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Má notícia é que as famílias de Maeda, Ikeda e Oda, e de uma dúzia de outros daimios importantes não escaparam e agora estão como reféns aqui, assim como cinqüenta ou sessenta senhores menores não comprometidos.

Má notícia é que ontem o seu meio irmão, Zataki, senhor de Shinano, publicamente se declarou pelo herdeiro, Yaemon, contra o senhor, acusando-o de conspirar com Sugiyama para derrubar o conselho de regentes criando o caos, portanto agora a sua fronteira norte-oriental tem uma brecha e Zataki e seus cinqüenta mil fanáticos se oporão ao senhor.

Má notícia é que quase todos os daimios aceitaram o “convite” do imperador.

Má notícia é que não são poucos os seus amigos e aliados aqui que estão enraivecidos de que o senhor não lhes tenha dado conhecimento da sua estratégia de modo que eles pudessem preparar uma linha de retirada. Seu velho amigo, o grande Senhor Shimazu, é um desses. Ouvi esta tarde que ele solicitou abertamente que todos os senhores fossem ordenados pelo imperador a se ajoelhar diante do menino Yaemon, agora.

Má notícia é que a Senhora Ochiba vem tecendo brilhantemente a sua trama, prometendo feudos e títulos e dignidade de corte aos não-comprometidos. Tora-chan, é uma grande lástima que ela não esteja do seu lado, ela é um inimigo de valor. Apenas a Senhora Yodoko advoga prece e calma, mas ninguém a ouve, e a Senhora Ochiba quer precipitar a guerra agora, enquanto sente que o senhor está fraco e isolado. Sinto muito, meu senhor, mas está isolado e, penso eu, foi traído.

Pior de tudo é que agora os regentes cristãos, Kiyama e Onoshi, estão abertamente juntos e violentamente contra o senhor.

Divulgaram uma declaração conjunta esta manhã lamentando a “deserção” de Sugiyama, dizendo que o seu ato colocou o reino em confusão, que “devemos todos ser fortes pela salvação do império. Os regentes têm a responsabilidade suprema. Devemos estar preparados para esmagar, juntos, qualquer senhor ou grupo de senhores que deseje anular o testamento do taicum, ou a sucessão legal”. (Isso significa que eles pretendem se reunir como um conselho de quatro regentes?) Um dos nossos espiões cristãos, na sede dos hábitos negros, sussurrou que o Padre Tsukku-san deixou Osaka secretamente há cinco dias, mas não sabemos se foi para Yedo ou para Nagasaki, onde o Navio Negro é esperado. O senhor sabia que ele virá bem antecipado este ano? Que chegará, talvez, dentro de vinte ou trinta dias?

Senhor: sempre hesitei em dar opiniões rápidas, baseadas em rumores, espiões, ou em intuição de mulher (nisso, veja, Tora-chan, aprendi com o senhor!), mas o tempo é curto e posso não ser capaz de lhe falar novamente. Primeiro, famílias demais estão retidas aqui. Ishido nunca as deixará partir (assim corno nunca deixará a nós). Esses reféns são um imenso perigo para o senhor. Poucos senhores têm o senso de dever ou a firmeza de Sugiyama. Muitos, penso eu, se passarão agora para Ishido, embora relutantemente, por causa desses reféns. Depois, acho que Maeda o trairá, e provavelmente Asano também. Dos duzentos e sessenta e quatro daimios do nosso país, apenas vinte e quatro o seguirão com certeza, e outros cinqüenta possivelmente. Isso não é nem de longe suficiente. Kiyama e Onoshi arrastarão todos os daimios cristãos, ou a maioria deles, e creio que não se aliarão aosenhor agora. O Senhor Mori, o mais rico e o maior de todos, está pessoalmente contra o senhor, como sempre, e trará Asano, Kobayakawa e talvez Oda, para a própria rede. Com seu meio irmão Senhor Zataki contra o senhor, sua posição é terrivelmente precária. Aconselho-o a declarar Céu Carmesim imediatamente e lançar-se contra Kyoto. É a sua única esperança.

