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- Deparou-se-me uma coisa interessante. Duas companhias. Se conseguíssemos ficar com qualquer delas, seria uma proeza.

- Obrigada, Brad. Darei uma olhadela nisto, esta noite. Assim, ela jantou só e analisou os relatórios confidenciais sobre as duas firmas: Wyatt Oil Tool e International Technology. Os elementos eram extensos e pormenorizados e terminavam com as iniciais NIV, que, segundo o código da companhia, significavam “Não Interessada na Venda” e exigiriam diligências excepcionais para conseguir a sua aquisição. Cada uma delas era dirigida por um indivíduo abastado e competente, o que eliminava qualquer tentativa para empregar os processos normais. Tratava -se de um desafio, situação que não se deparava a Kate desde longa data. Quanto mais pensava no assunto, maior a excitação que as possibilidades lhe suscitavam. A Wyatt Oil Tool pertencia a um texano chamado Charlie Wyatt e as suas actividades incluíam poços de petróleo, uma empresa de utilidade pública e dezenas de outros ramos lucrativos. Não subsistia a mínima dúvida: representaria uma aquisição excelente para a Kruger-Brent, Ltd.

Quanto à International Techonology, tinha à testa o conde alemão Frederick Hoffmann. A companhia principiara com uma pequena fundição de aço, em Essen, e com o passar dos anos expandira-se num vasto grupo que abarcava estaleiros navais, fábricas de petroquímica, uma frota de petroleiros e uma divisão de computadores.

Apesar da sua vasta envergadura, a Kruger-Brent só podia digerir um dos dois gigantes, e Kate sabia qual lhe interessava. No entanto, no final do relatório figurava a ominosa advertência: NIV.

“Veremos”, reflectiu com determinação.

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Na manhã imediata, mal entrou no gabinete mandou chamar Brad Rogers.

- Gostava de saber como conseguiu estas folhas de balanço confidenciais, mas respeito o segredo profissional - começou, com um sorriso malicioso. - Fale-me de Charlie Wyatt e de Frederick Hoffmann.

- Wyatt nasceu em Dállas. É um homem de temperamento autoritário e impetuoso, arguto como poucos. Principiou do zero, teve sorte em alguns empreendimentos arriscados, foi-se expandindo e hoje metade do Texas pertence-lhe.

- Que idade tem?

- Quarenta e sete.

- Filhos?

- Uma rapariga, de vinte e cinco, que, segundo as minhas informações, é uma autêntica brasa.

- Casada?

- Divorciada.

- E Frederick Hoffmann?

- E dois anos mais novo que Wyatt. Ostenta o título de conde e pertence a uma família distinta que remonta à Idade Média. Enviuvou há algum tempo e o avô começou com uma modesta fundição de aço. Hoffmann herdou-a do pai e transformou-a num império. Foi um dos primeiros a enveredar pelo ramo dos computadores e possui numerosas patentes de miniprocessadores. Cada vez que utilizamos uma dessas máquinas, o nosso conde recebe direitos de explo ração.

- Tem filhos?

- Também uma rapariga, de vinte e três anos.

- Como é ela?

- Não consegui averiguar. Trata-se de uma família muito fechada, que só se move dentro dos seus círculos restritos - Brad hesitou. - Talvez estejamos a perder tempo neste caso. Tomei umas bebidas com dois dirigentes de ambas as companhias e apurei que tanto Wyatt como Hoffmann não estão interessados na venda, fusão ou trabalho em conjunto. Como pode verificar pela sua posição financeira, só um louco pensaria o contrário.

No entanto, a sensação de desafio achava-se presente uma vez mais, estimulando Kate de forma irresistível.

Dez dias depois, foi convidada pelo presidente dos Estados Unidos para participar numa conferência de industriais em

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Washington, a fim de discutirem as possibilidades de auxílio a países subdesenvolvidos. Acto contínuo, Kate fez uma chamada telefónica, e, transcorrido pouco tempo, Charlie Wyatt e o conde Frederick Hoffmann recebiam convites idênticos.

