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Edward Broderick achava -se acompanhado de dois homens, que se apressou a apresentar:

- O doutor Crawford e Mister Kaufman. Trocaram apertos de mão e David perguntou:

- Tiveram oportunidade de examinar os documentos?

- Sem dúvida - aquiesceu o dr. Crawford. - Não descurámos um pormenor.

- E?…

- Diz Mister Broderick que foi concedida a patente pelo departamento competente dos Estados Unidos.

- É verdade.

- Pois bem, Mister Blackwcll. Quem a obteve acumulará uma fortuna apreciável em pouco tempo. É como todas as grandes invenções. Tão simples que admira que ninguém se lembrasse disso antes.

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David inclinava a cabeça com lentidão, assolado por emoções em conflito.

No fundo, não sabia como reagir, pois, em parte, desejara que a decisão lhe fosse retirada das mãos. Se o invento de Tim O'Neil carecesse de valor, subsistiria uma possibilidade de convencer Josephine a ficar na África do Sul. Todavia, o que o pai dela afirmara correspondia à verdade. Assim, a decisão competia unicamente a David.

Não pensou noutra coisa durante a viagem de regresso a Klipdrift. Se aceitasse a oferta, teria de abandonar a companhia e iniciar vida nova. Por outro lado, apesar de americano por nascimento, os Estados Unidos constituíam um país estranho para ele. Desempenhava um cargo importante numa das firmas mais poderosas do mundo, gostava do trabalho que executava, Jamie e Margaret haviam-no tratado como pais e, além disso, não podia esquecer Kate. Preocupara-se com ela desde que nascera. Vira-a desenvolver-se de uma garota arra-pazada até uma jovem atraente. Na realidade, a vida da rapariga era um álbum fotográfico no seu espírito. Voltando as páginas, evocara -a aos quatro anos, aos oito, aos dez, aos catorze, aos vinte e um, vulnerável e imprevisível.

Quando o comboio se imobilizou na estação de Klipdrift, David tomara uma resolução. Abandonaria a Kruger-Brent, Ltd.

Seguiu directamente para o Grand Hotel e subiu à suite dos O'Neil, cuja porta foi aberta por Josephine.

- David!

Ele tomou-a nos braços e beijou-a com voracidade, sentindo a pressão do seu corpo ávido.

- Tive tantas saudades tuas! - murmurou ela. - Não quero voltar a separar-me de ti.

- Não haverá mais separações - afirmou David, pausadamente. - Vou para São Francisco.

Aguardou com ansiedade crescente que Kate regressasse dos Estados Unidos.

Agora que tomara a decisão, estava impaciente por enveredar pela nova vida e casar com Josephine.

Por fim, a rapariga surgira e ele anunciara-lhe:

- Vou casar.

Kate ouviu as palavras através de um rugido surdo.

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Parecia-lhe subitamente que desmaiaria, e pousou a mão no tampo da secretária para se apoiar. “Quero morrer. Deixa -me morrer já, meu Deus!”

Não obstante, reunindo energias que julgava dissipadas, conseguiu esboçar um sorriso e dizer:

- Fala-me dela - orgulhava-se da firmeza da voz. - Quem é?

- Chama-se Josephine O'Neil e encontra-se de visita ao país, com o pai. Tenho a certeza de que serão boas amigas. É uma mulher extraordinária.

- Deve ser, para que a ames.

- Há outra coisa - e David hesitou. - Vou sair da companhia.

- O facto de casares nã o significa… - começou ela, sentindo o mundo desmoronarse à sua volta.

- Não se trata disso. O pai de Josephine vai iniciar uma nova actividade em São Francisco e necessita de mim.

- Ah… vais viver para São Francisco.

- Exacto. Brad Rogers pode ocupar o meu lugar sem dificuldade e formaremos um grupo de gestão para o auxiliar. Não tenho palavras para exprimir o pesar que esta decisão me provoca.

- Compreendo perfeitamente. Deves… deves amá-la muito. Quando ma apresentas?

Ele sorriu ao verificar que a notícia era aceite sem problemas.

