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— Min, se eu tiver que enfrentar essas mulheres, prometo dar um jeito de manter você longe do perigo.

Como um homem conseguiria enfrentar treze delas? Só de pensar naquilo, Lews Therin explodiu outra vez, aos berros.

Para a surpresa de Rand, Min tirou as conhecidas facas das mangas com um floreio, então guardou tudo de volta com a mesma delicadeza — devia estar treinando.

— Você pode me puxar pela orelha daqui até Cairhien ou qualquer outro lugar, mas acho bom você pensar duas vezes se pretende me mandar para onde for, pastorzinho.

Rand não sabia por quê, mas tinha certeza de que não era aquilo que ela pretendia dizer quando começou a falar. Foi apenas o que acabou saindo.

Quando chegaram aos aposentos de Perrin, Rand deu de cara com uma multidão. De um dos lados da sala de estar estavam Perrin e Loial, ambos sem nem terem vestido o casaco, sentados de pernas cruzadas sobre o tapete azul enquanto fumavam seus cachimbos com Gaul, um Cão de Pedra que Rand se lembrava de ter visto na queda da Pedra de Tear. Faile estava sentada do outro lado do aposento, igualmente no chão, junto de Bain e Chiad, que também tinham estado presentes na Pedra. Pela porta aberta que dava para o aposento anexo, Rand viu Sulin trocando as roupas de cama, jogando-as de qualquer jeito como se preferisse rasgá-las em pedacinhos. Todos ergueram os olhos quando ele e Min entraram, e Sulin veio até a porta.

Houve uma boa dose de confusão quando Rand explicou sobre as treze Aes Sedai e o que Min ouvira. Mas nada sobre as visões. Alguns ali sabiam, mas alguns poderiam não saber, e ele não contaria aquilo para ninguém — não sem que Min decidisse contar, o que não era o caso. E também não falou nada de Lews Therin, claro. Não que tivesse medo do que poderia lhe acontecer em uma cidade com treze Aes Sedai, mesmo que elas não fizessem nada. Aquelas mulheres que pensassem que ele estava com medo, se quisessem — e ele próprio não podia afirmar que não estava. Lews Therin se mantivera calado, mas Rand ainda podia senti-lo, olhos intensos observando-o durante a noite. Raiva e medo e talvez até pânico se arrastavam pela parede externa do Vazio feito aranhas enormes.

Perrin e Faile começaram a arrumar a bagagem na mesma hora, e Bain e Chiad conversaram naquela linguagem de sinais antes de anunciar que iriam acompanhar Faile, ao que Gaul anunciou que acompanharia Perrin. Rand não entendia o que estava se passando ali, mas tinha algo a ver com Gaul não olhar para Bain ou Chiad e as duas não olharem para ele. Loial saiu correndo, resmungando sozinho sobre quanto Cairhien era bem mais longe de Dois Rios do que Caemlyn e sobre a fama da mãe de conseguir andar bastante. Quando ele voltou, carregava uma trouxa mal amarrada debaixo do braço e alforjes imensos por cima do ombro, com camisas saindo pelos bolsos e pelas aberturas. Loial estava pronto para partir imediatamente. Sulin também sumiu e voltou trazendo uma trouxa de vestidos vermelhos e brancos. Com a expressão congelada naquela expressão servil incongruente, ela grunhiu alguma coisa sobre ter recebido ordens de servir a ele, a Perrin e a Faile, e só um lagarto com insolação acharia isso possível com ela em Caemlyn enquanto todos estavam em Cairhien. Até acrescentou um “Milorde Dragão” no final, que soou mais como um xingamento, e uma mesura. Surpreendentemente, daquela vez ela não perdeu o equilíbrio em nenhum momento, o que pareceu deixá-la tão impressionada quanto Rand.

Nandera chegou quase junto com a Senhora Harfor, que trazia um estojo com várias canetas de ponta de aço, além de papel, tinta e cera de selagem suficientes para cinquenta cartas, o que acabou por vir a calhar.

Perrin quis escrever para Dannil Lewin, mandando-o seguir viagem com os outros homens de Dois Rios — não parecia ter a menor intenção de deixá-los para as Aes Sedai —, e só não pediu para que levassem Bo e as outras garotas quando Rand e Faile salientaram que, para começo de conversa, as Aes Sedai não as deixariam ir e que, além de tudo, era pouco provável que elas quisessem acompanhá-los. Faile fora com ele à estalagem, mais de uma vez, e até mesmo Perrin teve que admitir que as garotas pareciam impacientes para se tornarem logo Aes Sedai.

