Выбрать главу

Ela contemplou-o, fascinada, equilibrado nos esquis, e, no momento em que deslizou nas proximidades, vislumbrou um atraente rosto bronzeado.

321

Ele entrou na sala de Nita Ludwig, cinco horas mais tarde, e Eva foi assolada pela impressão de que acudia à sua chamada. De perto, era ainda mais atraente. De um metro e noventa de altura, com feições bronzeadas perfeitamente modeladas, olhos negros e corpo escultural, quando sorriu revelou dentes brancos e regulares.

- George Mellis. Eva Blackwell - apresentou Nita.

- Você devia estar no Museu do Louvre - afirmou ele em voz grave e levemente rouca em que se notava um sotaque remoto.

- Anda daí, rapaz - volveu a dona da casa. - Vou apresentar-te aos outros.

- Não merece a pena. Acabo de conhecer a única pessoa que me interessa.

- Estou a ver - e ela fez uma pausa, olhando-os com curiosidade. - Bem, se precisarem de alguma coisa, chamem.

- Não acha que foi um pouco brusco? - observou Eva.

- Deixei de ser responsável pelas minhas palavras ou actos. Apaixonei-me - e vendo-a rir, Mellis acrescentou: - A sério. É a mulher mais bonita que conheci até hoje.

- Tem piada que a minha opinião a seu respeito é mais ou menos da mesma natureza.

Ela reflectia que lhe era indiferente que aquele homem possuísse ou não dinheiro.

Sentia-se absolutamente fascinada. Não se tratava apenas do seu aspecto.

Irradiava um magnetismo, uma sensação de poder que a excitava como jamais acontecera.

- Quem é você?

- Nita já lhe disse. George Mellis.

- Mas quem?

- Ah, no sentido filosófico! O eu real. Nada de extraordinário, lamento confessar.

Sou grego. A minha família cultiva azeitonas e coisas do género.

Esse Mellis! Os produtos alimentares Mellis podiam encontrar-se em qualquer mercearia ou supermercado dos Estados Unidos.

- Casado?

- Costuma ser sempre tão directa nas perguntas? - quis saber ele, com novo sorriso deslumbrante.

- Não.

- Sou solteiro.

322

A revelação deixou Eva extasiada. Só de o olhar, desejava possuí-lo e que a possuísse.

- Porque não apareceu ao jantar?

- Quer a verdade?

- Sim.

- É muito pessoal. Entretive -me a impedir que uma jovem pusesse termo à vida - explicou ele, como se aludisse a uma ocorrência banal.

- Espero que tenha sido bem sucedido.

- De momento. Suponho que você não manifesta propensão para o suicídio?

- De modo algum.

- Amo-a a valer - declarou sem reservas.

No momento em que lhe pegou no braço, Eva não pôde evitar um estremecimento de emoção.

Conservou-se ao lado dela durante todo o serão, cumulando-a de atenções, indiferente aos outros. Tinha mãos alongadas e delicadas, aparentemente empenhadas em ser prestáveis a Eva por qualquer meio: oferecia-lhe uma bebida, acendia-Lhe o cigarro, tocava-lhe discretamente. A sua proximidade produzia-lhe um ardor quase irresistível, e ansiava pelo momento em que se encontrariam sós.

Pouco depois da meia-noite, quando os convidados principiaram a recolher aos quartos, George Mellis perguntou:

- Onde está instalada?

- Ao fundo do corredor da ala norte.

Inclinou a cabeça num gesto de entendimento, ao mesmo tempo que a fitava com uma expressão de inteligência.

Eva despiu-se, tomou banho e enfiou um negligée preto que lhe aderia ao corpo.

À uma hora, registou-se uma pancada discreta na porta e apressou-se a abri -la.

George Mellis entrou e deteve-se para a contemplar com admiração.

- Matia mou, faz com que a Vénus de Milo pareça um lastro detestável.

- Pelo menos, há um pormenor a meu favor. Tenho os dois braços completos.

E, porventura para o demonstrar, ela utilizou-os para lhe rodear o pescoço. O beijo que se seguiu provocou-lhe como

323

que uma explosão íntima. Os lábios dele pareciam querer esmagar os seus e sentiu-lhe a língua em ávida exploração. Achavam-se completamente despidos em escassos segundos e encaminharam-se para a cama, o pénis de Mellis erecto como um poste.

