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— O que acha do seu novo nome, criança?

— Oh, gosto muitíssimo, muitíssimo. Estou honrada, Mãe-sama!

O nome significava "Pequena Flor" — assim como Kiku significava "Crisântemo" —, e Gyoko o dera a ela no primeiro dia. — Sou sua mãe agora — dissera-lhe, gentilmente mas com firmeza, ao pagar o preço e tomar posse da menina, maravilhada de que tanta beleza potencial pudesse surgir de uma pescadora tão grosseira como a rotunda mulher Tamasaki. Após quatro dias de barganha intensa, pagara um koban pelos serviços da criança até a idade de vinte anos, o suficiente para alimentar a família Tamasaki durante dois anos. — Vá buscar um pouco de chá, depois o meu pente e algumas folhas de chá aromático para me tirar o saque do cérebro.

— Sim, Mãe-sama. — Saiu na disparada cegamente, sem fôlego, ávida por agradar, e colidiu com as saias de Kiku, leves como teia, na soleira da porta.

— Oh, oh, oh, descuuuuuulpe...

— Deve tomar cuidado, Hana-chan.

— Desculpe, desculpe, Irmã Mais Velha... — Hana-chan estava quase em lágrimas.

— Por que está triste, Pequena Flor? Pronto, pronto — disse Kiku, secando-lhe as lágrimas ternamente. — Nesta casa eliminamos a tristeza. Lembre-se, nós do Mundo do Salgueiro nunca precisamos de tristeza, criança, pois que bem faria isso? A tristeza nunca agrada. Nosso dever é agradar e ser alegres. Corra, criança, mas gentilmente, gentilmente, seja graciosa. — Kiku voltou-se e se mostrou à mulher mais velha, com um sorriso radiante. — Isto lhe agrada, Ama-san?

Blackthorne olhou para ela e murmurou:

— Aleluia!

— Esta é Kiku-san — disse Mariko formalmente, exultante com a reação dele.

A garota entrou no aposento com um roçar de seda, ajoelhou-se, curvou-se e disse alguma coisa que Blackthorne não entendeu.

— Ela diz que o senhor é bem-vindo, que honra esta casa.

— Domo — disse ele.

— Do itashimashité. Saquê, Anjin-san? — disse Kiku.

— Hai, domo.

Blackthorne observou-lhe as mãos perfeitas buscarem o frasco com precisão, certificar-se de que a temperatura estava correta, depois encher o cálice que ele ergueu para ela, conforme Mariko lhe mostrara, com mais graça do que ele imaginara possível.

— Promete que se comportará como um japonês, de verdade? — perguntara Mariko quando saíram da fortaleza, ela no palanquim, ele caminhando ao lado, descendo o caminho que coleava até a aldeia e a praça que ficava de frente para o mar. Carregadores de archotes avançavam à frente e atrás deles. Dez samurais os acompanhavam, como guarda de honra.

— Tentarei, sim — disse Blackthorne. — O que devo fazer?

— A primeira coisa que deve fazer é esquecer o que o senhor tem que fazer e simplesmente se lembrar de que esta noite é dedicada apenas ao seu prazer.

Este foi o melhor dia da minha vida, pensava ele. E esta noite... que tal esta noite? Estava excitado com o desafio e determinado a tentar ser japonês, apreciar tudo e não ficar embaraçado.

— Quanto... quanto é que a noite ... bem ... vai custar? — perguntara.

— Isso é muito não-japonês, Anjin-san — censurou-o ela. — O que é que tem a ver? Fujiko-san concordou que o trato era satisfatório.

Ele vira Fujiko antes de sair. O médico a visitara e trocara as bandagens e lhe dera remédios de ervas. Estava orgulhosa das honras e do feudo e havia tagarelado muito, não demonstrando dor, contente por ele estar indo à casa de chá — claro, Mariko-san a consultara e tudo fora arranjado, como Mariko-san era boa! Que pena que ela tivesse aquelas queimaduras e não tivesse podido fazer os arranjos pessoalmente. Ele tocara a mão de Fujiko antes de sair, gostando dela. Ela lhe agradecera, desculpara-se de novo, e se despedira, esperando que ele tivesse uma noite maravilhosa.

