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Apearam-se e, antes de se despedirem à entrada, Alexandra declarou:

- Não tenho palavras para exprimir o prazer que estas poucas horas juntos me proporcionaram.

- Para mim, foram mágicas.

- Boa noite, George.

E ela desapareceu no interior da vasta residência, com um sorriso radioso capaz de iluminar toda a rua.

Quinze minutos mais tarde, o telefone à cabeceira de Alexandra tocou.

- Sabe o que acabo de fazer? Telefonei à família para lhe comunicar que passei o serão com uma mulher deslumbrante. Sonhos felizes, minha bela Alexandra.

Quando pousou o auscultador, George Mellis reflectiu: “Depois de casarmos é que telefonarei à família. Dir-lhe-ei então que se pode lixar com o seu dinheiro!”

Capítulo vigésimo nono Alexandra não voltou a ter notícias dele em toda a semana. Cada vez que o telefone tocava, apressava-se a atender, para ficar invariavelmente decepcionada.

Não conseguia imaginar o que sucedera, e revia o memorável serão com um prazer ofuscado pela nostalgia e a frustração. “É a única mulher que podia modificar tudo isso. Para sempre. Telefonei à família para lhe comunicar que passei o serão com uma mulher deslumbrante..”

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E concebia uma série de explicações para o silêncio.

Ofendera-o involuntária e inconscientemente.

Ele gostava demasiado dela, receava apaixonar-se e decidira não a tornar ver.

Chegara à conclusão de que não era o seu tipo.

Sofrera um acidente horrível e jazia em coma num hospital.

Morrera.

Por fim, incapaz de conter a impaciência, telefonou a Eva e começou por abordar temas banais, antes de perguntar com ansiedade mal dissimulada:

- Soubeste alguma coisa de George Mellis, ultimamente?

- Não. Julgava que te ia telefonar para jantarem juntos.

- Sim, fomos jantar… a semana passada.

- E não voltaste a saber dele?

- Não.

- Deve estar muito ocupado.

- É provável - admitiu Alexandra, ao mesmo tempo que pensava: “Ninguém está ocupado a esse ponto.” - Não lhe ligues - volveu Eva. - Gostava que conhecesses um canadiano muito atraente que me apresentaram há dias. É dono de uma companhia de aviação e…

Quando finalmente cortou a ligação, reclinou-se na poltrona com um sorriso de satisfação. Lamentava que a avó não pudesse ver como planeara tudo de forma impecável.

- Que mosca lhe mordeu? - perguntou Alice Koppel.

- Desculpe - replicou Alexandra.

De facto dirigia-se a todos com brusquidão, naquela manhã. Haviam-se escoado duas semanas desde que jantara com George Mellis e sentia-se furiosa. Não com ele, mas consigo própria, por não conseguir esquecê-lo. No fundo, o rapaz não lhe devia nada. Eram praticamente dois estranhos que haviam passado um serão juntos, e ela comportava-se como se contasse com o casamento como corolário lógico. George Mellis podia obter qualquer mulher que quisesse. Porque se preocuparia com ela?

A própria avó notou a fase de irritabilidade que atravessava e terminou por perguntar:

- Que tens, minha filha? Obrigam-te a trabalhar de mais na agência?

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- Não, avó. É que… não tenho dormido bem ultimamente.

E quando dormia acudiam-lhe sonhos eró ticos com ele. “Demónios o levem!”

Lamentava que Eva os tivesse apresentado.

O telefonema foi recebido no escritório na tarde seguinte:

- Alex? Fala George Mellis - informou ele desnecessariamente, pois a voz grave e rouca era inconfundível aos ouvidos de Alexandra. - Desculpe não ter falado antes, mas acabo de regressar de Atenas.

- Esteve em Atenas? - articulou ela, sentindo as esperanças reacenderem-se.

- Recorda-se da noite em que jantámos juntos? Na manhã seguinte, Steve, um dos meus irmãos, telefonou-me para comunicar uma notícia desagradável. Meu pai sofrera um ataque cardíaco.

- Meu Deus! - acudia-lhe um remorso quase insustentável, por haver duvidado dele. - Como se encontra?

