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Jamie completara sete anos e tornara-se um rapaz bem-parecido, de espírito vivo e sentido de humor. Entretanto, aproximara-se mais da mãe, como se pressentisse a infelicidade que a assolava. Preparava pequenos presentes para ela na escola e oferecia-lhos, enquanto Margaret sorria com gratidão, tentando emergir da depressão. Quando o filho perguntava o motivo pelo qual o pai passava as noites fora de casa e nunca a convidava para sair, limitava-se a responder:

- Teu pai é um homem muito importante. Está sempre muito ocupado.

“As nossas relações são um problema apenas meu e não permitirei que Jamie o odeie por isso.”

A gravidez tornava -se cada vez mais visível e, quando Margaret saía, pessoas conhecidas abordavam-na e observavam:

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- Já não falta muito, Mistress McGregor. Aposto que será outro belo rapaz como o Jamie. Seu marido deve sentir-se muito contente.

Todavia, nas suas costas, comentavam:

- Coitada. Está com um aspecto doentio. Deve ter descoberto que ele mobilou um apartamento para a amante.

Por seu turno, ela tentava preparar o filho para o acontecimento.

- Vais ter um irmão ou irmã para brincar. Não te parece estupendo?

- E tu mais alguém para te fazer companhia - replicou o garoto, abraçando-a.

Margaret teve de desenvolver esforços para dominar as lágrimas.

As dores de parto principiaram às quatro da madrugada. Mrs. Talley apressou-se a mandar chamar Hannah e a criança nasceu ao meio-dia. Era uma rapariga saudável, com a boca da mãe e o queixo do pai, num rosto avermelhado encimado por cabelos pretos anelados. Margaret decidiu chamar-lhe Kate, reflectindo: “É um nome vigoroso e ela vai precisar de energias. Tenho de levar os meus filhos daqui. Ainda não sei como, mas hei-de descobrir um meio.”

David Blackwell irrompeu no gabinete de Jamie McGregor sem bater e este ergueu os olhos, surpreendido.

- Que se passa?

- Há tumultos na Namíbia!

- O quê? - levantou-se com brusquidão. - Que aconteceu?

- Um dos rapazes negros foi surpreendido quando tentava roubar um diamante.

Produziu uma incisão no sovaco e ocultou-o lá. Para lhe dar uma lição, Zimmerman mandou-o chicotear diante dos outros operários. Por fim, o rapaz morreu. Tinha doze anos.

- Santo Deus! - a expressão de Jamie era de cólera intensa. - Determinei que fosse suspenso o emprego do chicote em todas as minas.

- Eu próprio adverti Zimmerman.

- Despeça esse bastardo.

- Não conseguimos localizá -lo.

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- Porquê?

- Foi levado pelos negros. A situação está fora do nosso domínio.

- Fique aqui e oriente os assuntos correntes até ao meu regresso - indicou, pegando no chapéu.

- Não me parece prudente visitar o local, Mister McGregor. O nativo que Zimmerman matou era da tribo Baralong. Os seus membros não perdoam nem esquecem. Eu podia…

Todavia, Jamie já se afastava.

Quando se encontrava a quinze quilómetros do campo de diamantes, Jamie McGregor avistou o fumo. Todas as cabanas da Namíbia tinham sido incendiadas.

“Os imprudentes! Destroem as suas próprias casas!” À medida que a carruagem se acercava, chegou-lhe aos ouvidos o som de detonações e gritos. Por entre a confusão geral, agentes da autoridade alvejavam os indivíduos de cor que tentavam desesperadamente pôr-se em fuga. Os brancos estavam numa minoria de um para dez, mas possuíam armas de fogo.

Quando o chefe da Polícia, Bernard Sothey, avistou Jamie, acudiu ao seu encontro e asseverou:

- Não se preocupe, Mister McGregor. Havemos de exterminar todos esses bastardos.

- De modo algum! Ordene aos seus homens que suspendam o tiroteio.

- O quê? Se…

- Faça o que lhe digo! - rugiu Jamie, vendo, com profunda consternação, uma negra tombar sob uma chuva de balas. - Mande suspender o fogo!

- Muito bem.

O homem transmitiu as indicações necessárias a um graduado e, em poucos minutos, os estampidos extinguiram-se por completo; mas já havia corpos estendidos por todos os lados.

