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Gyoko estava encantada de estar novamente em casa, em Mishima, entre as suas garotas e os razões e contas de transporte, seus débitos a receber, hipotecas e notas promissórias.

— Agiu muito bem — disse ao seu contador-chefe.

O mirrado homenzinho balbuciou um agradecimento e se afastou coxeando. Ele se voltou com violência para o cozinheiro-chefe. — Treze chogins de prata, duzentos momnes de cobre pela comida de uma semana?

— Oh, por favor, desculpe-me, ama, mas os rumores de guerra fizeram os preços ir voando para o céu — disse o homem gordo truculentamente. — Tudo. Peixe, arroz e verduras — até o molho de soja dobrou de preço do mês passado para cá, e o saquê é pior. Trabalhar, trabalhar, trabalhar, naquela cozinha quente, sem ar, que com certeza precisa ser melhorada. Caro! Ah! Em uma semana servi cento e setenta e dois convidados, alimentei dez cortesãs, onze famintas aprendizes de cortesã, quatro cozinheiros, dezesseis criadas, e catorze criados. Por favor, desculpe-me, ama, sinto muito, mas a minha avó está muito doente, por isso preciso pedir dez dias de folga para...

Gyoko arrancou os cabelos só o suficiente para ser enfática, mas não o suficiente para prejudicar a própria aparência, e dispensou-o dizendo que estava arruinada, arruinada, que teria que fechar a mais famosa casa de chá de Mishima sem um cozinheiro-chefe tão perfeito e que seria tudo por culpa dele — culpa dele que ela tivesse que atirar na neve todas as suas devotadas garotas, e fiéis mas infelizes auxiliares. — Não se esqueça de que o inverno se aproxima — lamuriou-se ela a título de salva de despedida.

Depois, contente, sozinha, calculou lucros e perdas, e os lucros foram o dobro do que ela esperava. O saquê que tomou teve um gosto melhor do que nunca, e se o preço dos alimentos estava subindo, o mesmo acontecia com o custo do saquê. Imediatamente escreveu ao filho em Odawara, onde se localizava a fábrica de saquê deles, dizendo-lhe que dobrasse a produção. Depois deu ouvidos às inevitáveis brigas de criadas, despediu três, contratou mais quatro, mandou chamar a agente de cortesãs, e fez generosas ofertas pelos contratos de sete cortesãs que admirava.

— E quando gostaria de que as honradas damas chegassem, Gyoko-san? — sorriu a velha, de modo afetado, a sua própria comissão considerável.

— Imediatamente. Imediatamente. Vamos, mexa-se.

Depois convocou o carpinteiro e fez planos para a ampliação da casa de chá, para os quartos extras para as damas extras.

— Finalmente o lugar na Sexta Rua está à venda, ama. Quer que eu feche negócio agora?

Por meses ela esperara pela locação daquela esquina em particular. Mas agora meneou a cabeça e mandou-o embora com instruções para optar pela compra de quatro hectares de terreno em estado natural na colina, ao norte da cidade. — Mas não faça tudo sozinho. Use intermediários. Não seja ganancioso. E não quero que corra por aí que estou comprando para mim.

— Mas quatro hectares? Isso é...

— No mínimo quatro, talvez cinco, nos próximos cinco meses. Mas apenas opções, compreendeu? Devem todos ser colocados em nome destas pessoas.

Estendeu a lista de prepostos seguros e o tocou para fora, vendo mentalmente a cidade murada dentro de uma cidade já florescendo. Riu consigo mesma, de alegria.

Em seguida cada cortesã foi chamada e a cada uma Gyokosan repreendeu, elogiou, tratou aos berros ou juntou-se no choro. Algumas foram promovidas, algumas rebaixadas, os preços de "travesseiro" aumentados ou diminuídos. Depois, no meio de tudo, Omi foi anunciado.

-— Sinto muito, mas Kiku-san não está bem — disse-lhe ela. — Nada sério! Apenas a mudança de clima, pobre criança.

— Insisto em vê-Ia.

— Sinto muito, Omi-san, mas certamente ouviste. Kiku-san pertence ao nosso suserano, neh?

— Sei a quem ela pertence — gritou Omi. — Quero vê-Ia, isso é tudo.

— Oh, sinto muito, claro, o senhor tem todo o direito de gritar e blasfemar, sinto muito, por favor, desculpe-me. Mas, sinto muito, ela não está bem. Esta noite... ou talvez mais tarde... ou amanhã... o que posso fazer, Omi-san? Se ela ficar bem o bastante, talvez eu pudesse mandar-lhe um recado, se o senhor me dissesse onde está hospedado...

