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Se eu fosse Ishido, começaria agora, antes que as chuvas cessassem.

Colocaria os homens em posição, exatamente como o táicum e eu fizemos para destruir os Beppu. O mesmo plano vencerá sempre — é tão simples! Ishido não pode ser tão estúpido para não ver que o único meio real de defender o Kwanto é possuir Osaka, e todas as terras entre Yedo e Osaka. Enquanto Osaka for inamistosa, o Kwanto estará em perigo. O táicum sabia disso, por que outro motivo me deu o Kwanto? Sem Kiyama, Onoshi e os padres bárbaros...

Com um esforço, Toranaga colocou o amanhã dentro do seu compartimento e se concentrou totalmente naquela impossível quantia em dinheiro. — Três mil kokus está fora de questão!

— Concordo, senhor. O senhor está certo. A culpa é inteiramente minha. Achei que até quinhentos seria excessivo, mas a mulher Gyoko não desceu mais o preço. Há uma concessão, porém.

— Qual?

— Gyoko implorou a honra de reduzir o preço para dois mil e quinhentos kokus se o senhor lhe conceder a honra de concordar em vê-Ia em particular por um bastão de tempo.

— Uma Mama-san desistiria de quinhentos kokus só para falar comigo?

— Sim, senhor.

— Por quê? — perguntou ele, desconfiado.

— Ela me contou a razão, senhor, mas humildemente suplicou pela autorização de poder explicar-lhe pessoalmente. Acredito que a proposta dela lhe seria interessante, senhor. E quinhentos kokus... seria uma economia. Estou horrorizada por não ter conseguido fazer um acordo melhor, ainda que Kiku-san seja de primeira classe e mereça absolutamente esse status. Sei que lhe falhei.

— Concordo — disse Toranaga acidamente. — Mesmo mil seria demais. Isto é Izu, não Kyoto!

— Tem toda a razão, senhor. Eu disse à mulher que o preço era tão ridículo, que possivelmente nem eu mesma conseguiria concordar com ele, embora o senhor me tivesse dado ordens diretas de concluir o negócio à noite passada. Espero que o senhor perdoe a minha desobediência, mas eu disse que primeiro consultaria a Senhora Kasigi, a mãe de Omi-san, que é a dama mais velha aqui, antes que o acordo fosse confirmado.

Toranaga iluminou-se, suas outras preocupações esquecidas. — Ah, então está arranjado, mas não está?

— Sim, senhor. Não foi nada decidido até que eu possa me consultar com a Senhora Kasigi. Eu disse que daria uma resposta ao meio-dia de hoje. Por favor, perdoe a minha desobediência.

— Você devia ter concluído o negócio, conforme ordenei! — Toranaga estava secretamente encantado com que Mariko tivesse inteligentemente dado a ele a oportunidade de concordar ou discordar sem qualquer perda de dignidade. Teria sido impensável que ele, pessoalmente, relutasse por uma mera questão de dinheiro. Mas oh ko, três mil kokus... — Você diz que o contrato da garota vale o suficiente, em arroz, para alimentar mil famílias durante três anos?

— Vale cada grão de arroz, para o homem certo. Toranaga olhou-a, perspicaz. — Oh? Conte-me sobre ela e sobre o que aconteceu.

Ela lhe contou tudo — exceto seu sentimento pelo Anjin-san e a profundidade do dele por ela. Ou sobre a oferta que Kiku lhe fizera.

— Bom. Sim, muito bom. Isso foi inteligente. Sim — disse Toranaga. — Ele deve ter-lhe agradado muitíssimo, para que ela ficasse ao portão como ficou, na primeira vez. — A maior parte de Anjiro estivera à espera daquele momento, para ver como os dois agiriam, o bárbaro e a Senhora Salgueiro de primeira classe.

— Sim.

— Os três kokus investidos valeram bem a pena para ele. Sua fama agora correrá à sua frente.

— Sim — concordou Mariko, muito orgulhosa com o sucesso de Blackthorne. — Ela é uma dama excepcional, senhor.

Toranaga estava intrigado com a confiança de Mariko no seu acordo. Mas quinhentos kokus pelo contrato teria sido mais justo. Quinhentos kokus era mais do que a maioria das Mama-sans conseguia ganhar a vida inteira, portanto, para que uma delas sequer considerasse a possibilidade de desistir de quinhentos... — Vale cada grão, você diz? Mal posso acreditar nisso.

