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- Primeiro quero assistir a um exercício de ataque, Yabu-san, com os quinhentos originais - disse Toranaga. - Imediatamente.

- Poderia ser amanhã? Isso me daria tempo para preparar disse Yabu afavelmente, mas interiormente furioso com o imprevisto da chegada de Toranaga e enraivecido com os seus espiões por não o terem prevenido. Mal tivera tempo de acorrer à praia com uma guarda de honra. - O senhor deve estar cansado...

- Não estou cansado, obrigado - disse Toranaga, intencionalmente brusco. - Não preciso de "defensores" nem de um ambiente elaborado, nem de gritos ou mortes simuladas. Esquece-se, velho amigo, de que encenei peças nó suficientes e representei o suficiente para ser capaz de usar a minha imaginação. Não sou um ronin camponês! Por favor, ordene que seja organizado imediatamente.

Encontravam-se na praia ao lado do desembarcadouro. Toranaga estava rodeado pelos guardas de elite, e havia outros desembarcando da galera atracada. Mais mil samurais, pesadamente armados, amontoavam-se nas duas galeras que esperavam a pouca distância da praia. Fazia um dia quente, o céu estava sem nuvens, com uma leve arrebentação, e um nevoeiro de calor no horizonte.

- Igurashi, providencie! - Yabu dominou a própria raiva.

Desde a primeira mensagem que enviara, referente à chegada de Jozen onze dias antes, houvera simplesmente um escoar de relatórios inexpressivos de Yedo, mandados pela sua própria rede de espionagem, e nada além de esporádicas e enfurecedoramente inconclusivas respostas de Toranaga aos seus sinais cada vez mais urgentes: "Sua mensagem recebida e sendo seriamente estudada".

"Chocado com as notícias sobre o meu filho. Por favor, espere instruções posteriores". Depois, há quatro dias: "Os responsáveis pela morte de Jozen serão punidos. Devem permanecer em seus postos, mas continuar sob prisão até que eu possa me consultar com o Senhor Ishido". E na véspera, a surpresa de estarrecer: "Hoje recebi o convite formal do novo conselho de regentes para ir a Osaka, à cerimônia de contemplação da flor. Quando o senhor pretende partir? Comunique imediatamente".

- Com certeza isto não significa que Toranaga vai de fato? - perguntara Yabu, aturdido.

- Ele está forçando o senhor a se comprometer - respondera Igurashi. - Qualquer coisa que o senhor diga vai colocá-lo numa armadilha.

- Concordo - dissera Omi.

- Por que não estamos recebendo notícias de Yedo? O que aconteceu aos nossos espiões?

- É quase como se Toranaga tivesse posto uma capa por sobre o Kwanto inteiro - dissera Omi. - Talvez ele saiba quem são os seus espiões!

- Este é o décimo dia, senhor - lembrara Igurashi. - Tudo está pronto para aw sua partida para Osaka. Deseja partir ou não?

Agora, ali na praia, Yabu abençoava seu kami guardião que o persuadira a aceitar o conselho de Omi para ficar até o último dia possível, três dias a contar daquele.

- Em relação à sua mensagem final, Toranaga-sama, a que chegou ontem - disse ele -, o senhor certamente não vai a Osaka.

- O senhor vai?

- Reconheço-o como líder. Naturalmente estou à espera da sua decisão.

- A minha decisão é fácil, Yabu-sama. Mas a sua é difícil. Se for, os regentes certamente o retalharão por ter destruído Jozen e seus homens. E Ishido está muito furioso mesmo - e com razão. Neh?

- Eu não fiz isso, Senhor Toranaga. A destruição de Jozen, embora merecida, foi contra as minhas ordens.

- Foi muito bom que Naga-san o tenha feito, neh? De outro modo o senhor certamente teria tido que fazê-lo por si mesmo. Discutirei sobre Naga-san mais tarde, mas venha, conversaremos enquanto caminhamos para o local de treinamento. Não há necessidade de desperdiçar tempo. - Toranaga pôs-se em marcha no seu passo célere, seguido de perto pelos seus guardas. - Sim, o senhor está realmente num dilema, amigo velho. Se for, perde a cabeça, perde Izu e, naturalmente, toda a sua família Kasigi vai para o pátio de execução. Se ficar, o conselho ordenará a mesma coisa. - Olhou-o de soslaio. - Talvez o senhor devesse fazer o que sugeriu que eu fizesse na última vez em que estive em Anjiro. Ficarei feliz em ser o seu auxiliar. Talvez a sua cabeça abrande o mau humor de Ishido quando eu o encontrar.

