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Na manhã em que a rapariga se apresentou, foi escoltada ao vasto gabinete de Berkley, onde este e Mathews a aguardavam para lhe dar as boas-vindas. Os dois sócios eram aquilo que se podia considerar patrões tiranos, e o único motivo porque os empregados os suportavam cifrava -se em que quem tinha trabalhado naquela firma estava em perfeitas condições para ingressar em qualquer agência publicitária do mundo. Constituía uma espécie de campo de treino.

Também se achava presente no gabinete Lucas Pinkerton, vice-presidente da firma, um homem sorridente de modos untuosos e olhos frios, o qual tão-pouco se podia considerar um patrão-modelo.

- Que deseja tomar, Miss Blackwell? - perguntou Berkley, indicando a Alexandra uma poltrona confortável. - Café, chá?

- Nada, obrigada.

- Com que então, vai trabalhar connosco como autora de textos!

- Agradeço a oportunidade que me proporcionaram. Sei que tenho muito que aprender, mas prometo trabalhar com afinco.

- Não necessita de se esforçar - interpôs Mathews. No entanto, apercebeu-se do deslize com prontidão e acrescentou: - Quero dizer que não convém que se precipite. São coisas que se aprendem com lentidão.

- Estou certo de que se sentirá bem entre nós - volveu Berkley. - Vai trabalhar com as maiores autoridades no campo da publicidade.

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Uma hora mais tarde, Alexandra ponderava: “Talvez sejam os melhores do mundo, mas não os mais cordiais.” Lucas pinkerton conduzira-a aos diversos apartamentos, para que conhecesse os novos colegas, e a recepção fora glacial em toda a parte. Ela pressentiu a animosidade e ficou intrigada, sobretudo porque não compreendia o motivo. Por fim, entraram numa sala de conferências saturada de fumo de tabaco, em torno de cuja mesa se viam uma mulher e dois homens, que fumavam em cadeia. Ela era baixa e forte, com cabelos cor de ferrugem, e os companheiros, que aparentavam trinta e cinco anos, pálidos e compenetrados.

- Esta é a equipa criadora com a qual vai trabalhar - informou Pinkerton. - Alice Koppel, Vince Barnes e Marty Bergheimer, apresento-lhes Miss Blackwell - fez uma pausa, enquanto o trio a olhava com semblantes inexpressivos.

- Bem, vou deixá-la, para que se familiarize com o ambiente - e voltando-se para Barnes: - Quero o texto referente ao novo perfume em cima da minha secretária, amanhã, ao abrir da porta. Providencie para que Miss Blackwell receba tudo o necessário - e retirou-se.

- De que precisa? - inquiriu Barnes.

- Eu… - a pergunta colheu Alexandra desprevenida. - Preciso de aprender tudo.

- Veio ao lugar apropriado - observou Alice Koppel, em tom melífluo. - Adoramos fazer de professores.

- Não comece - advertiu Bergheimer.

- Fiz alguma coisa que os ofendesse? - balbuciou a rapariga, intrigada.

- Não, Miss Blackwell - assegurou Bergheimer. - Simplesmente, atravessamos uma fase de grande pressão. Trabalhamos no lançamento de um perfume e, até agora, os chefes não se mostraram impressionados com o material fornecido.

- Procurarei não os estorvar.

- Isso era óptimo - não pôde deixar de tornar a comentar Alice Koppel.

O resto do dia escoou-se no mesmo clima. Não havia um único sorriso visível. Um colega fora despedido sumariamente por causa daquela cadela rica, e estavam dispostos a fazer-Lhe espiar o arrojo.

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Pouco antes da hora da saída, Berkley e Mathews entraram no pequeno gabinete atribuído a Alexandra, para se certificarem de que não lhe faltava nada, gesto que não passou despercebido ao resto do pessoal.

Todos os funcionários da agência se tratavam por tu, mas Alexandra era uma excepção à regra, sendo “Miss Blackwell” para todos.

- Chamo-me Alexandra - lembrava ela.

- Tem razão.

E na próxima vez que se lhe dirigiam, era de novo por “Miss Blackwell”.