- Esta noite, se estiveres disponível para jantar connosco. Kate conseguiu conter as lágrimas até que se encontrou só.

Jantaram os quatro na mansão McGregor. No instante em que viu Josephine, Kate empalideceu de desolação: “Não admira que ele a ame o suficiente para a desposar!” Na verdade, a americana era positivamente deslumbrante. O simples facto de se achar na sua presença fazia que ela se sentisse embaraçada e hedionda. E, para agravar a situação, Josephine mostrava-se graciosa e cordial, além de que amava obviamente David. “Raios para tudo isto!”

Durante a refeição, Tim O'Neil elucidou Kate sobre a nova firma, e, no final, ela admitiu:

- Parece um projecto interessante.

- Sem, todavia, atingir a envergadura da Kruger-Brent, Limited, Miss McGregor.

Principiaremos do zero, mas, com

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David à testa das operações, havemos de prosperar rapidamente.

- Sim, estando ele à frente de tudo, o êxito é garantido. O serão desenrolou-se numa atmosfera angustiante para Kate. No mesmo momento cataclísmico, perdia o homem que amava e a única pessoa indispensável para Kruger-Brent, Ltd. Apesar disso, conversava com normalidade, embora mais tarde não conseguisse recordar o que fizera ou dissera. Só sabia que cada vez que David e Josephíne olhavam um para o outro ou se tocavam tinha vontade de pôr termo à vida.

Quando regressavam ao hotel, a americana afirmou sem azedume:

- Ela ama-te, David.

- Kate? - ele exibiu um sorriso de incredulidade. - Somos apenas amigos de longa data. Além disso, estou convencido de que gostou de ti.

“Os homens são tão ingénuos”, reflectiu ela, sorrindo igualmente.

Tim O'Neil e David reuniram-se no gabinete deste último, na manhã seguinte, a fim de trocarem impressões sobre o futuro.

- Preciso de cerca de dois meses para arrumar os meus assuntos aqui - declarou David. - Estive a pensar no financiamento indispensável para arrancarmos. Se recorrermos a uma companhia de grande envergadura, somos devorados depois de nos concederem uma pequena parcela. Acho que nós próprios devíamos financiar o empreendimento. Calculo que necessitaremos de oitenta mil dólares para as operações iniciais. Como economizei o equivalente a quarenta mil, temos de arranjar outro tanto.

- Disponho de dez mil - informou Tim O'Neil. - E tenho um irmão que me emprestará mais cinco mil.

- Nesse caso, faltam-me vinte e cinco mil dólares. Tentaremos obtê-los de um banco.

- Vamos partir para São Francisco imediatamente, a fim de prepararmos as coisas para quando você chegar.

Josephine e o pai seguiram para os Estados Unidos dois dias mais tarde e Kate sugeriu:

- Oferece-lhes a carruagem da companhia até à Cidade do Cabo, David.

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- É uma ideia generosa da tua parte.

Na manhã em que a americana partiu, ele experimentou a sensação de que lhe arrancavam uma parte da sua vida e ansiou pelo dia em que se lhe reuniria.

As semanas seguintes foram consagradas a diligências para constituir uma equipa de gestão para coadjuvar Brad Rogers. Este, Kate e David elaboraram uma lista de possíveis candidatos e passaram longas horas analisando o currículo de cada um. -…Taylor é um técnico, mas não possui experiência de gestão.

- E Simmons?

- Tem qualidades prometedoras, mas ainda não está suficientemente maduro.

- Babcock?

- Não parece mau. Discutamo-lo a fundo.

- E quanto a Peterson?

- Carece de espírito de sacrifício. Preocupa-se demasiado consigo próprio.

Ao pronunciar estas palavras, David não pôde evitar uma ponta de remorso, pois preparava-se para abandonar Kate.

O estudo da relação de candidatos prosseguiu e, no final de um mês, achava -se reduzida a quatro homens. Todos eles desempenhavam cargos em delegações situadas no estrangeiro, pelo que foram convocados a fim de serem entrevistados.