Quanto à Senhora Sazuko e a mim, estamos bem e contentes. A criança desenvolve-se lindamente e se o karma dela for nascer, assim acontecerá. Estamos seguras na nossa ala do castelo, a porta pesadamente trancada, os rastrilhos baixados. Nossos samurais estão cheios de devoção ao senhor e à sua causa, e se for nosso karma partir desta vida, então partiremos com serenidade.

A sua senhora sente muita falta sua, muita. Quanto a mim, Tora-chan, anseio por vê-lo, rir com o senhor, e ver o seu sorriso. Minha única queixa quanto à morte é que eu não poderia mais fazer essas coisas, e cuidar do senhor. Se existe uma outra vida e Deus ou Buda ou kami, prometo que de algum modo influenciarei todos a se porem do seu lado ... embora primeiro eu possa rogar-lhes que me façam esbelta, jovem e fértil para o senhor, deixando-me o prazer pela comida. Ah, isso seria o paraíso de fato: poder comer e comer e ainda assim ser perpetuamente jovem e magra!

Mando-lhe meu riso. Possa Buda abençoá-lo e aos seus.

Toranaga leu a mensagem para eles, exceto o trecho particular sobre Kiri e a Senhora Sazuko. Quando terminou, olharam-no e uns aos outros incredulamente, não só por causa do que a mensagem dizia, mas também porque ele estava abertamente confiando neles todos.

Estavam sentados sobre esteiras num semicírculo em torno dele, no centro do planalto, sem guardas, a salvo de intrometidos. Buntaro, Yabu, Igurashi, Omi, Naga, os capitães e Mariko. Os guardas estavam postados a duzentos passos de distância.

- Quero alguns conselhos - disse Toranaga. - Meus conselheiros estão em Yedo. Este assunto é urgente e quero que todos vocês ajam no lugar deles. O que vai acontecer e o que devo fazer. Yabu-san?

Yabu estava num turbilhão. Todos os caminhos pareciam levar à catástrofe.

- Primeiro, senhor, o que é exatamente "Céu Carmesim"?

- É o codinome para o meu plano de batalha final, uma única investida violenta sobre Kyoto com todas as minhas legiões, contando com mobilidade e surpresa, a fim de tomar posse da capital, tirando-a das forças malignas que agora a rodeiam, para arrancar a pessoa do imperador ao poder infame daqueles que o enganaram, liderados por Ishido. Uma vez que o Filho do Céu esteja libertado em segurança das garras deles, então solicitar-lhe que revogue o mandato concedido ao conselho atual, que é claramente traidor, ou dominado por traidores, e conceda a mim o seu mandato para formar um novo conselho que colocaria os interesses do reino e do herdeiro à frente da ambição pessoal. Eu comandaria oitenta mil dos cem mil homens, deixando minhas terras desprotegidas, meus flancos desguarnecidos, e uma retirada não garantida. - Toranaga viu-os a fitá-lo pasmados. Não mencionou os quadros de samurais de elite que tinham sido furtivamente introduzidos em muitos dos castelos e províncias importantes ao longo dos anos, e que deviam explodir simultaneamente em revolta a fim de criar o caos essencial ao plano.

- Mas o senhor teria que combater a cada passo do caminho - irrompeu Yabu. - Ikawa Jikkyu estrangula a Tokaido ao longo de cem ris. Depois há mais baluartes de Ishido escarranchados pelo resto da estrada!

- Sim. Mas planejo arremeter para noroeste pela Koshukaido, depois penetrar até Kyoto e permanecer longe das terras costeiras.

Imediatamente muitos menearam a cabeça e começaram a falar, mas Yabu sobrepujou-os:

- Mas, senhor, a mensagem disse que o seu parente Zataki já se passou para o inimigo! Agora o seu caminho ao norte também está bloqueado. A província dele corta a Koshu-kaido. O senhor terá que lutar por toda Shinano - a região é montanhosa e muito difícil, e os homens dele são fanaticamente leais. O senhor será feito em pedaços naquelas montanhas.

- Esse é o único jeito, o único jeito de eu ter uma chance. Concordo em que há inimigos demais na estrada costeira.

Yabu deu uma olhada em Omi, desejando poder consultar-se com ele, abominando a mensagem e toda a confusão em Osaka, detestando ter sido o primeiro a falar, e detestando totalmente o status de vassalo que aceitara por súplica de Omi.