Gyoko e as criadas esperavam cerimoniosamente ao portão da casa de chá para saudá-lo.

— Esta é Gyoko-san, a Mama-san aqui.

— Muito honrada, Anjin-san, muito honrada.

Mama-san? Quer dizer "mamãe"? "Mãe"? É o mesmo que em inglês, Mariko-san. "Mama"... "mommy"... "mother".

— Oh! É quase a mesma coisa, mas desculpe, "mama-san" só quer dizer "madrasta" ou "parente adotivo", Anjin-san. "Mãe" é "haha-san" ou "oba-san".

Num instante Gyoko se desculpou e se afastou às pressas. Blackthorne sorriu para Mariko. Ela estivera como uma criança, olhando tudo de olhos arregalados. — Oh, Anjin-san, sempre desejei ver o lado de dentro de um destes lugares. Os homens têm tanta sorte! Não é lindo? Não é maravilhoso, mesmo numa aldeia minúscula? Gyoko-san deve ter mandado mestres artesãos reformar tudo completamente! Olhe a qualidade das madeiras e... oh, é tão gentil de me permitir estar com o senhor. Nunca terei outra oportunidade... olhe as flores... que arranjo extraordinário ... e, oh, olhe o jardim ...

Blackthorne estava muito contente e muito pesaroso de haver uma criada na sala, e a porta shoji aberta, pois mesmo ali, numa casa de chá, seria impensável e letal para Mariko ficar sozinha com ele numa sala.

— A senhora é linda — disse em latim.

— O senhor também. — O rosto dela dançava. — Estou muito orgulhosa do senhor, almirante dos navios. E Fujiko também... oh, estava tão orgulhosa que mal conseguia permanecer imóvel!

— As queimaduras parecem graves.

— Não tenha receio. Os médicos têm muita prática e ela é jovem, forte e confiante. Esta noite nada de preocupações... apenas coisas mágicas.

— A senhora é mágica para mim.

Ela agitou o leque, serviu o vinho e não disse nada. Ele a observou, depois sorriram juntos. — Como há outros aqui e as línguas se movem, devemos continuar sendo cautelosos. Mas, oh, estou tão feliz pelo senhor.

— Qual era a outra razão? A senhora disse que havia outra razão para querer que eu viesse aqui esta noite.

— Ah, sim, a outra razão. — O mesmo perfume pairava densamente em torno dele. — É um antigo costume nosso, Anjin-san. Quando uma senhora que pertence a outra pessoa se interessa por outro homem, e deseja dar-lhe alguma coisa significativa que é proibido dar, então providencia para que outra lhe tome o lugar — um presente —, a cortesã mais perfeita que ela puder pagar.

— A senhora disse "quando uma senhora se interessa por alguém". Quer dizer, "ama"?

— Sim. Mas só esta noite.

— Por que esta noite, Mariko-san, por que não antes?

— Esta é uma noite mágica e os kamis caminham conosco.

Eu o desejo.

Então Kiku apareceu à soleira da porta.

— Aleluia! — E ele recebeu boas-vindas e foi servido de saque.

— Como digo que a dama é particularmente bonita? Mariko lhe disse e ele repetiu as palavras. A garota riu alegremente, aceitou o cumprimento, e retribuiu.

— Kiku-san pergunta se o senhor gostaria de que ela cantasse ou dançasse para o senhor.

— Qual é a sua preferência? — perguntou ele em latim.

— Esta dama está aqui apenas para o seu prazer, samurai, não para o meu.

— E a senhora? Também está aqui para o meu prazer?

— Sim, de certo modo... num sentido muito particular.

— Então, por favor, peça-lhe que cante.

Kiku bateu palmas gentilmente e Ako trouxe o samisen. Era comprido, de formato semelhante ao de uma guitarra, e de três cordas. Ako colocou-o em posição no chão e deu o plectro de marfim a Kiku.

— Senhora Toda — disse Kiku —, por favor, diga ao nosso honrado hóspede que primeiro cantarei a canção da libélula.

— Kiku-san, eu ficaria honrada se esta noite, aqui, você me chamasse de Mariko-san.

— É muito gentil comigo, senhora. Por favor, desculpe-me. Possivelmente eu não conseguiria ser tão descortês.

— Por favor.