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— Rand, Perrin — murmurou Loial, preocupado. — Fiquem calmos. Não briguem. Não quero vocês brigando. — A mão do tamanho de um pernil de porco deu um tapinha desajeitado no ombro de cada um. — Vocês dois deveriam ir descansar em um pouso. São lugares muito tranquilos, muito relaxantes.

Rand encarou Perrin, que o encarava de volta. Ainda sentia a raiva, os lampejos e relâmpagos numa tempestade que não se dissiparia. Ao longe, os resmungos de Lews Therin de vez em quando ribombavam.

— Me desculpem — pediu, baixinho.

Perrin gesticulou, talvez sinalizando que não havia nada pelo que se desculpar, talvez aceitando, mas não ofereceu um pedido de desculpas. Em vez disso, virou a cabeça de volta para as colunas, na direção da porta por onde Loial entrara. Mais uma vez passaram-se alguns momentos antes que Rand ouvisse alguém se aproximando.

Min adentrou o pátio em uma carreira desabalada. Ignorando Loial e Perrin, ela tomou Rand pelos braços.

— Elas estão vindo — ofegou. — Já estão a caminho.

— Calma, Min — falou Rand. — Acalme-se. Eu estava começando a achar que todas estavam de cama que nem… como foi que você disse que ela se chamava? Demira?

Na verdade, sentia um alívio considerável com a vinda das mulheres, embora os queixumes e as risadas de Lews Therin tivessem aumentado com a simples menção das Aes Sedai. Merana passara três dias indo ao castelo, tão regular quanto a arte dos melhores relojoeiros e sempre acompanhada de duas irmãs, mas as visitas tinham cessado cinco dias antes sem nenhuma explicação. Min não fazia ideia de por quê. Rand andara preocupado que elas tivessem se ofendido com suas ordens e planejassem ir embora.

Mas Min ainda o fitava, parecendo angustiada. Percebeu que ela estava tremendo.

— Me escute! São sete, não três, e não me mandaram vir pedir permissão ou informar você ou nada disso. Escapei de lá antes delas e vim a galope com Rosa. Elas querem entrar no Palácio antes que você perceba que estão aqui. Ouvi Merana falando com Demira quando não sabiam que eu estava por preto. Pretendem chegar ao Grande Salão primeiro, para que você tenha que ir ao encontro delas.

— Acha que pode ser a sua visão? — conjecturou, ainda calmo.

Min tinha dito que mulheres capazes de canalizar iam feri-lo. São sete!, sussurrou Lews Therin, rouco. Não! Não! Não! Rand o ignorou. Não havia muito mais que pudesse fazer.

— Não sei — respondeu Min, aflita. Rand ficou surpreso em perceber que o brilho em seus olhos escuros era resultado de lágrimas contidas. — Acha que eu não diria se soubesse? Só sei que elas estão vindo e que…

— E que não há nada a temer — interrompeu Rand, com firmeza.

As Aes Sedai deviam ter mesmo a assustado, para ela estar a ponto de chorar. Sete, gemeu Lews Therin. Não consigo enfrentar sete, não de uma vez. Sete, não. Rand pensou no angreal do homenzinho gordo, e a voz esmaeceu até os murmúrios, mas ainda parecia incomodada. Pelo menos Alanna não era uma delas. Rand podia senti-la a alguma distância, parada — ou pelo menos sem avançar em sua direção. Não tinha certeza se ousaria ficar cara a cara com ela outra vez.

— Mas também não temos tempo a perder — completou. — Jalani?

A jovem Donzela de bochechas rechonchudas surgiu tão de repente de trás de uma coluna que Loial ficou de orelha em pé. Min pareceu finalmente se dar conta da presença do Ogier e de Perrin. E também se assustou.

— Jalani, diga a Nandera que estou indo para o Grande Salão, onde espero as Aes Sedai daqui a pouco.

A mulher tentou manter uma expressão tranquila, mas o sorriso satisfeito fez suas bochechas parecerem ainda mais cheias.

— Beralna já foi informar Nandera, Car’a’carn.

Ao ouvir o título, as orelhas de Loial tremeluziram de surpresa.

— Então poderia ir dizer para Sulin me encontrar nos quartos de vestir atrás do Grande Salão e levar meu casaco? E o Cetro do Dragão.