A própria Faile tinha duas cartas rápidas para escrever, tanto para a mãe quanto para o pai, para que eles não se preocupassem. Rand não sabia qual carta era para quem, mas as duas pareciam ter sido escritas em tons muito diferentes. A primeira, Faile recomeçou várias vezes para então rasgar o pergaminho, e cada palavra a deixava de cenho franzido; a outra foi escrita às pressas, em meio a sorrisos e risadinhas — Rand achou que devia ser a da mãe. Min escreveu para um amigo chamado Mahiro, também hospedado com as Aes Sedai. Por algum motivo, ela fez questão de dizer a Rand que se tratava de um homem mais velho, mesmo corando ao mencionar a idade do sujeito. Até Loial pegou papel e caneta, depois de alguma hesitação. Teve que usar sua própria pena, já que as canetas humanas seriam engolidas naquelas mãos enormes. Ele selou o bilhete e o entregou à Senhora Harfor com um pedido acanhado para que, se houvesse oportunidade, ela o entregasse pessoalmente. O polegar do tamanho de uma salsicha gorda cobria quase todo o nome do destinatário, escrito tanto no alfabeto humano quanto nas letras dos Ogier, mas, com o Poder Único aguçando a visão, Rand identificou o nome de Erith. Ainda assim, Loial não demonstrava querer esperar e entregar ele mesmo a mensagem.

Suas cartas foram tão difíceis de escrever quanto a primeira mensagem de Faile, mas por motivos distintos. O suor que gotejava do rosto fazia a tinta se espalhar, e sua mão tremia tanto que ele precisou recomeçar mais de uma vez depois de tanto manchar e borrar o papel. Ainda assim, Rand sabia muito bem o que queria dizer. Para Taim, enviou um alerta sobre as treze Aes Sedai e uma reiteração das ordens de se manter longe das mulheres. Para Merana mandou um tipo diferente de alerta, junto com uma espécie de convite. Era inútil que tentasse se esconder, já que Alanna poderia encontrá-lo em qualquer lugar do mundo, mas o encontro seria em seus termos, se ele pudesse garantir isso.

Passou um tempo encarando a Senhora Harfor quando ela lhe entregou um selo de pedra-verde com um Dragão entalhado, mas a mulher respondeu com um olhar neutro inabalável. Quando enfim selou as cartas, Rand se virou para Nandera.

— Já reuniu suas vinte Donzelas?

Nandera ergueu as sobrancelhas.

— Vinte? Seu recado foi para eu trazer quantas quisesse e que talvez você não fosse voltar. Tenho quinhentas, e teria trazido mais se não tivesse decidido eu própria estabelecer um limite.

Rand apenas assentiu. Sua cabeça estava quieta, apenas com os próprios pensamentos, mas sentia Lews Therin ali, junto com ele no Vazio, aguardando feito uma mola tensionada. Só depois de passar todos pelo portão que dava para a câmara em Cairhien e deixar a passagem se fechar, diminuindo a percepção de Alanna para uma vaga impressão de que ela estava em algum ponto a oeste; só então Lews Therin pareceu se afastar. Foi como se, exaurido pela luta por controle, o homem tivesse caído no sono. Por fim, Rand afastou saidin, só então reparando em quanto estava desgastado por conta do embate. Loial teve que o carregar até seus aposentos no Palácio do Sol.

Merana estava sentada, bem quieta, junto à janela da sala de estar, de costas para a rua, com a carta de Rand al’Thor no colo. Já sabia o conteúdo de cor.

Começava com “Merana”. Não com “Merana Aes Sedai”, nem mesmo “Merana Sedai”.

Merana,

Certa vez, um amigo me disse que, na maioria dos jogos de dados, o número treze é considerado quase tão azarado quanto lançar os Olhos do Tenebroso. Também acho que treze é um número azarado. Estou indo para Cairhien. Pode me seguir como puder, sem levar mais que cinco outras irmãs. Assim, estará em pé de igualdade com as emissárias da Torre Branca. Ficarei muito descontente se você tentar levar mais mulheres. Não me pressione mais. Me resta pouca confiança para depositar em quem quer que seja.