensamento consistiu em especular acerca de qual das pequenas de Madame Agnes teria sido preferida por Jamie.

Se as relações dela com o marido não se alteraram após o casamento, a atitude dos habitantes de Klipdrift sofreu uma transformação radical. De um dia para o outro, Margaret passou de pária a árbitro social. A maioria da população dependia, de uma maneira ou de outra, de Jamie McGregor e da Kruger-Brent, Ltd. Por conseguinte, foi decidido por unanimidade que, se ele aceitara Margaret van der Merwe, o exemplo devia ser seguido. Agora, cada vez que ela levava o filho a passear, deparavam-se-lhe sorrisos e saudações cordiais. Por outro lado, os convites afluíam com abundância - para participar em reuniões de beneficiência e incorporar-se em comissões cívicas. Quando mudava de penteado, dezenas de mulheres se apressavam a imitá -la. Se comprava um vestido amarelo, essa cor adquiria preferência geral imediata. Ela, porém, encarava as adulações do mesmo modo que resistira à hostilidade: com dignidade.

Jamie aparecia em casa unicamente para passar o tempo com o filho, enquanto a sua atitude para com Margaret se mantinha distante e polida. Todas as manhãs, ao pequeno-al-moço, ela desempenhava as funções de esposa feliz perante o pessoal doméstico, apesar da indiferença glacial do homem sentado à sua frente.