Ele disse, sabendo que não havia o que pudesse fazer, e abalou furioso, querendo estraçalhar Mishima inteira.

Gyoko pensou em Omi. Depois mandou chamar Kiku e contou-lhe o programa que arranjara para as suas duas noites em Mishima. — Talvez possamos persuadir a nossa Senhora Toda a protelar quatro ou cinco noites, criança. Conheço meia dúzia de pessoas aqui que pagariam um resgate de pai para que você as entretivesse em festas particulares. Ah! Agora que o grande daimio a comprou, ninguém pode tocá-la, nunca mais, então você pode cantar, dançar e fazer mímica e será a nossa primeira gueixa!

— E o pobre Omi-san, ama? Nunca o ouvi tão mal-humorado antes, sinto muito que tenha gritado com a senhora.

— Ah! O que é um grito ou dois quando finalmente privamos com daimios e os mais ricos do rico arroz e corretores de seda. Esta noite direi a Omi-san onde você estará na última vez em que cantar, mas direi cedo demais, assim ele terá que esperar. Arranjarei um aposento por perto. Enquanto isso ele terá muito saquê... e Akiko para servi-lo. Não vai fazer mal algum cantar uma ou duas canções tristes para ele depois — ainda não temos certeza sobre Toranaga-sama, neh? Não recebemos um pagamento à vista, e ainda há um saldo a receber.

— Por favor, desculpe-me, mas Choko não seria uma escolha melhor? É mais bonita, mais jovem e mais meiga. Tenho certeza de que ele a apreciaria mais.

— Sim, criança. Mas Akiko é forte e muito experiente. Quando esse tipo de loucura se apossa dos homens, eles tendem a ser rudes. Mais do que você imaginaria. Até Omi-san. Não convite formal para o chá, no dia seguinte, às oito, para as Mama-sans mais influentes de Mishima, a fim de discutirem um assunto de grande importância —, ela mergulhou com prazer num banho perfeito. Ahhhhhhh! No momento perfeito, uma massagem perfeita. Perfume, pó, maquilagem e penteado. Agora um quimono folgado de seda leve. Em seguida, no momento perfeito, seu favorito chegou. Tinha dezoito anos, um estudante, filho de um samurai empobrecido. Chamava-se Inari.

— Oh, como você é adorável... corri para cá assim que o seu poema chegou — disse ele sem fôlego. — Fez uma viagem agradável? Estou tão feliz em dar-lhe as boas-vindas! Obrigado, obrigado pelos presentes... a espada é perfeita, e o quimono! Oh, como a senhora é boa para mim!

Sim, sou, disse ela a si mesma, embora o negasse resolutamente por causa da dignidade dele. Logo estava deitada ao lado dele, suada e langorosa. Ah, Inari, pensou ela inebriada, o seu Pilão Translúcido não tem a compleição do do Anjin-san, mas o que lhe falta em tamanho você certamente compensa com um vigor cataclísmico.

— Por que ri? — perguntou ele, sonolento.

— Porque você me faz feliz — suspirou ela, encantada por ter tido a grande fortuna de ter sido educada. Tagarelou com facilidade, elogiou-o com extravagância e afagou-o até que pegasse no sono, suas mãos e sua voz realizando tudo o que era necessário por volição própria, advinda do longo hábito. Tinha a mente bem longe. Pensava em Mariko e no seu amante, repensando as alternativas. Até onde ousaria pressionar Mariko? Ou a quem deveria entregá-los, ou ameaçá-la com essa possível entrega, sutilmente é claro: Toranaga, Buntaro ou quem? O padre cristão? Haveria algum lucro nisso? Ou o Senhor Kiyama — certamente qualquer escândalo envolvendo a grande Senhora Toda com o bárbaro arruinaria a chance do filho dela de se casar com a neta de Kiyama. Essa ameaça a tornaria flexível à minha vontade? Ou não devo fazer nada — há mais lucro nisso, de algum modo?

Coitada de Mariko. Uma senhora tão adorável! Caramba, mas ela daria uma cortesã sensacional! Coitado do Anjin-san.

E os mosquetes e armas escondidos pelos camponeses em Anjiro, por exemplo, ou sobre o novo Regimento de Mosquetes — seus efetivos, oficiais, organização e quantidade de armas. Ou sobre Toranaga, que na última noite em Yokosé "travesseirou" com Kiku alegremente, usando um ritmo clássico de "seis rasos e cinco fundos" com o vigor de um homem de trinta anos, e depois dormiu como um bebê até o amanhecer. Esse não é o padrão de um homem perturbado por preocupações, neh?