- Minha cabeça não tem valor para Ishido.

- Não concordo.

Buntaro interceptou-os.

- Desculpe-me, senhor. Onde quer que os homens sejam aquartelados?

- No planalto. Faça o seu acampamento permanente lá. Duzentos guardas ficarão comigo na fortaleza. Quando tiver completado os arranjos, junte-se a mim. Quero que você assista ao exercício de treinamento. - Buntaro saiu apressado.

- Acampamento permanente? O senhor vai ficar aqui? - perguntou Yabu.

- Não, apenas os meus homens. Se o ataque é tão bom quanto ouvi dizer formaremos nove batalhões de assalto de quinhentos samurais cada um.

- O quê?

- Sim. Trouxe mais mil samurais selecionados para o senhor agora. O senhor providenciará os outros mil.

- Mas não há armas suficientes e o treina...

- Sinto muito, o senhor está enganado. Trouxe mil mosquetes comigo, muita pólvora e munição. O resto chegará dentro de uma semana, com mais mil homens.

- Teremos nove batalhões de assalto?

- Sim. Formarão um regimento. Buntaro comandará.

- Talvez fosse melhor que eu fizesse isso. Ele...

- Oh, mas o senhor se esquece de que o conselho se reúne dentro de poucos dias. Como pode comandar um regimento se está indo para Osaka? O senhor não se preparou para partir?

Yabu parou.

- Somos aliados. Combinamos que o senhor seria o líder e urinamos sobre o trato. Mantive o trato e estou mantendo. Agora pergunto: qual é o seu plano? Guerreamos ou não?

- Ninguém declarou guerra contra mim. Ainda.

Yabu ansiou por desembainhar a lâmina Yoshimoto e fazer esguichar o sangue de Toranaga no pó, de uma vez por todas, custasse o que custasse. Podia sentir a respiração dos guardas de Toranaga à sua volta, mas não estava se preocupando agora.

- O conselho também não é o seu dobre de morte? O senhor mesmo disse isso. Uma vez que se reúnam, o senhor terá que obedecer. Neh?

- Naturalmente. - Toranaga fez sinal aos guardas que se afastassem e se apoiou calmamente na espada, as sólidas pernas separadas e firmes.

- Então qual é a sua decisão? O que propõe?

- Primeiro assistir a um ataque.

- Depois?

- Depois ir caçar.

- Vai a Osaka?

- Naturalmente.

- Quando?

- Quando me aprouver.

- Quer dizer, não quando aprouver a Ishido.

- Quero dizer quando me aprouver.

- Ficaremos isolados - disse Yabu. - Não podemos lutar contra todo o Japão, mesmo com um regimento de assalto, e possivelmente não poderemos treinar um em dez dias.

- Sim.

- Então qual é o plano?

- O que aconteceu exatamente com Jozen e Naga-san?

Yabu contou-lhe sinceramente, omitindo apenas o fato de que Naga fora manipulado por Omi.

- E o meu bárbaro? Como está se comportando o Anjin-san?

- Bem. Muito bem. - Yabu contou-lhe sobre a tentativa de seppuku na primeira noite, e como habilmente dobrara o Anjin-san para proveito deles ambos.

- Isso foi inteligente - disse Toranaga lentamente. - Nunca imaginei que ele tentaria seppuku. Interessante.

- Foi muito oportuno que eu dissesse a Omi que estivesse preparado.

- Sim.

Impaciente, Yabu esperava mais, mas Toranaga permaneceu em silêncio.

- A notícia que mandei sobre o Senhor Ito tornando-se regente - disse Yabu afinal. - O senhor já sabia antes de receber a minha mensagem?

Toranaga não respondeu de imediato.

- Tinha ouvido alguns rumores. O Senhor Ito é uma escolha perfeita para Ishido. O pobre imbecil sempre gostou de uma boa vara enquanto tem o nariz metido no ânus de outro homem. Serão bons amigos, os dois.