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— Conversaremos aqui ou lá embaixo?

— Aqui. É mais fresco. — Rodrigues apontou o centro do tombadilho, fora do raio de audição.

Alvito sentou-se numa cadeira-de-mar. — Primeiro sobre Toranaga.

Contou brevemente ao piloto o que acontecera em Yokosé, omitindo o incidente com o Irmão José e a sua suspeita sobre Mariko e Blackthorne. Rodrigues ficou tão assombrado com a rendição quanto ele ficara. — Nada de guerra? É um milagre! Agora estamos realmente seguros, o nosso Navio Negro está seguro, a Igreja está rica, estamos ricos... graças a Deus, aos santos e a Nossa Senhora! Essa é a melhor notícia que o senhor poderia ter trazido, padre. Estamos seguros!

— Se Deus quiser. Uma coisa que Toranaga disse me perturbou. Colocou deste jeito: "Posso ordenar e o meu cristão estará livre — o Anjin-san. Com seu navio, e com seus canhões".

O imenso bom humor de Rodrigues sumiu. — O Erasmus ainda está em Yedo? Ainda está sob o controle de Toranaga?

— Sim. Seria grave se o Inglês fosse solto?

— Grave? Aquele navio nos mandaria para o inferno se apanhasse o nosso Navio Negro entre aqui e Macau com ele a bordo, armado, com metade de uma tripulação decente. Temos apenas a pequena fragata para intervir e ela não é páreo para o Erasmus! Nem nós. Ele poderia dançar em torno de nós e teríamos que arriar as nossas bandeiras.

— Tem certeza?

— Sim. Diante de Deus... o Erasmus seria um assassino.

— Furioso, Rodrigues fechou um punho. — Mas espere um momento... o Inglês disse que chegou aqui com apenas doze homens, e nem todos marujos, muitos deles mercadores e a maioria doente. Esses poucos não conseguiriam manejar o navio. O único lugar onde ele poderia conseguir uma tripulação seria Nagasaki — ou Macau. Poderia conseguir o suficiente em Nagasaki! Há os que... é melhor que seja mantido longe de lá, e de Macau! — Digamos que ele tivesse uma tripulação nativa?

— Quer dizer, alguns dos degoladores de Toranaga? Ou wakos? Quer dizer, se Toranaga se rendeu, todos os seus homens se tornam ronins, neh? Se o Inglês tivesse tempo suficiente poderia treiná-los. Facilmente. Jesus Cristo... por favor, desculpe-me, padre, mas se o Inglês conseguisse samurais ou wakos... não podemos arriscar isso — ele é bom demais. Todos vimos isso em Osaka! Ele solto nessa maldita Ásia com uma tripulação de samurais...

Alvito observava-o, ainda mais preocupado agora. — Acho que é melhor eu enviar outra mensagem ao padre-inspetor. Ele deve ser informado, se é urgente assim. Ele saberá o que fazer.

— Eu sei o que fazer! — O punho de Rodrigues esmagou-se contra a amurada. Pôs-se de pé e deu as costas. — Ouça, padre, escute a minha confissão: na primeira noite, quando ele se encontrava ao meu lado e na galera, ao mar, quando estávamos indo de Anjiro, meu coração me disse que o matasse, e depois de novo durante a tempestade. Jesus me ajude, foi a hora em que o mandei para a frente e deliberadamente dei uma guinada sem preveni-lo, ele sem um salva-vidas, para assassiná-lo, mas o Inglês não caiu ao mar como qualquer outro teria caído. Achei que aquilo era a mão de Deus, e tive certeza disso quando, mais tarde, ele me salvou o navio, e depois quando o navio estava salvo e a onda me pegou e eu estava me afogando, meu último pensamento foi que aquilo também era punição de Deus pela minha tentativa de assassinato. Não se faz isso a um piloto — ele nunca faria isso a mim! Mereci daquela vez e depois, quando me descobri vivo e ele se inclinando em cima de mim, ajudando-me a beber, fiquei tão envergonhado e novamente implorei o perdão de Deus e fiz um juramento sagrado de tentar retribuir-lhe isso. Minha Nossa Senhora! — exclamou ele atormentado. — Aquele homem me salvou embora soubesse que eu tentei matá-lo. Vi isso nos olhos dele. Salvou-me e me ajudou a viver e agora tenho que matá-lo. — Por quê?

— O capitão-mor estava certo: Deus nos ajude se o Inglês zarpar no Erasinus, armado, com metade de uma tripulação decente.

