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- Foi tudo feito conforme discutimos em Osaka – disse Yabu. - Mas por que não ficar comigo alguns dias? Eu ficaria honrado e isso se comprovaria muito útil. O senhor poderia aprovar a escolha dos duzentos e cinqüenta homens para o Regimento de Mosquetes, e conhecer o comandante.

- Nada me agradaria mais do que isso, mas preciso estar em Yedo tão rápido quanto possível, Yabu-san.

- Dois ou três dias? Por favor. Alguns dias sem preocupações fariam bem ao senhor, neh? Sua saúde é importante para mim... para todos os seus aliados. Um pouco de descanso, boa comida e caça.

Toranaga procurava desesperadamentc uma solução. Ficar ali com apenas cinquenta guardas era impensável. Estaria totalmente em poder de Yabu, e isso seria pior do que a sua situação em Osaka. Pelo menos íshido era previsível e sofreado por certas regras. Mas Yabu? Yabu é tão traiçoeiro quanto um tubarão, e você não tenta tubarões, disse ele a si mesmo. E jamais nas águas em que eles moram. E jamais com a sua própria vida. Ele sabia que o acordo que fizera com Yabu em Osaka tinha tanta substân¬cia quanto o peso da urina deles ao atingir o solo, já que Yabu acreditava poder conseguir melhores concessões de íshido. E se Yabu apresentasse a cabeça de Toranaga a Íshido numa salva de madeira, conseguiria imediatamente muito mais do que Toranaga estava preparado para oferecer.

Matá-lo ou desembarcar? Eram essas as opções.

- O senhor é muito gentil - disse ele. - Mas preciso chegar a Yedo. - Nunca pensei que Yabu teria tempo para reunir tantos homens aqui. Será que decifrou o nosso código?

- Por favor, permita-me insistir, Toranaga-sama. A caça é excelente na redondeza. Tenho falcões com meus homens. Uma pequena caçada depois de ter estado confinado em Osaka seria bom, neh?

- Sim, seria bom caçar hoje. Lamento ter perdido meus falcões lá.

- Mas não estão perdidos. Certamente Hiro-matsu os trará consigo para Yedo.

- Ordenei-lhe que os soltasse assim que tivéssemos partido. Na altura em que alcançarem Yedo. estarão destreinados c corrompidos. É uma das minhas poucas regras; fazer voar apenas os falcões que eu tenha treinado, e não cedê-los a nenhum outro amo. Desse modo eles cometem apenas os meus erros.

- É uma boa regra. Gostaria de ouvir as outras. Talvez durante a refeição, esta noite?

Preciso deste tubarão, pensou Toranaga amargamente. Matá-lo agora é prematuro.

Duas cordas foram atiradas a terra para serem agarradas e atadas. As cordas se retesaram e estalaram sob a tensão, e a galera girou para o lado habilmente. Os remos foram travados. A escada de embarque deslizou para o lugar c Yabu se postou ao topo dela.

Imediatamente os samurais reunidos entoaram seu grilo de batalha em uníssono:

- Kasigi! Kasigi! - e o estrondo que causaram fez as gaivotas ganharem altura grasnando e crocitando. Como se fossem um único homem, os samurais se curvaram.

Yabu retribuiu a reverência, depois se voltou para Toranaga e acenou-lhe expansivo.

- Vamos desembarcar.

Toranaga olhou por sobre os samurais concentrados, os aldeões prostrados no pó, e perguntou a si mesmo: será que é aqui que morrerei pela espada, conforme predisse o astrólogo? Certa¬mente a primeira parte aconteceu: meu nome agora está escrito nos muros de Osaka.

Afastou o pensamento. No topo da escada, chamou alio e imperioso os seus cinquenta samurais, que agora usavam o uniforme marrom como ele.

- Vocês todos! Fiquem aqui! Você, capitão, prepare-se para a partida imediatamente! Mariko-san, você ficará em Anjíro por três dias. Leve o piloto e Fujiko-san a terra imediatamente e espere por mim na praça. - Depois encarou a praia e para espanto de Yabu aumentou a força da voz: - Agora, Yabu-san, inspecionarei os seus regimentos! - Imediatamente passou ao lado dele e iniciou a descida pela prancha com toda a arrogância confiante do general combativo que era.