— Para o homem certo, senhor. Acredito que sim. Mas não saberia julgar quem seria o homem certo.

Houve uma batida na shoji.

— Sim?

— O Anjin-san está ao portão principal, senhor. — Traga-o aqui.

— Sim, senhor.

Toranaga abanou-se. Estivera observando Mariko dissimuladamente e vira a luz momentânea no seu rosto. Deliberadamente não a prevenira de que mandara chamá-lo.

O que fazer? Tudo o que foi planejado ainda se aplica. Mas agora preciso de Buntaro, do Anjin-san e de Omi-san mais do que nunca. E de Mariko, muitíssimo.

— Bom dia, Toranaga-sarna.

Ele retribuiu a mesura de Blackthorne e notou-lhe o súbito calor quando o homem viu Mariko. Houve saudações e réplicas formais, depois ele disse: — Mariko-san, diga-lhe que vai partir comigo ao amanhecer. Você também. Você continuará até Osaka.

Um calafrio percorreu-a. — Sim, senhor.

— Eu vou Osaka, Toranaga-sama? — perguntou Blackthorne.

— Não, Anjin-san. Mariko-san, diga-lhe que vou à nascente Shuzenji por um dia ou dois. Vocês dois me acompanharão até lá. Você continuará para Osaka. Ele viajará com você até a fronteira, depois seguirá para Yedo sozinho.

Observou-os atentamente enquanto Blackthorne falava com ela, rápida e urgentemente.

— Desculpe-me, Toranaga-sama, mas o Anjin-san humildemente pergunta se poderia me tomar emprestada por mais alguns dias. Ele diz, por favor, desculpe-me, que a minha presença com ele aceleraria grandemente o assunto do seu navio. Depois, se lhe aprouvesse, ele tomaria imediatamente um dos seus navios costeiros e me levaria a Osaka, seguindo sozinho para Nagasaki. Ele sugere que isso poderia poupar tempo.

— Ainda não decidi nada sobre o navio. Ou sobre uma tripulação. Ele pode não precisar ir a Nagasaki. Deixe isso bem claro. Não, nada está decidido. Mas considerarei a solicitação a seu respeito. Você terá a minha decisão amanhã. Pode ir agora... Oh, sim, por último, Mariko-san, diga-lhe que quero a genealogia dele. Ele pode escrever e você traduzirá, ratificando-lhe a correção.

— Sim, senhor. O senhor deseja isso imediatamente?

— Não. Quando ele chegar a Yedo haverá tempo suficiente.

Mariko explicou a Blackthorne.

— Por que ele quer isso? — perguntou ele.

Mariko encarou-o. — Naturalmente todos os samurais têm que ter seus nascimentos e mortes registrados, Anjin-san, assim como seus feudos e concessões de terras. De que outro modo um suserano pode manter tudo avaliado? Não acontece o mesmo no seu país? Aqui, por lei, todos os nossos cidadãos constam de registros oficiais, até os etas: nascimentos, mortes, casamentos. Cada vila, aldeia ou rua de cidade tem o seu pergaminho oficial. De que outro modo se pode ter certeza de onde e a quem se pertence?

— Nós não escrevemos isso. Nem sempre. E não oficialmente. Todo mundo é registrado? Todo mundo?

— Oh, sim, até os etas, Anjin-san. É importante, neh? Assim ninguém finge ser o que não é, malfeitores podem ser apanhados com mais facilidade, e homens e mulheres ou parentes não podem trapacear em casamentos, neh?

Blackthorne pôs isso de lado para consideração posterior e jogou outra carta no jogo que iniciara com Toranaga, o que, esperava ele, levaria à morte do Navio Negro.

Mariko ouviu atentamente, interrogou-o um momento, depois voltou-se para Toranaga. — Senhor, o Anjin-san lhe agradece pelo seu favor e os seus muitos presentes. Pergunta se o senhor o honraria escolhendo os duzentos vassalos para ele. Diz que a sua orientação nisso valeria qualquer coisa.

— Vale mil kokus? — perguntou Toranaga imediatamente. Viu a surpresa dela e a do Anjin-san. Estou contente de que você ainda seja transparente, Anjin-san, apesar de toda a sua aparência de civilização, pensou ele. Se eu fosse um jogador, apostaria que não era essa a sua idéia — pedir a minha orientação.