Jalani abriu um largo sorriso.

— Sulin já saiu correndo com o vestido de aguacenta, indo mais rápido que uma égua de focinho cinza que se sentou em espinhos de segade.

— Nesse caso, pode levar meu cavalo para o Grande Salão.

A jovem Donzela ficou boquiaberta, ainda mais quando Perrin e Loial se curvaram de tanto rir.

Min socou suas costelas, fazendo-o soltar um grunhido.

— Isso não é motivo para brincadeiras, seu fazendeiro cabeça dura! Merana e as outras estavam se enrolando nos xales como se estivessem vestindo armaduras. Agora preste atenção: vou ficar de lado, atrás das colunas, de modo que você possa me ver e elas não. Aí, se eu vir alguma coisa, faço um sinal.

— Você vai ficar aqui com Perrin e Loial — retrucou ele. — Não sei que tipo de sinal você poderia fazer que eu entendesse, e se elas a virem, vão saber que você me avisou. — Min olhou feio para ele com as mãos nos quadris, aquela postura típica das mulheres irritadas. — Min?

Para sua surpresa, ela suspirou e respondeu:

— Está bem, Rand — disse, com voz mansa.

Vinda dela, aquela obediência o deixava tão desconfiado quanto se tivesse vindo de Elayne ou Aviendha, mas, se quisesse estar no Grande Salão antes de Merana, não tinha tempo de ficar conjecturando. Aquiescendo, esperou não aparentar toda a insegurança que sentia.

Enquanto se perguntava se não deveria ter pedido a Perrin e Loial que a mantivessem ali — Min teria adorado —, Rand foi depressa até os quartos de vestir atrás do Grande Salão, com Jalani em seus calcanhares, ainda resmungando querendo saber se o cavalo fora ou não brincadeira. Sulin já estava lá, estendendo um casaco vermelho com bordados em ouro e o Cetro do Dragão. A ponta de lança gerou um grunhido de aprovação, embora ela sem dúvida a teria achado mais aceitável sem as borlas verdes e brancas, com uma haste de tamanho apropriado e sem entalhes. Rand tateou para se assegurar que o angreal estava no bolso. Estava. Enfim respirou com mais tranquilidade, apesar de Lews Therin ainda ofegar de ansiedade.

Rand atravessou correndo o quarto de vestir com painéis de leões e adentrou o Grande Salão, só para descobrir que todos tinham sido tão rápidos quanto Sulin. Bael, de braços cruzados, se assomava ao lado do estrado do trono, e Melaine estava de pé no outro lado, ajustando o xale escuro com toda a calma. Agachadas sobre um dos joelhos e sob o olhar vigilante de Nandera, cem ou mais Donzelas no traje completo, com as lanças, os broquéis, arcos de chifre cobertos às costas e aljavas cheias nas cinturas, formavam filas a partir de todas as portas. Só os olhos despontavam acima dos véus negros. Jalani correu para se juntar a uma das filas. Por trás delas, mais Aiel atulhavam-se em meio às espessas colunas, tanto homens quanto Donzelas, apesar de nenhum parecer estar armado com mais que as facas de lâminas pesadas. Ainda assim, havia vários rostos soturnos — não deviam estar vendo com bons olhos a ideia de um confronto com as Aes Sedai, e não por medo do Poder. Não importava o que Melaine e as Sábias dissessem a respeito das mulheres da Torre, quase todos os Aiel ainda tinham o antigo fracasso de seu povo muito vivo na memória.

Bashere não estava presente, claro — ele e a esposa estavam em um dos campos de treinamento —, assim como nenhum dos nobres andorianos que andavam em grupos pelo Palácio. Rand tinha certeza de que Naean, Elenia, Lir e todo aquele pessoal tinham ficado a par daquela assembleia assim que os preparativos começaram — eles nunca perdiam uma audiência do trono, a menos que Rand os mandasse embora. Sua ausência só poderia indicar que, enquanto estavam a caminho do Grande Salão, também tinham descoberto o motivo. O que significava que as Aes Sedai já estavam no Palácio.

De fato, assim que Rand se sentou no Trono do Dragão com o Cetro em seus joelhos, a Senhora Harfor entrou às pressas, nervosa, o que era bastante incomum para ela. Encarando Rand e todos os Aiel com a mesma perplexidade, anunciou: