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- Trote para aqui. Já!

Seguiu-se um momento de silêncio, e a voz indignada de Mathews rugiu:

- Que disse?

- É Mister Mathews? - balbuciou o outro, cravando o olhar estupefacto no aparelho.

- Com certeza que sou! Trote você para aqui! Já! Momentos depois, um autor de textos premiu um botão e informou:

- Tenho aqui material para você levar lá abaixo.

- Tem o quê? - vociferou Berkley.

Era o início do pandemónio. Foram necessárias quatro horas para rectificar a confusão que Alexandra criara, e os funcionários da agência nunca tinham passado um período tão divertido no local de trabalho. Cada vez que se registava um novo incidente, soltavam exclamações de gáudio. Os chefes recebiam ordens para ir comprar tabaco ou mandar desentupir uma sanita. Berkley, Mathews e Pinkerton resolveram tudo para tentarem descobrir o culpado, mas ninguém sabia explicar o que se passara.

A única pessoa que vira Alexandra entrar nos diversos gabinetes fora Fran, a recepcionista, mas detestava mais os chefes do que a rapariga, pelo que se limitou a declarar:

- Não dei por nada.

Naquela noite, quando se encontrava na cama com Vince Barnes, revelou-lhe o que acontecera e ele soergueu-se de um salto.

- A neta da velha Blackwell? Quem diria!

Na manhã seguinte, quando entrou no seu gabinete,

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Alexandra verificou que Vince Barnes, Alice Koppel e Marty gergheimer a aguardavam. Vendo que a observavam em silêncio, perguntou:

- Há alguma novidade?

- Não - replicou Alice Koppel, com um sorriso. - Queríamos convidá-la para almoçar connosco. Falaram-nos num restaurante italiano estupendo, perto daqui…

Capítulo vigésimo oitavo Desde criança que Eva Blackwell se apercebera da sua habilidade para manipular pessoas. No passado, tratava-se de um mero jogo, mas agora o assunto revestiase de gravidade. Fora tratada abominavelmente, despojada de uma vasta fortuna, que lhe pertencia por direito, por uma irmã maldosa e uma avó vingativa. Haviam de lhe pagar inteiramente o mal ocasionado, e a perspectiva provocava-lhe um prazer tão intenso que quase a conduzia ao orgasmo. A vida delas encontrava-se agora nas suas mãos.

Eva elaborou o plano cuidadosa e meticulosamente, orquestrando cada movimento. Ao princípio, George Mellis revelara-se um conspirador relutante, alegando:

- É muito perigoso. Não preciso de me envolver em complicações dessas. Posso obter todo o dinheiro que quiser.

- Como? - retorquiu ela, em tom de desdém. - Levando para a cama uma infinidade de mulheres nutridas de cabelos azuis? É assim que queres passar o resto da vida? Que acontecerá quando começares a criar estômago e te surgirem rugas em volta dos olhos? Crê que nunca tornarás a ter uma oportunidade como esta. Se me escutares, poderemos possuir um dos maiores impérios financeiros do mundo. Possuir, ouviste?

- Como sabes que o plano funcionará?

- Sou a maior perita viva acerca de minha avó e Alexandra. Não tenhas a mínima dúvida a esse respeito.

Embora se exprimisse com confiança, assolavam-na algumas reservas, sobretudo quanto ao cúmplice. Eva estava convencida de que executaria a sua parte do plano, mas não tinha

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a certeza de como ele agiria. Era um indivíduo instável e nã o havia o menor espaço para erros. Bastaria um para que tudo se desmoronasse.

- Decide-te de uma vez - indicou. - Entras ou não? Mellis olhou-a por um longo momento, sem proferir palavra, e acabou por inclinar a cabeça.

- Entro - aproximou-se dela e pousou-lhe as mãos nos ombros. - Mas quero entrar todo.

- Desta vez, vai ser à minha maneira - advertiu Eva, em voz rouca.

Encontravam-se deitados. Despido, ele era o animal mais extraordinário que ela jamais vira. E o mais perigoso, mas isso só servia para acentuar a excitação.

