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Trabalha numa firma de corretagem de Nova Iorque, a Hanson and Hanson.

- Não se interessa pelo negócio da família?

- Suponho que detesta as azeitonas. De resto, com a fortuna dos Mellis, não precisa de trabalhar. Deve fazê-lo apenas para ocupar o tempo - Nita esboçou um sorriso malicioso. - O trabalho não lhe falta, à noite.

- Parece-te?

- É o melhor partido destas redondezas. As moças anseiam pela oportunidade de despir as cuecas na sua frente, na esperança de o levar ao altar. Aqui para nós, se o meu marido não fosse tão ciumento, também não me importava de uma pequena experiência com ele. É um animal deslumbrante!

- Sim - aquiesceu Eva, amargurada. - Deslumbrante.

George Mellis surgiu no terraço onde Eva se sentava, só, e esta experimentou um estremecimento de medo.

- Bom dia, Eva! - saudou ele, acercando-se. - Sentes-te bem? - perguntou com uma expressão apreensiva, ao mesmo tempo que pousava os dedos no rosto maltratado. - Como és bonita! - puxou de uma cadeira, sentou-se voltado para o espaldar, e, abarcando o mar com um gesto largo, declarou: - Que espectáculo tão belo!

Dir-se-ia que os acontecimentos da véspera não tinham ocorrido. Ela escutava-o enquanto perorava sobre as belezas da Natureza e apercebeu-se uma vez mais do magnetismo que irradiava. Conseguia senti-lo, apesar do pesadelo que experimentara, o que se lhe afigurava incrível. “Parece um deus grego. Pertence a um museu. Não, a uma clínica de loucos!” - Tenho de regressar a Nova Iorque esta noite - anunciou ele, em dado momento.

- Como posso contactar contigo?

- Mudei-me recentemente - apressou-se Eva a alegar. - Ainda não tenho telefone.

Ligarei para ti.

- Pois sim, querida. Desfrutaste esta noite, hem? - e baixando a voz, Mellis acrescentou: - Tenho muitas variantes para te ensinar.

“Também hás-de aprender alguma coisa comigo!”, pensou ela.

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Assim que se encontrou de regresso a Nova Iorque, Eva telefonou a Dorothy Hollister, uma verdadeira fonte de informações sobre a “gente bela”, como gostava de chamar a determinado estrato da sociedade. Fora casada com um indivíduo de posição elevada e, quando ele a trocara pela secretária de vinte e um anos, virase forçada a procurar uma actividade remuneradora, acabando por enveredar pela que melhor se adaptava aos seus talentos: autora de uma coluna de inconfidências sociais num jornal.

Portanto, se alguém podia elucidar Eva a respeito de Geor-ge Mellis, era, sem dúvida, Dorothy Hollister.

Encontraram-se para almoçar e, depois de escolherem a ementa, Eva informou com naturalidade:

- Passei o fim-de-semana nas Baamas. Aquilo é realmente encantador.

- Já sabia - replicou Dorothy. - Tenho a lista dos convidados de Nita Ludwig. Foi divertido?

- Voltei a ver algumas velhas amigas. Por sinal, conheci um homem interessante chamado… como era?… George qualquer coisa. Miller, salvo erro. Um grego.

- Mellis - soltou uma risada que se propagou a todos os cantos da sala. - George Mellis.

- Isso. Conhece-o?

- Vi-o, uma vez ou duas. Pensei que se transformaria numa coluna de sal.

Realmente, tem um aspecto fantástico.

- Quais são os seus antecedentes?

Olhou em redor e inclinou-se para a frente numa atitude conspiratória.

- Ninguém sabe isto, mas espero que não passe daqui. É a ovelha ranhosa da família. Devia ficar à testa do negócio paterno, que produz lucros fabulosos, mas envolveu-se em tantos escândalos com raparigas, rapazes e provavelmente até cabras, que o pai e os irmãos acabaram por perder a paciência e mandá-lo para fora do país. Cortaram-lhe todos os rendimentos, o que obrigou o pobre rapaz a procurar um emprego p ara se sustentar.

“Estava explicado o roubo do colar!” - No fundo, não precisa de se preocupar - continuou Dorothy. - Mais dia menos dia, casa com uma mulher rica. Porquê esta curiosidade? Estás interessada?

- Nem por isso.

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Todavia, Eva estava mais do que interessada. George Mel-lis podia ser a chave que procurava. A chave da sua fortuna.