Nenhum general jamais vencera mais batalhas do que ele e nenhum era mais ardiloso, com exceção do táicum, e este estava morto. Nenhum general combatera em mais batalhas, ou era sequer mais paciente ou perdera tão poucos homens. E ele nunca fora derrotado.

Um zunzum de assombro percorreu velozmente a praia toda quando ele foi reconhecido. Aquela inspeçáo era completamente inesperada. Seu nome foi passado de boca em boca e a força do sussurro, a admiração que gerava, eram-lhe gratificantes. Sentiu que Yabu o seguia, mas não olhou para trás.

- Ah, Igurashi-san - disse ele com uma cordialidade que não sentia -, é bom vê-lo de novo. Venha, vamos inspecionar juntos os seus homens.

- Sim, senhor.

- E você deve ser Kasigi Omi-san.  Seu pai  é um  velho companheiro de armas meu. Acompanhe-nos, também.

- Sim, senhor - retrucou Omi, sentindo-se crescer com a honra que lhe era feita. - Obrigado.

Toranaga estabeleceu um passo célere. Levara-os consigo para impedi-los de conversar em particular com Yabu por enquanto, sabendo que a sua vida dependia de conservar a iniciativa.

- Você não lutou conosco em Odawara, Igurashi-san? - perguntou ele, já sabendo que fora lá que o samurai perdera o olho.

- Sim, senhor. Tive a honra. Eu estava com o Senhor Yabu e servimos na ala direita do taicum.

- Então ocupou o lugar de honra, onde a luta foi mais árdua. Tenho muito que lhe agradecer, e ao seu amo.

- Esmagamos o inimigo, senhor. Estávamos apenas cumprindo o nosso dever. - Embora detestasse Toranaga, Igurashi estava orgulhoso da ação ser lembrada e de estar recebendo agradecimento.

Haviam chegado à frente do primeiro regimento. A voz de Toranaga alteou-se.

- Sim, você e os homens de Izu nos ajudaram grandemente. Talvez, não fossem vocês eu não teria obtido o Kwanto! Hein, Yabu-sama? - acrescentou ele, parando repentinamente, dando publicamente a Yabu o título superior e, em conseqüência, a honra superior.

Novamente Yabu ficou perturbado com a lisonja. Sabia que não era mais do que lhe era devido, mas não a esperara de Toranaga, e nunca fora sua intenção permitir uma inspeção formal.

- Talvez, mas duvido. O taicum ordenou que o clã Beppu fosse arrasado. Portanto foi arrasado.

Isso acontecera dez anos antes, quando apenas o enormemente poderoso e antigo clã Beppu, liderado por Beppu Genzaemon, se opunha às forças combinadas do General Nakamura, o futuro taicum, e de Toranaga - o último grande obstáculo ao domínio completo do império por Nakamura. Durante séculos os Beppu tinham sido senhores das Oito Províncias, o Kwanto. Cento e cinqüenta mil homens cercaram o seu castelo-cidade de Odawara, que guardava a passagem que cortava as montanhas, levando às planícies de arroz inacreditavelmente ricas. O cerco durou onze meses. A nova consorte de Nakamura, a patrícia Senhora Ochiba, radiante e mal e mal com dezoito anos, viera para a casa do seu senhor do lado de fora das ameias, o filho recém-nascido nos braços, Nakamura perdido de amores pelo primeiro filho. E com a Senhora Ochiba viera a irmã mais nova, Genjiko, que Nakamura propusera dar em casamento a Toranaga.

- Senhor - dissera Toranaga -, eu certamente ficaria honrado em unir as nossas casas, mas ao invés de eu me casar com a Senhora Genjiko, como sugere, deixe-a casar-se com meu filho o herdeiro, Sudara.

Toranaga levara muitos dias para persuadir Nakamura, que acabara concordando. Então, quando a decisão fora anunciada à Senhora Ochiba, ela respondera imediatamente:

- Com toda a humildade, senhor, oponho-me ao casamento.

Nakamura rira.

- Eu também! Sudara tem apenas dez anos e Genjiko treze. Ainda assim, agora estão prometidos um ao outro o no décimo quinto aniversário dele os dois se casarão.

- Mas, senhor, o Senhor Toranaga já é seu cunhado, neh? Com certeza isso é suficiente como ligação. O senhor precisa de elos mais íntimos com os Fujimoto e os Takashima, e mesmo com a corte imperial.