- Se quer ouvir a minha opinião… - começou.

- Não estou interessado. Vá buscar o chefe deles.

Dois polícias levaram à sua presença um jovem negro algemado e coberto de sangue, mas sem vestígios de medo, o qual se postou diante de Jamie, alto e empertigado, de olhos flamejantes, e este recordou-se do termo que Banda empregara para se referir ao orgulho no dialecto banto: isiko.

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- Sou Jamie McGregor - fez uma pausa, mas o outro limitou-se a cuspir no chão. - O que acaba de acontecer não foi da minha responsabilidade, mas quero compensá-los dos prejuízos.

- Diga isso às viúvas deles!

- Onde está Zimmerman? - inquiriu, virando-se para Sothey.

- Ainda não o descobrimos.

Jamie apercebeu-se do clarão no olhar do negro e compreendeu que o capataz não seria encontrado.

- Vou fechar o campo de diamantes por três dias - comunicou ao homem na sua frente. Conversa com os teus companheiros, elabora uma lista das suas reivindicações e analisá-la-ei atentamente. Prometo agir com a maior imparcialidade. Alterarei tudo o que não estiver certo - fez nova pausa, enquanto o outro o olhava com uma expressão de cepticismo. - Nomearei um novo capataz e mandarei estabelecer condições de trabalho decentes. No entanto, espero que os teus homens retomem a actividade dentro de três dias.

- Quer dizer que o deixa partir em liberdade? - exclamou o chefe da Polícia. - Matou alguns dos meus subordinados.

- Haverá um inquérito rigoroso e…

Jamie foi interrompido pelo ruído de um cavalo a galope, montado por David Blackwell, cuja expressão angustiada lhe provocou um pressentimento de alarme.

- Seu filho desapareceu, mister McGregor!

O mundo pareceu tornar-se subitamente gelado.

Metade da população de Klipdrift prontificou-se a participar nas pesquisas, explorando os arrabaldes, ravinas e bosques, mas não havia o mínimo indício do garoto.

Jamie parecia um alucinado, enquanto reflectia: “Afastou-se demasiado de casa e perdeu-se. Estou certo de que não tardará a aparecer…”

Entrou no quarto de Margaret, que se encontrava deitada, com o bebé nos braços, a qual perguntou:

- Há alguma novidade?

- Não, mas hei-de encontrá-lo.

Ele fixou o olhar na filha por um momento e retirou-se em silêncio.

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Mrs. Talley surgiu pouco depois, torcendo as mãos com desespero.

- Não se apoquente, Mistress McGregor. Jamie já é crescido e sabe cuidar de si - inclinou-se para a frente e retirou Kate dos braços da mãe. - Tente dormir um pouco.

Levou-a para o quarto em que se encontrava o berço, aconchegou a roupa e afastou-se.

À meia-noite, a janela foi aberta silenciosamente para dar passagem a um homem, que se aproximou do berço, envolveu a criança num cobertor e ergueu-a nos braços.

Em seguida, Banda retirou-se tão discretamente como surgira.

Foi Mrs. Talley quem descobriu que Kate desaparecera, e começou por pensar que Mrs. McGregor a fora buscar durante a noite. Por conseguinte, dirigiu-se ao quarto desta última e perguntou:

- Onde está o bebé?

A expressão do rosto de Margaret indicou-lhe instantaneamente o que acontecera.

Quando passou mais um dia sem vestígios do filho, Jamie sentiu-se na iminência de um colapso. Por fim, procurou David Blackwell e murmurou em voz trémula:

- Acha que lhe terá acontecido alguma coisa?

- Não sei, Mistress McGregor - foi a resposta, num tom que tentava revelar-se convincente.

No entanto, sabia. Prevenira o patrão de que os bantos nunca esqueciam nem perdoavam, e um indivíduo daquela casta fora cruelmente assassinado. De uma coisa não tinha a mínima dúvida: se eles tinham levado o pequeno Jamie, este sofrera uma morte horrível, pois costumavam vingar-se ao mesmo nível do mal sofrido.

Jamie regressou a casa ao amanhecer, esgotado. Chefiara uma equipa de busca composta por habitantes da cidade, pesquisadores e polícias e haviam passado a noite à procura do garoto em todos os lugares concebíveis.