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Ele detestava as reuniões daquela natureza, com as conversas fúteis intermináveis, homens fanfarrões e mulheres predatórias. No entanto, desta vez tratava-se de uma diligência de negócios.

- Está bem - acabou por capitular.

Todas as pedras se achavam nos seus lugares do tabuleiro.

Os Wyatt seguiram para o Maine num Cessna da companhia e, à chegada doferryboat, havia uma limusina que os conduziu a Cedar Hill, onde Kate os aguardava à entrada. Brad Rogers não se equivocara. A filha, Lucy, era uma autêntica “brasa”, alta, de cabelos pretos e olhos castanhos num rosto perfeito. O vestido, saído das mãos de um costureiro dispendioso, moldava um corpo de linhas deslumbrantes. Kate apresentou-a a Tony e observou a reacção deste último. Todavia ele conservou-se impávido. Saudou os Wyatt com deferência formal e acompanhou-os ao bar.

- Que bela sala! - exclamou Lucy. - Passa muito tempo nesta mansão?

- Não - foi a resposta seca de Tony. Apercebendo-se do perigo iminente de a reserva do filho comprometer os seus interesses, Kate tratou de intervir.

- As suas recordações mais agradáveis referem-se a esta casa. O trabalho absorve-o tanto, coitado, que raramente tem oportunidade de saborear esta atmosfera aprazível. Não é verdade?

- Sem dúvida - assentiu ele, com uma expressão glacial. - Neste momento, por exemplo, devia estar no Canadá…

- Mas adiou a viagem para os conhecer.

- Sinto -me honrado - declarou Charlie Wyatt. - Tenho ouvido falar de seu filho, Mistress Blackwell - com um sorriso, acrescentou: - Suponho que não lhe interessa vir trabalhar para o Texas.

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- Não creio que isso seja exactamente o que minha mãe tem em vista para mim - alegou Tony.

- Acredito - o texano soltou uma gargalhada e virou-se de novo para Kate. - Sua mãe é uma mulher incomparável. Gostava que visse enrodilhar toda a gente na reunião da Casa Branca e…

Interrompeu-se no instante em que Frederick Hoffmann e a filha, Marianne, entravam na sala. A rapariga era uma versão pálida do pai, com o mesmo semblante aristocrático. Tinha cabelos louros que se prolongavam até aos ombros e usava um vestido de chiffon branco. Ao lado de Lucy Wyatt, quase passava despercebida.

- Queiram desculpar o atraso - proferiu o alemão. - O avião ficou retido em La Guardiã.

- Que pena! - exclamou Kate, que providenciara para que tal acontecesse, a fim de os Wyatt chegarem em primeiro lugar. - Que tomam?

- Um scoth, por favor - pediu o conde Hoffmann.

- E você? - perguntou ela a Marianne.

- Nada, obrigada.

Os outros convidados começaram a surgir pouco depois e Tony passou a circular entre eles, em obediência às suas funções de anfitrião atencioso. Ninguém, à parte a mãe, suspeitava do reduzido significado que aquelas reuniões tinham para ele. Não era que estivesse enfastiado. Achava -se simplesmente isolado de tudo o que ocorria à sua volta. Perdera o prazer proporcionado pelo convívio, circunstância que preocupa va Kate profundamente.

Tinham sido preparadas duas mesas na vasta sala de jantar. Ela instalou Marianne Hoffmann entre um magistrado do Supremo Tribunal e um senador, numa, e Lucy Wyatt à direita de Tony, na outra. Todos os homens presentes - solteiros e casados - concentravam os olhares na filha do texano. Kate apercebiase dos esforços da rapariga para conversar com o filho, deixando transparecer que simpatizava com ele, o que representava um bom começo.

Na manhã seguinte, sábado, durante o pequeno-almoço, Wyatt disse a Kate:

- Tem um iate estupendo, Mistress Blackwell. Quanto mede?

- Não sei bem - ela voltou-se para Tony. - Que comprimento tem o Corsair?

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- Vinte e cinco metros - informou o interpelado, reflectindo que a mãe estava perfeitamente ao corrente.

- No Texas, não ligamos aos barcos. Estamos sempre com muita pressa.

Viajamos quase sempre de avião.

- Gostava que me deixasse mostrar-lhe a ilha, do mar - observou Kate. - Podemos fazê-lo no iate, amanhã.