Na manhã seguinte, telefonou-lhe para o emprego e verificou que Mellis reconhecia a sua voz imediatamente.

- Aguardava o teu telefonema com ansiedade louca. Jantamos juntos esta noite e…

- Não, almoçamos amanhã. Ele hesitou, surpreendido.

- Muito bem. Tinha de almoçar com um cliente, mas arranjo uma desculpa.

- No meu apartamento - advertiu Eva, custando-lhe a crer que falava com o alucinado de poucos dias antes. Indicou o endereço e concluiu: - Ao meio-dia e meia.

- Combinado.

Cortou a ligação, cogitando que George Mellis encontraria uma surpresa imprevista.

Ele apresentou-se com meia hora de atraso, e Eva compreendeu que isso obedecia à sua maneira de proceder. Não se tratava de falta de deferência deliberada, mas de uma indiferença, a certeza de que os outros esperariam o tempo que fosse necessário. Com a sua aparência irresistível e maneiras cativantes, o mundo pertencia-lhe. Existia apenas um óbice: a falta de dinheiro.

Era esse o seu único ponto vulnerável.

Mellis olhou em volta e admitiu, depois de calcular o valor do recheio:

- Muito agradável - aproximou-se de Eva, estendendo os braços. - Tenho pensado em ti constantemente.

- Mais devagar - recomendou ela, esquivando-se. - Primeiro, quero dizer-te uma coisa.

- Conversamos depois.

- Não, agora - articulou pausada e distintamente. - Se me tornas a tocar, mato -te.

- Que brincadeira é esta? - rosnou ele, com um leve sorriso de incredulidade.

- Falo a sério. Quero apresentar-te uma proposta de negócios.

- Mandaste-me vir para discutir negócios? - estranhou, arqueando as sobrancelhas.

- Exacto. Não sei quanto ganhas com as diligências para

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convencer velhotas crédulas a adquirir acções e títulos da Bolsa, mas penso que não é muito.

- Endoideceste? - rugiu, assumindo uma expressão irada. - A minha família…

- A tua família é rica e tu não. A minha é rica e eu também não. Encontramo-nos no mesmo barco cheio de buracos, meu amigo, mas conhe ço uma maneira de o transformarmos num luxuoso iate.

Eva fez uma pausa para observar o efeito do que acabava de dizer e verificou que a irritação do interlocutor era substituída gradualmente por curiosidade.

- Troca lá isso por miúdos, antes que perca a paciência.

- É muito simples. Fui deserdada de uma vasta fortuna e minha irmã Alexandra não.

- Em que me pode isso interessar?

- Se casasses com ela, essa fortuna seria tua… nossa.

- Lamento, mas nunca consegui aceitar a ideia de me amarrar a alguém.

- Neste caso, não correrias o menor perigo - declarou ela, sem pestanejar. - Minha irmã sempre teve propensão para sofrer acidentes.

Capítulo vigésimo sétimo A agência publicitária Berkley and Mathews fora sempre o diadema no estendal de firmas do género existentes na Avenida Madison. O seu volume de negócios excedia os dos dois concorrentes mais próximos juntos, fundamentalmente porque um dos seus melhores clientes era a Kruger-Brent, Ltd. e as suas dezenas de subsidiárias dispersas pelo mundo. Por conseguinte, quando Kate Blackwell telefonou a Aaron Berkley, a fim de lhe solicitar um lugar para Alexandra, o pedido foi satisfeito com prontidão. Na realidade, se ela desejasse, talvez nomeassem a rapariga presidente da agência.

- Creio que minha neta está interessada em ser autora de textos - informou Kate.

Berkley assegurou-lhe que havia precisamente uma vaga nesse departamento e Alexandra podia principiar quando quisesse.

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Assim, ela apresentou-se ao trabalho na segunda-feira imediata.

A agência situava-se em oito pisos do moderno edifício que possuía na Avenida Madison e tinha os restantes alugados a diversas firmas. No intuito de economizar um salário, Aaron Berkley e o sócio, Norman Mathews, decidiram que Alexandra Blackwell ocuparia o lugar de um jovem empregado admitido seis meses antes. O facto tornou-se conhecido rapidamente, e quando o pessoal se inteirou de que o rapaz despedido seria substituído pela neta da maior cliente da casa, gerou-se uma indignação geral. Mesmo sem a conhecerem, o consenso geral era de que se tratava de uma cadela mimada, provavelmente enviada para espiar os funcionários.