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cheia

de

químicos

altamente

inflamáveis, já reparou? Avistei ali material com o

qual posso fabricar uma arma letal em apenas trinta

segundos. Dê-me trinta segundos a sós e asseguro-lhe

que este doido não voltará a ter-me na mira.”

Tomás ponderou toda esta informação e, com base nela,

começou a arquitectar um plano. O problema seria

convencer Grossman. Que interesse poderia ter ele em

deixá-los escaparem-se?

“Muito bem”, disse com um suspiro na direcção do

israelita.

“Eu entrego-lhe o tubo de ensaio que contém o ADN de

Jesus. Mas primeiro terá de deixar a Valentina afastar-

se. Estamos de acordo?”

Considerando o que ela acabara de dizer, preparou-se

para uma rejeição daquelas condições e para uma

negociação difícil, mas, para sua imensa surpresa, o

polícia aceitou de imediato.

“Combinado.” Grossman ergueu ligeiramente a arma,

apenas o suficiente para deixar de a apontar à cabeça

da italiana, e fez-lhe sinal de que se afastasse.

“Pode ir embora!”

Valentina recuou uns passos e, em alguns segundos,

desapareceu de vista.

“Tudo bem?”, perguntou Tomás para o ar, dirigindo-se

evidentemente à italiana. “Está em segurança?”

“Sim”, respondeu a voz dela, proveniente de lugar

incerto. “Dentro de alguns segundos tenho até pronta a

arma improvisada. O ponto de encontro é junto à saída,”

O português fitou Grossman, que o encarava com a

pistola na mão. Chegara a hora da verdade. O israelita

havia cumprido o seu lado do acordo. Cabia agora a

Tomás fazer a sua parte. E rezar para não levar um tiro

quando deixasse de ser útil.

“O tubo de ensaio?”, perguntou o polícia; a paciência

não era decididamente uma das suas virtudes.

“Agora!”

Tomás varreu a prateleira com o olhar e localizou a

estrutura metálica com os tubos de ensaio pendurados em

fila. Dois haviam tombado, atingidos no fragor do

combate com Sicarius, mas o tubo de ensaio com o

material genético de Jesus, com o seu característico

conteúdo amarelo-esbranquiçado congelado, permanecia

intacto onde o havia deixado. Estendeu a mão enluvada e

retirou-o da estrutura, mostrando-o a Grossman.

“É isto”, disse.

“Vou deixá-lo aqui.”

Pousou-o com cuidado sobre a prateleira e recuou uns

passos. O polícia avançou pelo corredor, a pistola

sempre em riste, até chegar junto da prateleira. Pegou

no tubo de ensaio e analisou-o, certificando-se de que

era o mesmo que havia visto nas mãos de Arpad Arkan. A

cor do conteúdo e o facto de se encontrar congelado

deu-lhe a confirmação que procurava.

Com um movimento rápido e inesperado, apontou a pistola

à cabeça de Tomás.

“Adeus!”

E disparou.

LXXIV

O que salvou Tomás foi um misto de intuição,

comportamento preventivo e reflexos rápidos. Depois de

pousar o tubo de ensaio na prateleira tinha recuado até

um ponto no corredor onde havia uma abertura lateral

entre duas estantes carregadas de bidões com líquidos,

decerto reagentes e outros químicos necessários para o

trabalho de laboratório.

No momento em que Grossman estendeu o braço para

disparar, o português mergulhou pela abertura e

conseguiu escapar à bala assassina, que ainda lhe

zumbiu perto da cabeça.

“Maldição!”, vociferou o polícia quando se apercebeu de

que tinha falhado o alvo.

“Já te apanho!”

O historiador ergueu-se e desatou a correr, determinado

a escapar. Sabia, contudo, que não seria fácil.

Aqueles corredores longos constituíam verdadeiras

carreiras de tiro e bastaria ao polícia colocar-se em

linha de vista para o atingir pelas costas.

Teria por isso de ziguezaguear entre as aberturas e

rezar para encontrar Valentina e para que ela estivesse

de facto preparada com as suas armas improvisadas para

enfrentar o perseguidor.

Crack.

Crack.

Duas novas detonações ecoaram pela câmara com fragor,

sinal de que o mestre dos sicarii o havia alvejado de

novo. Tomás encolheu instintivamente a cabeça e ainda

se interrogou sobre se havia sido atingido, mas

percebeu que a dúvida era idiota; continuar a correr

constituía prova suficiente de que permanecia ileso.

Um súbito clarão amarelo-avermelhado, acompanhado por

um estrondo e por uma vibração do ar obrigou o

português a olhar para trás. Uma bola de fogo crescia

como um balão na parte do corredor por onde acabara de

passar.

Ainda pensou que se tratava do tão aguardado contra-

-ataque de Valentina, talvez com cocktails Molotov ou

outra coisa do género, mas não a avistou em parte

alguma e o facto de a explosão ter ocorrido

precisamente naquele corredor fê-lo perceber o que

acontecera.

Pelo

menos

uma das balas

disparadas

pelo

seu

perseguidor tinha atingido um recipiente com material

inflamável.

As estantes que ardiam estavam cheias de bidões e as

labaredas pareciam formar tentáculos, estendendo-se a

outras estantes e abraçando novos recipientes

carregados de líquidos inflamáveis.

Sucederam-se novas explosões, quase em cadeia. O ar

dava a impressão de bailar sob o choque das sucessivas

deflagrações.

“Meu Deus!”

A nova realidade impôs-se a Tomás.

Cerca de vinte por cento do santo dos santos estava de

repente transformado numa bola de fogo e o incêndio

estendia-se depressa ao resto da câmara, devorando

descontroladamente cada vez mais corredores. Estava

lançada uma corrida infernal. Em breve a bola de fogo

cobriria todo o espaço.

As opções do historiador, tal como as das restantes

pessoas apanhadas naquela emboscada de chamas e fumo,

reduziam-se a uma. Fugir.

Correr para a saída e escapar enquanto havia tempo.

O problema é que a passagem estava bloqueada por uma

porta blindada e Arpad Arkan, que se encontrava fora de

combate, era o único que conhecia a senha. Restava a

Tomás a esperança de que o seu palpite sobre a chave do

código que destrancava a porta fosse correcto.

O português esquadrinhou o santo dos santos em direcção

à única escapatória possível, entrando por aqui e

fugindo por ali, sempre a desviar-se das labaredas que

ocasionalmente lhe bloqueavam o caminho, até por fim se

deparar com o que procurava.

A porta blindada.

O último corredor por onde se meteu desaguou no espaço

diante da porta. Tomás vinha lançado em corrida e só

travou quando embateu com a barriga e as palmas das

mãos no metal que lhe impedia a fuga. A porta blindada