Agora, dispunha da arma para o dominar.

- Monta-me, George - pediu, com voracidade.

- Vira -te para lá.

- Não. À minha maneira.

- Assim, não me dá prazer.

- Eu sei. Preferias fazê-lo com um rapaz de cu apertado, hem? Infelizmente, para ti, estás com uma mulher. Portanto, trepa para cima de mim.

- Está bem - capitulou ele, obedecendo. - Mas olha que não fico satisfeito.

- É-me indiferente - redarguiu Eva, com uma risada. - Fico eu.

No final da operação, Mellis fê -la deslizar para o seu lado e estendeu as mãos para os seios.

- Agora, é a minha vez.

- Veste-te - ordenou ela, abruptamente.

Ele levantou-se da cama, tremendo de frustração e cólera, enquanto ela o contemplava com um sorriso divertido.

- Portaste -te muito bem, George. Mereces a recompensa. Vou entregar-te Alexandra.

De um dia para o outro, tudo se alterara para Alexandra. Transformara-se de pária em heroína, e a partida que pregara aos chefes tornou-se conhecida em toda a Avenida Madison.

- É uma lenda em vida - afirmou Vince Barnes. Agora, convertera-se numa deles.

Ao mesmo tempo, gostava do trabalho que executava, em

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particular as sessões criativas que se desenrolavam todas as manhãs. Embora reconhecesse que não correspondiam ao que desejava para o resto da vida, não estava bem certa do que pretendia. Recebera pelo menos uma dúzia de propostas de casamento e sentira -se tentada por uma ou duas, mas faltava qualquer coisa.

Ainda não surgira o homem ideal.

Sexta-feira de manhã, Eva telefonou, a fim de a convidar para almoçar.

- Conheço um restaurante francês inaugurado recentemente, cuja comida é excelente.

Ficou contente com o telefonema, pois agradava-lhe sempre contactar com a irmã, e apressou-se a aceitar.

O restaurante era requintado e dispendioso e o bar achava-se cheio de clientes à espera de mesas livres, pelo que Eva necessitara de recorrer ao nome da avó para que lhe reservassem uma.

Saudaram-se com um beijo na face e ela declarou:

- Estás maravilhosa, Alex. Segundo parece, o trabalho faz-te bem - interrompeu-se para escolher a ementa, após o que prosseguiu: - Conta lá em que consiste a tua missão na firma.

Alexandra descreveu tudo minuciosamente e em seguida a irmã procedeu a uma descrição cautelosa das suas actividades. De súbito, Eva ergueu os olhos e fez uma pausa. George Mellis contemplava-as diante da mesa, momentaneamente confuso. “Valha -me Deus! Não sabe qual das duas sou.” Por conseguinte, tratou de proferir:

- George!

- Eva! - ele dissimulou a sensação de alívio. - Que agradável surpresa.

- De facto… Creio que não conheces minha irmã. Alex, apresento-te George Mellis.

- Encantado - murmurou ele, apertando a mão da rapariga, ao mesmo tempo que reflectia que Eva lhe falara na irmã gémea, mas nunca supusera que fossem idênticas.

- Almoças connosco? - perguntou ela.

- Infelizmente, já estou atrasado para uma entrevista. Fica para outra ocasião - Mellis voltou-se para Alexandra. - Em breve, espero.

- Com a breca! - exclamou Alexandra, quando se encontraram de novo sós. - Quem é?

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- Um amigo de Nita Ludwig. Conheci-o numa reunião em casa dela.

- Sofro da vista ou é tão atraente como me pareceu?

- Embora não seja o meu tipo, as mulheres acham-no irresistível.

- Não me admira nada. É casado?

- Penso que não, mas não deve ser por falta de interessadas. Além disso, tem dinheiro às montanhas. Pode mesmo dizer-se que não lhe falta nada, atractivos físicos, fortuna e posição social.

No final da refeição, quando Eva pediu a conta, o empregado informou que fora paga por Mr. Mellis.

Alexandra não conseguia parar de pensar em George Mellis.