Выбрать главу

Yabu deu uma olhada em Igurashi.

- Bem?

- Concordo com Omi-san, senhor. - O rosto de Igurashi refletia a sua preocupação. - Quanto a matar o mensageiro, isso seria perigoso, não haveria caminho de volta, senhor. Jozen certamente enviará um ou dois amanhã. Talvez eles pudessem desaparecer, mortos por bandidos... - Ele se deteve no meio da frase. - Pombos-correio! Havia dois cestos nos cavalos de carga de Jozen!

- Teremos que envenená-los esta noite - disse Omi.

- Como? Eles serão vigiados.

- Não sei. Mas têm que ser eliminados antes do amanhecer.

- Igurashi - disse Yabu -, mande homens para vigiar Jozen imediatamente. Veja se ele envia um dos pombos agora, hoje.

- Sugiro que o senhor mande todos os seus falcões e falcoeiros para o leste, também imediatamente - acrescentou rapidamente Omi.

- Ele suspeitará de traição se vir seus pássaros abatidos ou se perceber que mexeram neles - disse Igurashi.

Omi deu de ombros.

- Os pássaros têm que ser detidos.

Igurashi olhou para Yabu. Yabu assentiu, resignado.

- Faça isso.

Quando Igurashi voltou, disse:

- Omi-san, ocorreu-me uma coisa. Muito do que disse estava certo, sobre Jikkyu e o Senhor Ishido. Mas se aconselha fazer os mensageiros "desaparecerem", por que brincar com Jozen? Por que dizer alguma coisa a ele? Por que não matá-lo imediatamente?

- Por que não, realmente? A menos que isso pudesse divertir a Yabu-sama. Concordo que seu plano é melhor, Igurashi-san - disse Omi.

Os dois olharam para Yabu.

- Como posso conservar os atiradores em segredo? - perguntou-lhes este.

- Mate Jozen e os seus homens - retrucou Omi.

- Não há outro meio?

Omi balançou a cabeça. Igurashi balançou a cabeça.

- Talvez eu pudesse negociar com Ishido - disse Yabu, abalado, tentando pensar num modo de sair da armadilha. - Você tem razão sobre o tempo. Tenho dez dias, catorze no máximo. Como lidar com Jozen e ainda deixar tempo para manobrar?

- Seria prudente fingir que o senhor vai a Osaka - disse Omi. - Mas não há mal em informar Toranaga imediatamente, neh? Um dos nossos pombos poderia chegar a Yedo antes do pôr-do-sol. Talvez. Não há mal algum nisso.

- O senhor poderia falar ao Senhor Toranaga sobre a chegada de Jozen - disse Igurashi -, e sobre a reunião do conselho dentro de vinte dias, sim. Mas quanto ao assassinato do Senhor Ito, isso é perigoso demais para pôr por escrito, mesmo se... Perigoso demais, neh?

- Concordo. Nada sobre Ito. Toranaga deve pensar nisso por si mesmo. E óbvio, neh?

- Sim, senhor. Impensável, mas óbvio.

Omi esperou em silêncio, a mente procurando uma solução freneticamente. Yabu estava de olhos nele, mas Omi não sentiu medo. Seu conselho fora razoável e oferecido apenas para a proteçãd do clã, da família e de Yabu, o atual líder do clã. O fato de Omi haver decidido eliminar Yabu e mudar a liderança não o impediu de aconselhá-lo sagazmente. E estava preparado para morrer agora. Se Yabu fosse tão estúpido a ponto de não aceitar a verdade evidente das suas idéias, então logo não haveria clã algum para liderar. Karma.

Yabu inclinou-se para a frente, ainda irresoluto.

- Existe algum modo de eliminar Jozen e seus homens sem perigo para mim, e permanecer descomprometido por dez dias?

- Naga. Tente de algum modo aprontar uma armadilha com Naga - disse simplesmente.

Ao crepúsculo, Blackthorne e Mariko atingiram o portão da casa dele, seguidos de batedores. Estavam ambos cansados. Ela cavalgava como um homem, usando calças folgadas e, sobre elas, um manto afivelado. Usava também um chapéu de aba larga e luvas para se proteger do sol. Até as camponesas tentavam proteger o rosto e as mãos dos raios de sol. Desde tempos imemoriais, quanto mais escura fosse a pele, mais comum era a pessoa; quanto mais branca, mais apreciada.

Criados pegaram as rédeas e levaram embora os cavalos. Blackthorne dispensou os batedores num japonês tolerável e saudou Fujiko, que esperava sempre.

- Posso servir-lhes o chá, Anjin-san? - disse ela cerimoniosamente, como sempre.

- Não - disse ele, como sempre. - Primeiro vou tomar banho. Depois saquê e um pouco de comida.

E, como sempre, retribuiu-lhe a reverência e seguiu pelo corredor até os fundos da casa, saiu para o jardim e tomou o caminho circundante que levava à casa de banho, de taipa. Uma criada tirou-lhe a roupa, ele entrou e se sentou, nu. Outra criada o esfregou, ensaboou-o e verteu-lhe água em cima para lavar a espuma e a sujeira. Depois, completamente limpo, gradualmente - porque a água estava muito quente - entrou na imensa banheira de ferro e deitou-se.

- Jesus Cristo, isto é formidável - exultou ele, e deixou orgulhosamente na varanda, como que o calor se infiltrasse nos músculos, os olhos fechados, o suor escorrendo pela testa.

Ouviu a porta se abrir, a voz de Suwo e "Boa noite, amo" seguido de muitas palavras em japonês que não compreendeu. Mas naquela noite estava cansado demais para tentar conversar com Suwo. E o banho, conforme Mariko explicara muitas vezes, "não é meramente para limpar a pele. O banho é um presente que Deus ou os deuses nos deram, um prazer conferido por Deus, para ser apreciado e tratado como tal".

- Sem conversa, Suwo - disse ele. - Esta noite quero penso.

- Sim, amo. Perdão, mas o senhor devia dizer: "Esta noite quero pensar".

- Esta noite quero pensar - repetiu Blackthorne, tentando pôr os sons quase incompreensíveis na cabeça, contente por ser corrigido, mas exausto disso.

- Onde está o dicionário-gramática? - fora a primeira coisa que perguntara a Mariko naquela manhã. - Yabu-sama mandou outra solicitação?

- Sim. Por favor, seja paciente, Anjin-san. Chegará logo.

- Foi prometido com a galera e as tropas. Não chegou. As tropas e as armas sim, mas os livros não. Tenho sorte de a senhora estar aqui. Seria impossível sem a senhora.

- Difícil, mas não impossível, Anjin-san.

- Como digo: "Não, vocês estão fazendo errado! Devem correr todos como um grupo, parar como um grupo, apontar e atirar como um grupo"?

- Com quem está falando, Anjin-san? - perguntara ela.

E então, novamente, ele sentira a frustração se avolumar.

- É tudo muito difícil, Mariko-san.

- Oh, não. O japonês é muito fácil de falar, comparado com outras línguas. Não há artigos, não há "o", "a", "um", "uma". Não há conjugações de verbos nem infinitivos. Todos os verbos são regulares, terminando em "masu", e pode-se dizer quase tudo usando apenas o presente, se se quiser. Se é uma pergunta, acrescenta-se "ka" depois do verbo. Se é uma negativa, troca-se "masu" por "masen". O que poderia ser mais fácil? "Yukimasu" quer dizer "eu vou", mas quer dizer igualmente "você vai", "ele", "ela", "nós", "eles", ou "irá", ou até "poderia ter ido". Até o plural e o singular são iguais. "Tsuma" significa "esposa" ou "esposas". Muito simples.