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perímetro do Centro de Pesquisa Molecular Avançada para

identificar aquela vulnerabilidade no dispositivo de

segurança do complexo. Sicarius não tinha dúvidas de

que, se continuasse a inspeccionar o muro, facilmente

localizaria outros pontos fracos. Mas o tempo urgia.

Para quê continuar à procura se já encontrara aquilo de

que precisava?

Pegou na corda e lançou-a sobre a árvore. A primeira

tentativa não resultou, mas à segunda conseguiu enlaçar

um braço sólido do tronco. A corda subia, dobrava o

tronco lá em cima e regressava cá a baixo, formando

assim uma espécie de baloiço. O operacional amarrou uma

das pontas à cintura e olhou em redor, para se

certificar de que ninguém o observava. O local era

abrigado por vários arbustos, dando-lhe condições

adequadas para actuar à luz do dia.

Agarrou a outra ponta da corda com firmeza e começou a

içar o corpo. Sicarius era um homem ágil, fruto do

treino rigoroso a que se submetia diariamente, e em

alguns segundos chegou à copa da árvore. Acomodou-se no

braço mais forte do tronco e vistoriou o complexo. Como

suspeitava, não havia guardas por ali; eles limitavam-

-se a vigiar a entrada. Era possível que fizessem

rondas e o assaltante precisava de tempo para lhes

estudar as rotinas, mas o tempo constituía um luxo de

que não dispunha naquelas circunstâncias. De qualquer

modo, concluiu, seria preciso algum azar para penetrar

no perímetro justamente na altura em que estivesse a

decorrer uma ronda.

Procurou também sinais de câmaras de vigilância. Não

havia avistado nenhuma quando espreitara pelo portão,

uns vinte minutos antes, e nesse momento também não

vislumbrou quaisquer sinais delas. Era provável, porém,

que se encontrassem no interior dos edifícios.

Depois de uma derradeira espreitadela para o perímetro,

testou a resistência do tronco, para se assegurar de

que aguentava o seu peso, e respirou fundo.

“Vamos a isto!”

Deslizou devagar pelo braço do tronco. Aquela parte da

árvore descaiu um pouco, vergada pelo peso do homem

nela encavalitado, mas aguentou. Sicarius avançou com

mil cautelas até se colar ao muro. O tronco tinha-se

inclinado ligeiramente, mas a borda superior do muro

estava ainda ao seu alcance. Tirou o alicate que trazia

guardado no bolso e encaixou-lhe os dentes numa secção

do arame farpado.

Apertou com força.

Claque.

Cortou o arame farpado num ponto e depois prosseguiu

para a secção seguinte. Os claques secos do alicate a

decepar o arame sucederam-se, como se um jardineiro

aparasse uma sebe, e em dois minutos abriu-se uma

clareira no enrodilhado que protegia o topo do muro.

Uma vez a operação completada, olhou de novo para o

interior do complexo, assegurando-se de que não havia

sido avistado. Tudo permanecia calmo.

Satisfeito, Sicarius pendurou-se no muro e içou o corpo

até ao topo. Empoleirado lá em cima, não perdeu tempo.

Recuperou a corda e atirou-a ao solo. Depois lançou-se

para o interior do perímetro. Foi um salto de três

metros, amortecido pela relva macia e pela destreza com

que deu a cambalhota no instante em que tocou no chão.

Rolou pelo relvado e de imediato pôs-se de pé. Pegou na

corda, de que provavelmente precisaria para mais tarde

sair dali, e correu para o arbusto mais próximo.

Já estava dentro.

LVI

A revelação deixou os três visitantes boquiabertos.

Tomás, em particular, mal acreditava no que acabara de

escutar. “Vocês estão a clonar seres humanos?”

Apercebendo-se do choque que haviam causado com a

revelação, os dois anfitriões soltaram uma gargalhada

nervosa.

“Ainda não”, respondeu Arpad Arkan. “Não chegámos aí.”

O sorriso desapareceu e o rosto tornou-se sério. “Mas,

em última instância, é esse de facto o objectivo final

das nossas pesquisas. Queremos ser capazes de clonar

seres humanos.”

“O que quer dizer com isso, queremos?”, questionou

Arnie Grossman. “Se já se clonam ovelhas e ratos e sei

lá mais o quê, o que vos impede de clonar seres

humanos?”

O professor Hammans, que se calara momentaneamente, fez

um gesto na direcção do conteúdo macabro dos jarros

alinhados nas prateleiras da sala onde se encontravam.

“Aquilo”, disse. “Está a ver todos esses animais que aí

guardamos? São o resultado de sucessivas experiências

falhadas. A grande verdade é que a técnica de clonagem

requer ainda uma importante afinação.”

“Que afinação?”, insistiu o polícia israelita. “Se já

se clonaram animais, as afinações estão feitas!...”

O director do Departamento de Biotecnologia do centro

abanou negativamente a cabeça.

“Para se produzir a ovelha Dolly, houve mais de

duzentas experiências que falharam”, revelou. Pegou na

caneta de feltro e redigiu o número 277 no quadro. “A

clonagem

de

Dolly

resultou

à

ducentésima

septuagésima sétima vez. As experiências mostram que

apenas cerca de um por cento dos embriões clonados

chegam a nascer. Claro que andamos a desenvolver novas

técnicas e estamos convencidos que, num futuro mais ou

menos próximo, a percentagem de sucesso será muito mais

elevada.”

“Suficientemente elevada para clonarem seres humanos?”

O professor Hammans caminhou na direcção de uma estante

e acocorou-se junto a um jarro. No interior via-se o

que parecia o corpo de um macaco em miniatura a flutuar

no formol.

“Há ainda diversos problemas a resolver”, indicou.

“Antes de chegarmos ao homem, temos tentado clonar

outros primatas e... não conseguimos. Só aqui no nosso

Centro de Pesquisa Molecular Avançada efectuámos mais

de mil tentativas nos últimos três meses.” Fez um gesto

de desânimo. “Nem uma única funcionou. Dessas mil

experiências, apenas umas cinquenta resultaram num ovo

clonado que se começou a dividir, mas nenhum atingiu a

fase madura, que permite o nascimento.” Indicou o

macaco minúsculo no interior do jarro. “Este embrião

foi o que chegou mais longe.”

“Mas porquê?”, quis saber Tomás. “Qual é o problema?” O

cientista reergueu-se, esboçou um esgar de dor ao

endireitar-se e encarou o grupo.

“As análises que fizemos aos embriões abortados mostram

que

pouquíssimas

células

destes

clones

falhados

continham os núcleos com os cromossomas. Em vez de se

localizarem na gema do ovo, esses cromossomas clonados

estavam espalhados pela clara. Em muitos casos as

células nem sequer tinham o número adequado de