Alexandra ansiava por aprender e participar na produção da firma. Para tal, assistia às reuniões em que os autores de textos apresentavam ideias, observava o pessoal artístico que construía maquetas e via Lucas Pinkerton rasgar o material que lhe exp unham para aprovação. Entretanto, guardava um silêncio respeitoso e esforçava -se por assimilar tudo o que se lhe deparava. No termo da primeira semana, afigurava -se-lhe que pertencia à casa há mais de um mês.

Quando Kate lhe perguntava como se adaptava ao trabalho, respondia:

- O melhor possível, avó. É muito interessante.

- Tenho a certeza de que não tardarás a produzir tanto e tão bem como os melhores funcionários da firma. Se surgir algum problema, procura Berkley ou Mathews.

Era exactamente isso que Ale xandra desejava evitar.

Na segunda-feira seguinte, apresentou-se ao trabalho disposta a resolver o seu problema. Havia pausas de manhã e à tarde para tomar café, ocasiões em que se trocavam impressões com cordialidade.

- Sabes o que aconteceu na National Media? Um génio qualquer pretendeu chamar a atenção para o ano excepcional que tiveram e mandou publicar o seu relatório financeiro no New York Times, a vermelho!

Naquele momento, Alexandra fez a sua aparição e as conversas interromperam se de modo abrupto.

- Deseja um café, Miss Blackwell?

- Obrigada. Eu vou buscá-lo.

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Estabeleceu-se silêncio enquanto ela introduzia uma moeda na máquina e pegava no copo fumegante. Assim que saiu, as conversas foram reatadas.

- Ouviram a última acerca do Sabão Puro? O modelo de expressão angelical dos anúncios era uma intérprete de filmes pornográficos!

Ao meio-dia, Alexandra sugeriu a Alice Koppeclass="underline"

- Lembrei-me que podíamos almoçar…

- Lamento, mas tenho um compromisso.

Virou-se para Vince Barnes, que se apressou a declarar:

- Eu também.

- E eu - acudiu Marty Bergheimer, por sua vez. Alexandra sentia-se demasiado apreensiva para comer. Os colegas procediam como se ela fosse uma pária, facto que começava a irritá-la.

No entanto, não tencionava permitir que a situação se mantivesse. Descobriria uma maneira de estabelecer comunicação, de lhes fazer compreender que, por debaixo do nome Blackwell, era uma deles. Continuava a assistir a reuniões e ouvia Aaron Berkley, Norman Mathews e Lucas Pinkerton invectivarem os criadores, que se limitavam a executar o seu trabalho o melhor que podiam.

Alexandra condoía -se deles, que todavia não queriam a sua compaixão. Nem a sua companhia.

Deixou transcorrer três dias antes de efectuar nova tentativa junto de Alice Koppel.

- Falaram-me de um estupendo restaurante italiano perto daqui…

- Não gosto de comida italiana. Voltou-se para Vince Barnes, que esclareceu:

- Estou a dieta.

- Prefiro a chinesa - anunciou Marty Bergheimer, quando foi interpelado.

Alexandra sentia as faces em brasa. Não queriam ser vistos com ela. “Então, que vão para o inferno”! Estava farta. Desenvolvera todos os esforços para estabelecer relações cordiais e tinham-lhe dado sempre com os pés. Cometera um erro ao pretender trabalhar ali. Procuraria emprego numa firma sem a mínima ligação com a avó. No final da semana corrente, despedir-se-ia. “Mas hão-de lembrar-se todos de que passei por cá”, decidiu com amargura.

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Às 13.00 horas de quinta-feira, tinham ido todos almoçar, excepto a operadora do PBX, e Alexandra deixara -se ficar. Observara que nos gabinetes do pessoal superior havia inter-comunicadores para os vários departamentos, pelo que, se um chefe pretendia contactar com um subordinado, necessitava apenas de premir o botão do aparelho em que o nome deste último se achava escrito num cartão. Ela introduziu-se nos domínios desertos de Berkley, Mathews e Pinkerton e consagrou os sessenta minutos imediatos à troca de todos os cartões. Assim, ao princípio da tarde, Pinkerton carregou num botão que julgava pô-lo em contacto com um autor de textos e ordenou: