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- Sim. Obrigado. Isso seria ótimo.

- Acha que pode se levantar?

- Sim. Acho que sim.

- Yabu-san pergunta se o senhor gostaria de um palanquim.

Blackthorne pensou sobre isso. Finalmente decidiu que um samurai caminharia - tentaria caminhar.

- Não, obrigado - disse ele, apesar do muito que teria gostado de se reclinar, de ser carregado, de fechar os olhos e dormir imediatamente. Ao mesmo tempo sabia que teria medo de dormir ainda, caso aquele fosse o sonho de pós-morte e a faca não estivesse lá, sobre o futon, mas ainda enterrada no seu verdadeiro eu, e aquilo fosse o inferno, ou o começo do inferno.

Lentamente pegou a faca e estudou-a, comprazendo-se com a percepção real. Depois colocou-a na bainha, tudo levando muito tempo.

- Desculpe por ser tão lento - murmurou ele.

- Não precisa se desculpar, Anjin-san. Esta noite o senhor renasceu. Esta é outra vida, uma nova vida - disse Mariko orgulhosamente, sentindo muita honra por ele. - O regresso é concedido a poucos. Não se desculpe. Sabemos que requer grande coragem. Muitos homens não têm força suficiente, depois, sequer para se levantar. Posso ajudá-lo?

- Não. Não, obrigado.

- Não é desonra ser ajudado. Eu ficaria honrada em ser autorizada a ajudá-lo.

- Obrigado. Mas eu ... eu quero tentar. Primeiro.

Mas ele não conseguiu se levantar imediatamente. Teve que usar as mãos para se pôr de joelhos e fazer uma pausa para reunir mais força. Tomou impulso, pôs-se de pé e quase caiu. Cambaleou, mas não caiu.

Yabu curvou-se. E Mariko, Omi e Igurashi.

Blackthorne caminhou como um bêbado os primeiros dez passos. Agarrou-se a um pilar e apoiou-se um instante. Depois recomeçou. Vacilava, mas estava andando, sozinho. Como um homem. Mantinha uma mão sobre a espada comprida à cintura e a cabeça erguida.

Yabu respirou e bebeu avidamente do saquê. Quando conseguiu falar, disse a Mariko:

- Por favor, siga-o. Veja que ele chegue em casa em segurança.

- Sim, senhor.

Quando ela saiu, Yabu voltou-se para Igurashi:

- Seu imbecil, monte de esterco!

Imediatamente Igurashi baixou a cabeça até tocar a esteira, em penitência.

- Blefe, você disse, neh? Sua estupidez quase me custou um tesouro inestimável.

- Sim, senhor, tem razão. Rogo-lhe que me permita pôr fim à vida imediatamente.

- Isso seria bom demais para você! Vá viver nos estábulos até que eu mande chamá-lo! Durma com os estúpidos cavalos. Você é um imbecil com cabeça de cavalo!

- Sim, senhor. Peço desculpas, senhor.

- Saia! Omi-san comandará os atiradores agora. Saia!

As velas tremulavam e crepitavam. Uma das criadas derramou uma minúscula gota de saquê sobre a pequena mesa laqueada diante de Yabu e ele a cobriu de imprecações. Os outros pediram desculpas imediatamente. Ele se permitiu ser aplacado, e aceitou mais vinho.

- Blefe? Blefe, ele disse. Imbecil! Por que tenho imbecis à minha volta?

Omi não disse nada, rebentando de riso por dentro.

- Mas você não é imbecil, Omi-san. Seu conselho é valioso. A partir de hoje seu feudo fica dobrado. Seis mil kokus. Para o próximo ano. Tome trinta ris em torno de Anjiro como feudo seu.

Omi curvou-se até o futon. Yabu merece morrer, pensou com desprezo, é tão fácil de manipular.

 Não mereço nada, senhor. Só estava cumprindo o meu dever.

- Sim. Mas um suserano recompensa a lealdade e o dever.

- Yabu estava usando a espada Yoshitomo aquela noite. Dava-lhe grande prazer tocá-la. - Suzu - chamou ele uma das criadas -, mande Zukimoto aqui!

- Dentro de quanto tempo a guerra começará? - perguntou Omi.

- Começará este ano. Você talvez tenha seis meses, talvez não. Por quê?

- Talvez a Senhora Mariko devesse ficar mais que três dias. A fim de proteger o senhor.

- Hein? Por quê?

- Ela é a boca do Anjin-san. Em meio mês, com ela aqui, ele pode treinar vinte homens, os quais podem treinar uma centena, que pode treinar o resto. Depois, se ele viver ou morrer não terá importância.