Blackthorne e Mariko dormiam na paz noturna da sua casinha, no conjunto de casinhas que constituía a Hospedaria das Camélias, que ficava na Nona Rua Sul. Havia três aposentos em cada casa. Mariko tomara um para si e Chimmoko, Blackthorne outro, e o terceiro, que dava para a porta da frente e a varanda, fora deixado vazio, para estar, comer, e conversar.

— Acha que isto é seguro? — perguntara Blackthorne ansioso. — Não ter Yoshinaka, ou mais criadas ou guardas dormindo aqui?

— Não, Anjin-san. Na realidade nada é seguro. Mas será agradável ficarmos sozinhos. Esta hospedaria é considerada a mais bonita e famosa de Izu. É bonita, neh?

E era. Cada casa minúscula erguia-se sobre pilares elegantes, tinha varandas circundantes e quatro degraus, feitos das melhores madeiras, tudo polido e brilhando. Ficavam todas separadas cinqüenta passos da vizinha e cercadas por jardins bem tratados dentro do jardim maior por trás dos altos muros de bambu. Havia riachos, tanques de lírios, quedas d'água, árvores floridas em abundância, com perfumes diurnos e perfumes noturnos, um aroma doce e voluptuoso. Caminhos de pedra, limpos, cobertos com delicados telhados, levavam aos banhos centrais, frio, quente e muito quente, alimentados por fontes naturais. Lanternas multicoloridas, criados e criadas felizes, e nunca uma palavra áspera para perturbar os sinos das árvores, a água borbulhando e os pássaros cantando nos aviários.

— Naturalmente pedi duas casas, Anjin-san, uma para o senhor e uma para mim. Infelizmente, apenas uma estava disponível, sinto muito. Mas Yoshinaka-san não ficou descontente. Pelo contrário, ficou aliviado pois assim não terá que dividir os seus homens. Postou sentinelas em cada caminho, portanto estamos totalmente seguros e não podemos ser incomodados como em outros lugares. Por que deveríamos ser incomodados? O que poderia estar errado com um quarto aqui, outro ali, e Chimmoko para partilhar o seu leito?

— Nada. Nunca vi lugar tão bonito. Como a senhora é um inteligente, e como é bela.

— Ah, como é gentil comigo, Anjin-san. Primeiro tome um banho, depois a refeição da noite e muito saque.

— Bom. Muito bom.

— Ponha de lado seu dicionário, Anjin-san, por favor. — Mas a senhora está sempre me encorajando.

— Se largar o livro um instante... eu conto-lhe um segredo. — Qual?

— Convidei Yoshinaka-san para comer conosco. E algumas senhoras. Para nos entreter.

— Ah!

— Sim. Depois que eu o deixar, o senhor escolherá uma, neh? — Mas isso poderia perturbar-lhe o sono, sinto muito.

— Prometo que dormirei pesadamente, meu amor. Falando sério, uma mudança poderia ser bom para você.

— Sim, mas no próximo ano, não agora. — Seja sério.

— Eu sou.

— Ah, então, nesse caso, se por acaso você polidamente mudar de idéia e mandá-la embora cedo — depois que Yoshinaka-san tenha partido com a sua acompanhante —, ah, quem sabe o que o kami da noite poderia encontrar para você então?

— O quê?

— Fui fazer compras hoje. — Oh? E o que comprou? — Ah!

Ela havia comprado um sortimento dos acessórios de "travesseiro" que Kiku lhes mostrara, e muito mais tarde, quando Yoshinaka partira e Chimmoko vigiava na varanda, ela os ofereceu a ele com uma profunda mesura. Meio jocosamente, ele aceitou com igual formalidade, e juntos escolheram um anel de prazer.

— Isso parece que pica muito, Anjin-san, neh? Tem certeza de que não se importa?

— Não, não se você não se importa, mas pare de rir ou vai estragar tudo. Apague as velas.

— Oh, não, por favor, quero olhar.

— Pelo amor de Deus, pare de rir, Mariko! — Mas você também está rindo!

— Não interessa, apague a luz ou... Pronto, agora olhe o que você fez.

— Oh!

— Pare de rir! Não é bom pôr a cabeça sobre os futons... Depois, mais tarde, problemas.

— Mariko...

— Sim, meu amor?

— Não consigo encontrá-lo. — Oh! Deixe-me ajudá-lo.

— Ah, está tudo bem. Eu estava deitado em cima.