- Vira -te! - disse. - Quero o teu traseiro!

- Não estou a per… - começou Eva, perplexa. Uma bofetada brutal impediu-a de prosseguir.

- Vira -te!

- Não!

Ele agrediu-a de novo e ela viu os objectos principiarem a oscilar à sua volta.

Como num sonho, sentiu-o erguer-lhe os hemisférios posteriores e, no momento em que iniciou a penetração, uma dor excruciante. Descerrou os lábios para gritar, mas conteve-se ao pensar nas consequências.

- Por favor… - gemeu. - Magoas-me…

Contudo, ele continuou a introduzir-lhe o pénis enorme e Eva acabou por perder o conhecimento.

Quando recuperou os sentidos, George Mellis sentava-se numa cadeira, vestido, com um cigarro entre os lábios. Ao ver que voltara a si, aproximou-se da cama e acariciou-lhe a cabeça, murmurando:

- Como te sentes, querida?

Ela tentou soerguer-se, mas a dor era demasiado intensa, como se a tivesse rasgado ao meio.

- Animal infame!… - articulou entre dentes.

- Tratei-te com o maior carinho - asseverou ele, com uma risada. - Se quisesse, podia ter sido brutal. Não o fiz porque te amo. Hás-de habituar-te, podes crer, Hree-se'e-moo.

- És louco! - bradou Eva, reflectindo que, se dispusesse de uma arma, não hesitaria em o matar.

Acto contínuo, viu-o assumir uma expressão glacial e a mão cerrar-se num punho ameaçador, e compreendeu que era mesmo louco.

- Não faças caso - apressou-se a rectificar. - Como foi a primeira vez, estranhei.

Agora, queria dormir, se não te importas.

George Mellis contemplou-a em silêncio, por um longo momento, e descontraiuse.

Em seguida, dirigiu-se ao

324

toucador onde Eva colocara as jóias e apoderou-se de um colar de brilhantes.

- Vou levá-lo como recordação. Boa noite, querida.

Beijou-a formalmente e saiu. Eva deixou transcorrer uns segundos e levantou-se, esforçando-se por ignorar as dores. Só depois de fechar a porta à chave se senti u em segurança. Custava -lhe aceitar a enormidade da cólera que a assolava. Fora vítima de sodomia, horrível e brutal. O facto levou-a a especular na forma como decerto tratara a rapariga que tentara pôr termo à vida.

Após demorada visita à casa de banho, voltou para a cama, mas permaneceu acordada o resto da noite, aterrorizada pela ideia de ele reaparecer.

De manhã, quando acordou, depois de duas horas de sono já ao alvorecer, verificou que os lençóis apresentavam manchas de sangue. Ele havia de pagar o que fizera, de uma maneira ou de outra. Dirigiu-se de novo à casa de banho e imergiu na banheira cheia de água quente. O espelho indicou-lhe que tinha as faces inchadas e um dos olhos violáceo. Hesitou por uns momentos e aplicou uma toalha embebida em água fria nos locais atingidos. Por fim, conservou-se na banheira, pensando em George Mellis. Havia algo de estranho no seu comportamento que não tinha nada a ver com o sadismo. De súbito, fez-se-lhe luz no espírito. O colar! Porque o levara?

Duas horas mais tarde, desceu à sala de jantar, para se juntar aos outros convidados em torno da mesa do pequeno-almoço, embora não sentisse apetite.

- Santo Deus! - exclamou Nita Ludwig. - Que te aconteceu?

- A coisa mais estúpida deste mundo - explicou Eva, com um sorriso de embaraço.

- Levantei-me a meio da noite para ir à casa de banho, sem acender a luz, e colidi com a porta.

- Queres que chame o médico para te examinar?

- Não é necessário. São escoriações superficiais - olhou em volta. - Onde está George Mellis?

- Foi jogar ténis. Pediu-me que te dissesse que falaria contigo à hora do almoço.

Desconfio que engraçou contigo.

- Fala-me dele.

325

- Pertence a uma família de gregos abastados. É o oitavo filho e podre de rico.