- Por que ele morreria?

- O senhor vai duvidar do Anjin-san novamente, no próximo desafio ou no seguinte. O resultado pode ser diferente da próxima vez, quem é que sabe? O senhor pode desejar que ele morra. - Ambos sabiam, assim como Mariko e Igurashi, que para Yabu o fato de jurar por qualquer deus não tinha significado algum e, naturalmente, que ele não tinha intenção alguma de manter qualquer promessa. - O senhor pode querer pressioná-lo. Uma vez que disponha da informação, para que servirá a carcaça?

- Para nada.

- O senhor precisa aprender a estratégia de guerra bárbara, mas deve fazê-lo rapidamente. O Senhor Toranaga pode mandar buscá-lo, portanto o senhor precisa ter a mulher o mais que puder. Meio mês seria suficiente para espremer-lhe da cabeça tudo o que ele sabe, agora que o senhor tem a sua completa dedicação. O senhor terá que experimentar, que adaptar os métodos dele aos nossos meios. Sim, levaria no mínimo meio mês. Neh?

- E Toranaga-san?

- Ele concordará, se a coisa lhe for apresentada corretamente, senhor. Tem que concordar. As armas são dele assim como suas. E a presença dela aqui é útil de outros modos.

- Sim - disse Yabu com satisfação, pois o pensamento de retê-la como refém também lhe entrara na cabeça no navio, quando planejara oferecer Toranaga como sacrifício a Ishido. – Toda Mariko deve ser protegida, certamente. Seria muito mal que ela tombasse em mãos malignas.

- Sim. E talvez ela pudesse ser o meio de controlar Hiromatsu, Buntaro, e todo o clã, até Toranaga.

- Redija você a mensagem sobre ela.

De supetão, Omi disse:

- Minha mãe recebeu notícias de Yedo hoje, senhor. Pediu-me que lhe dissesse que a Senhora Genjiko presenteou Toranaga com o primeiro neto.

Imediatamente Yabu se pôs atento. O neto de Toranaga!

Toranaga poderia ser controlado através da criança? O neto assegura a dinastia de Toranaga, neh? Como posso ficar com o recém-nascido como refém?

- E Ochiba, a Senhora Ochiba? - perguntou ele.

- Partiu de Yedo com todo o seu séquito. Há três dias. Nesta altura encontra-se a salvo em território de Ishido.

Yabu pensou em Ochiba e na irmã, Genjiko. Tão diferentes! Ochiba, vital, bela, astuciosa, incansável, a mulher mais desejável do império e mãe do herdeiro. Genjiko, a irmã mais nova, calma, meditativa, lisa e franca, com uma crueldade que se tornara lendária, herdada da mãe, uma das irmãs de Goroda. As duas irmãs se amavam, mas Ochiba odiava Toranaga e a sua estirpe, assim como Genjiko detestava o taicum e Yaemon, filho dele. Será que foi realmente o taicum quem gerou o filho de Ochiba? perguntou-se Yabu novamente, como todos os daimios o faziam secretamente há anos. O que eu não daria para conhecer a resposta a isso! O que eu não daria para possuir aquela mulher!

- Agora que a Senhora Ochiba não é mais refém em Yedo... isso poderia ser bom e mau - disse Yabu, apalpando terreno. - Neh?

- Bem, apenas bom. Agora Ishido e Toranaga têm que começar muito em breve. - Omi deliberadamente omitiu o "sama" dos dois nomes. - A Senhora Mariko devia ficar, pela sua proteção.

- Providencie. Redija a mensagem a enviar a Toranaga.

Suzu, a criada, bateu discretamente e abriu a porta. Zukimoto entrou na sala.

- Senhor?

- Onde estão todos os presentes que mandei vir de Mishima para Omi-san?

- Estão todos no depósito, senhor. Aqui está a lista. Os dois cavalos podem ser escolhidos nos estábulos. Deseja que eu faça isso agora?

- Não. Omi-san escolherá amanhã. - Yabu deu uma olhada na lista cuidadosamente escrita: "Vinte quimonos (segunda qualidade); duas espadas; uma armadura (consertada, mas em bom estado); dois cavalos; armas para cem samurais; uma espada, elmo, peitoral, arco, vinte setas e uma lança para cada homem (da melhor qualidade). Valor totaclass="underline" quatrocentos e vinte e seis kokus. Também a pedra chamada A Pedra da Espera - valor: inestimável".