- Vai recompor-se, felizmente. Pediu-me que regressasse à Grécia, para dirigir o negócio da família.

- Tenciona fazê-lo? - perguntou, contendo o alento.

- Não. Compreendi que o meu lugar é aqui. Não passa um dia ou uma hora sem que pense em si. Quando a posso ver?

- Não tenho qualquer compromisso para esta noite. Mellis sentiu-se quase tentado a indicar outro dos restaurantes preferidos de Alexandra, mas conteve-se a tempo e proferiu:

- Óptimo. Onde quer ir jantar?

- É-me indiferente. E se for em minha casa?

- Isso, não - ele ainda não se considerava preparado para enfrentar Kate. “Evita encontrar-te com minha avó, por enquanto. É o teu maior obstáculo.” - Irei buscála às oito.

Ela pousou o auscultador, beijou Alice Koppel, Vince Bar-nes e Marty Bergheimer e anunciou:

- Vou ao cabeleireiro. Até amanhã. Acompanharam-na com a vista, perplexos, e Alice Koppel afirmou:

- É um homem.

Jantaram no MaxwelTs Plum, onde um empregado de ar solene os conduziu à sala no primeiro piso, depois de atravessarem o concorrido bar em forma de ferradura.

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- Pensou em mim na minha ausência? - perguntou Mellis, depois de escolherem a ementa.

- Sim - Alexandra decidira que tinha de usar da máxima sinceridade com aquele homem tão aberto e vulnerável. - Cheguei a recear que lhe tivesse acontecido alguma coisa. Se não telefonasse, duvido que resistisse mais um dia à incerteza.

“Eva acertou em cheio. Recomendou-me calma e para não telefonar até que ela dissesse.” Invadia-o pela primeira vez a convicção de que o plano resultaria. Até então, deixara -o pairar na periferia do espírito, acarinhando a ideia de vir a controlar a incrível fortuna Blackwell, sem se atrever a aceitá-la como um facto inevitável. Agora, porém, contemplando Alexandra sentada na sua frente, os olhos inundados de adoração, reconhecia que tudo se desenrolava no sentido do êxito final. A rapariga achava -se praticamente em seu poder, o que completava a primeira etapa do plano. Os que se seguiam podiam revestir-se de perigo, mas, com a ajuda de Eva, havia de os superar.

“Estamos metidos nisto juntos, até ao fim, George, e partilharemos tudo em partes iguais.”

No entanto, Mellis não acreditava em sociedades. Quando obtivesse o que lhe interessava e eliminasse Alexandra, ocupar-se-ia de Eva, perspectiva que lhe infundia um prazer especial.

- De que sorri? - quis saber ela.

- Pensava em como é agradável estarmos aqui juntos - murmurou ele, acariciando-lhe a mão sobre a mesa. Em seguida, procurou na algibeira e extraiu uma pequena caixa oblonga. - Trouxe-lhe uma recordação da Grécia.

- Oh, George…

- Veja o q ue é…

- Que maravilha! - murmurou Alexandra, contemplando o colar de brilhantes que ele roubara a Eva.

“É um objecto que não oferece perigo”, afirmara esta última. “Ela nunca o viu.”

Mellis interpretou correctamente a expressão que lhe observou no olhar. Com efeito, vira-a nos de muitas mulheres: bonitas e feias, ricas e pobres. Utilizara -as para os seus fins, e de uma maneira ou de outra, haviam-lhe dado alguma coisa.

Todavia Alexandra proporcionar-lhe-ia muito mais do que todas as outras juntas.

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- Que quer fazer, após o jantar? - perguntou, numa inflexão que constituía uma sugestão inequívoca.

- Estar consigo - foi a resposta sem a mínima hesitação. George Mellis tinha todos os motivos para se orgulhar do seu apartamento, decorado luxuosamente por amantes gratos - homens e mulheres -, que haviam tentado comprar-lhe o afecto com ofertas dispendiosas, e conseguido, sempre temporariamente.

- É encantador - admitiu Alexandra, olhando em volta.

Ele beijou-a com suavidade e depois com maior sofreguidão, enquanto ela quase não se dava conta de que a conduzia para o quarto, no centro do qual se erguia uma ampla cama de casal.