Ela formara uma impressão mental do texano e do alemão e verificou que não se equivocara muito. Nunca conhecera um habitante do Texas tímido, e Charlie Wyatt não constituía uma excepção. Era um homem quase gigantesco, com corpo de praticante de râguebi, que o deixara engordar em excesso. Kate compreendeu que ele não construíra o seu império em resultado de mera sorte nas operações que empreendera. Tratava-se de um génio no campo dos negócios. Dez minutos de conversa bastaram para a convencer de que aquele homem não faria coisa alguma que não desejasse. Ninguém lograria levá -lo a desfazer-se da sua companhia. Não obstante, descobriu-lhe o calcanhar de Aquiles, o que bastava para os seus desígnios.

Frederick Hoffmann era a antítese de Wyatt, um indivíduo bem-parecido, de ar aristocrático e maneiras irrepreensíveis. Superficialmente, deixava transparecer cordialidade e deferência. No íntimo, porém, Kate pressentiu um núcleo de aço.

A conferência em Washington prolongou-se por três dias e decorreu o melhor possível. As reuniões desenrolavam-se sob as vistas do vice-presidente, e o presidente efectuou uma breve aparição. Todos os presentes se sentiram impressionados com Kate Blackwell, uma mulher atraente e carismática, chefe de um império industrial que construíra, e, sobretudo, fascinados, como ela pretendia.

Quando conseguiu achar-se a sós com Charlie Wyatt por um momento, perguntou:

- A sua família acompanhou-o?

- Vim com minha filha, que necessitava fazer umas compras.

- Ah, sim? - ninguém teria suspeitado de que Kate até se encontrava ao corrente do género de vestido que a rapariga comprara naquela manhã. - Promovo um pequeno jantar, na sexta -feira, em Dark Harbor, e gostaria que comparecesse com ela, para passarem o fim-de-semana.

- Ouvi falar na importância da sua organização, Mistress

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Blackwell - o texano não hesitou um segundo. - Teremos muito gosto.

- Óptimo. Providenciarei para que sigam para lá de avião, amanhã à noite.

Dez minutos depois, ela conversava com Frederick Hoffmann.

- Encontra-se só em Washington, Mister Hoffmann, ou veio com sua esposa?

- Enviuvei há vários anos - esclareceu o alemão. - No entanto, trouxe minha filha.

- Promovo uma recepção em Dark Harbor - Kate sabia que eles se alojavam na suite quatrocentos e dezoito do Hotel Hay Adams. - Teria o maior prazer em contar com a vossa presença para o fim-de-semana.

- Convém-me regressar à Alemanha sem demora - Hoffmann fez uma pausa e observou a interlocutora por uns instantes, até que esboçou um sorriso. - Mas mais dois ou três dias nos Estados Unidos não me levarão à bancarrota.

- Esplêndido. Ocupar-me-ei do vosso transporte.

Era costume de Kate realizar uma pequena festa em Dark Harbor cada dois meses, a que compareciam as pessoas mais interessantes e poderosas do mundo. Agora, estava empenhada em que fosse uma reunião de cariz especial e o único problema consistia em que Tony estivesse presente. Nos últimos meses, ele raramente se preocupava em assistir e, nas escassas excepções, retirava -se na primeira oportunidade. Agora, porém, era imperioso que não faltasse e protelasse a partida para o mais tarde possível.

Quando lhe mencionou a festa, ele apressou-se a declarar secamente:

- Não po-posso ir. Sigo para o Ca-Canadá, segunda-feira, e tenho muitos assuntos a tratar até lá.

- É importante - insistiu Kate. - Charlie Wyatt e Frederick Hoffmann prometeram comparecer e…

- Sei de quem se trata. Fa-falei com Brad Rogers. Não existe a mí-mínima hipótese de adquirir qualquer de-dessas companhias.

- Em todo o caso, quero tentar.

- Qual te in-interessa mais?

- A Wyatt Oil Tool, que podia contribuir para aumentar

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os nossos lucros em quinze por cento, pelo menos. Quando os países árabes compreenderem que têm o mundo entre a espada e a parede, formarão um cartel e os preços do petróleo subirão às nuvens.

- E a In-International Techonology?

- É uma boa companhia, mas a outra reveste-se de mais interesse - declarou ela, com um encolher de ombros. - Preciso de ti lá, Tony. O Canadá pode esperar uns dias.