- Excelente ideia! - aprovou o texano.

Entretanto, Tony assistia aos manejos da mãe sem se pronunciar. Acabava de efectuar uma das primeiras jogadas importantes, e perguntava a si próprio se Wyatt se teria apercebido. Talvez não. Apesar de ser um homem de negócios arguto, nunca enfrentara ninguém como Kate Blackwell.

Pouco depois, esta virou-se para o filho e para Lucy e sugeriu:

- Porque não aproveitam o tempo estupendo que faz para dar uma volta na lancha?

- Agradava-me imenso - afirmou a rapariga, antes que Tony tivesse ensejo de abrir a boca.

Todavia, ele advertiu:

- Não posso, porque espero um telefonema importante. Esforçando-se por dissimular o desagrado, Kate voltou-se para Marianne Hoffmann.

- Ainda não vi o seu pai, esta manhã.

- Foi explorar a ilha. Costuma levantar-se muito cedo.

- Ouvi dizer que gosta de montar a cavalo. Temos uma coudelaria muito satisfatória.

- Agradeço-lhe, Mistress Blackwell, mas prefiro andar por aí, se não vê inconveniente.

- Claro que não. Esteja à sua vontade - concentrou-se de novo no filho. - Não queres mesmo levar Miss Wyatt a dar um passeio? - inquiriu numa inflexão áspera.

- Não posso, como já expliquei.

Embora pequena, tratava-se de uma vitória. A batalha fora travada, e Tony não fazia tenção de a perder. A mãe já não dispunha do poder de o iludir. Utilizara-o como peão outrora e ele estava bem ciente de que pretendia fazê -lo de novo, mas desta vez os seus esforços não resultariam. Desejava adquirir a Wyatt Oil Tool, que o texano não pretendia vender, mas Kate julgara encontrar uma maneira de o vencer por intermédio do seu único ponto fraco: a filha. Se Lucy ingressasse na família Blackwell, tornar-se-ia inevitável a fusão das duas firmas.

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No final do pequeno -almoço, Kate levantou-se e propôs ao filho:

- Enquanto o teu telefonema não chega, porque nã o mostras os jardins a Miss Wyatt?

Eíle reconheceu que não existia possibilidade de se esquivar graciosamente, pelo que assentiu, decidido a abreviar a visita.

Por seu turno, a mãe virou-se para Charlie Wyatt e perguntou:

- Interessa-se por livros raros? Temos uma vasta colecção, na biblioteca.

- Interessa-me tudo o que quiser mostrar-me - redarguiu ele, com um largo sorriso.

Como que obedecendo a uma inspiração de última hora, ela voltou-se para Marianne Hoffmann.

- Quer acompanhar-nos?

- Obrigada, mas pre firo dar uma volta por aí, como disse. Não se preocupe comigo.

- Claro que não.

Tony reflectiu que estas palavras da mãe se revestiam da maior sinceridade. A alemã não figurava nos seus projectos, pelo que tratava de a marginalizar. Fazia-o numa atitude amável, sorridente, que encobria uma firmeza implacável que ele detestava.

- Vamos, Tony? - sugeriu Lucy.

- Com certeza.

Encaminharam-se para a porta, e preparavam -se para a transpor, quando ele ouviu a mãe dizer aos outros:

- Fazem um par admirável.

Dirigiram-se para o molhe onde o Corsair se encontrava acostado, percorrendo uma extensa área repleta de flores e árvores.

- É um lugar celestial - murmurou Lucy.

- Pois é.

- Não temos flores destas, no Texas.

- Não?

- É um ambiente tranquilo e pacífico.

- Tem razão.

De súbito, deteve-se e fitou o companheiro, com uma expressão agastada.

- Disse alguma coisa que a ofendesse? - viu-se ele na necessidade de perguntar.

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- Não disse absolutamente nada. É isso que considero ofensivo. Não consigo arrancar-lhe mais do que monossílabos ou palavras secas. Faz-me ficar com a impressão de que pretendo caçá-lo.

- E pretende?

- Adivinhou - a rapariga soltou uma risada. - Se pudesse ensiná -lo a falar, talvez nos entendêssemos - e vendo-o esboçar um sorriso, inquiriu. - Em que pensa?