Выбрать главу

— Oh! Você tem... tem certeza de que não se importa?

— Não, mas é um pouco, bem, toda esta conversa e ter que esperar, não é uma coisa que levante exatamente, é?

— Oh, eu não me importo. A culpa foi minha, por rir. Oh, Anjin-san, amo-o muito, por favor, desculpe-me.

— Está desculpada. — Adoro tocar você. — Nunca conheci nada como o seu toque. — O que está fazendo, Anjin-san?

— Colocando isto. — Está difícil?

— Sim. Pare de rir!

— Oh, sinto muito, talvez você... — Pare de rir!

— Por favor, perdoe-me...

Depois ela pegou no sono na hora, totalmente extenuada. Ele não. Para ele fora bom, mas não perfeito. Ficara preocupado demais com ela. Resolvera que aquela vez seria para o prazer dela, não o seu. Sim, isto foi para ela, pensou, amando-a. Mas uma coisa foi perfeita: sei que realmente a satisfiz. Por uma vez. Estou absolutamente certo.

Dormiu. Algum tempo mais tarde o som de vozes e discussão e, misturado a isso, o som de português, começou a se infiltrar pelo seu sono leve. Por um momento pensou estar sonhando, depois reconheceu a voz: — Rodrigues!

Mariko murmurou, ainda mergulhada no sono.

Ao som de passos no caminho, ele se pôs de joelhos em pânico controlado. Ergueu-a como se fosse uma boneca, dirigiu-se para a shoji, e parou exatamente quando a porta foi aberta por fora. Era Chimmoko. A criada estava de cabeça baixa, os olhos discretamente fechados. Ele passou às pressas por ela, com Mariko nos braços, e deitou-a gentilmente sobre os seus próprios acolchoados, ainda meio adormecida, e correu silenciosamente para o seu quarto de novo, sentindo um suor gelado embora a noite estivesse quente. Enfiou um quimono às apalpadelas e rumou às pressas para a varanda. Yoshinaka atingira o segundo degrau. — Nan desu ka, Yoshinaka-san?

— Gomen nasai, Anjin-san — disse Yoshinaka. Apontou para os archotes no portão da hospedaria, acrescentando muitas palavras que Blackthorne não entendeu. Mas a essência do que disse era que aquele homem lá, o bárbaro, quer vê-lo e eu lhe disse que esperasse e ele disse que não esperaria, agindo como um daimio, coisa que ele não é, e tentou entrar à força, o que eu impedi. Disse que era seu amigo. É?

— Ei, Inglês! Sou eu, Vasco Rodrigues!

— Ei, Rodrigues! — gritou Blackthorne, feliz. — Já vou. Hai, Yoshinaka-san. Kare wa watashi no iehi yujin desu. Ele é meu amigo.

— Ah so desu! — Hai. Domo.

Blackthorne desceu correndo os degraus para se dirigir ao portão. Atrás ouviu a voz de Mariko. — Nan ja, Chimmoko? — e um sussurro, e depois ela chamou com autoridade: — Yoshinaka-san!

— Hai, Toda-sama!

Blackthorne correu os olhos em torno. O samurai subiu os degraus e tomou a direção do quarto de Mariko. A porta dela estava fechada. Chimmoko erguia-se do lado de fora. Seus lençóis amarrotados estavam, agora, perto da porta, onde devia dormir sempre, corretamente, caso a ama não a desejasse no quarto consigo. Yoshinaka curvou-se para a porta e começou a relatar. Blackthorne seguiu pelo caminho com alegria crescente, descalço, os olhos no português, um largo sorriso de boas-vindas, a luz dos archotes dançando nos brincos e na fivela do vistoso chapéu dele.

— Ei, Rodrigues! É ótimo vê-lo. Como vai a perna? Como me achou?

— Nossa Senhora, você cresceu, Inglês, está mais cheio? Sim, bem, saudável e agindo como um maldito daimio! — Rodrigues deu-lhe um abraço de urso e ele retribuiu.

— Como vai a perna?

— Dói como merda, mas funciona, e achei você perguntando onde estava o grande Anjin-san — o grande bárbaro bandido e bastardo, de olhos azuis!

Riram juntos, trocando obscenidades, sem se preocupar com os samurais e criados que os rodeavam. Num instante Blackthorne mandou uma criada buscar saquê e levou Rodrigues para a varanda. Ambos andavam com a ginga de marinheiro, a mão direita de Rodrigues, por hábito, no punho do florete, o outro polegar enganchado no cinto largo, perto da pistola. Blackthorne era algumas polegadas mais alto mas o português tinha ombros ainda mais largos e um peito que parecia um barril.

Yoshinaka esperava na varanda.

— Domo arigato, Yoshinaka-san — disse Blackthorne, agradecendo de novo ao samurai, e apontou uma das almofadas a Rodrigues. — Vamos conversar aqui.

Rodrigues pôs um pé nos degraus, mas parou quando Yoshinaka se moveu para a sua frente, apontando para o florete e a pistola, e estendeu a mão esquerda, palma para cima. — Dozo!

O português franziu o cenho. — Iyé, samurai-sama, domo ari...

— Dozo!

— Iyé, samurai-sama, iyé! — repetiu Rodrigues mais ríspido. Watashi yujin Anjin-san, neh?

Blackthorne deu um passo à frente, ainda surpreso com o inesperado da confrontação. — Yoshinaka-san, shikata ga nai, neh? — disse com um sorriso. — Rodrigues yujin wata...

— Gomen nasai, Anjin-san. Kinjiru! — Yoshinaka vociferou uma ordem. Imediatamente samurais avançaram, rodeando Rodrígues ameaçadoramente, e novamente ele estendeu a mão. — Dozo!

— Esses putos de merda são melindrosos, Inglês — disse Rodrigues através de um sorriso arreganhado. — Mande-os sossegar, hein? Nunca tive que entregar as minhas armas antes.

— Não, Rodrigues! — disse ele rapidamente, sentindo a iminente decisão do amigo, depois a Yoshinaka: — Domo, gomen nasai, Rodrigues yujin, watash...

— Goinen nasai, Anjin-san. Kinjiru. — Depois, asperamente, para o português: — Ima.

— Iyé! Wakarimasu ka! — rosnou Rodrigues.

Blackthorne rapidamente postou-se entre eles. — Ei, Rodrigues, o que importa isso, neh? Deixe Yoshinaka-san ficar com elas. Não tem nada a ver com você ou comigo. É por causa da senhora, Toda Mariko-sama. Ela está lá dentro. Você sabe como eles são melindrosos sobre armas perto de daimios ou das esposas deles. Discutiremos a noite toda, você sabe como eles são, hein? Que diferença faz?

O português forçou um sorriso. — Claro. Por que não? Hai, shikata ga nai, samurai-sama. So desu?

Curvou-se como um cortesão sem sinceridade, soltou o florete e a bainha do gancho, tirou a pistola do cinto e estendeu a eles. Yoshinaka fez sinal a um samurai, que pegou as armas e correu para o portão, onde as colocou no chão e ficou de guarda. Rodrigues começou a subir os degraus, mas de novo Yoshinaka polida e firmemente pediu-lhe que parasse. Outros samurais se aproximaram para revistá-lo. Furioso, Rodrigues saltou para trás. — Iyé! Kin jiru, por Deus! Que...

Os samurais caíram-lhe em cima, seguraram-lhe os braços com força, e revistaram-no completamente. Encontraram duas facas no alto das botas, outra amarrada no antebraço esquerdo, duas pequenas pistolas — uma escondida no forro do casaco, outra sob a camisa — e um pequeno frasco de estanho ao quadril. Blackthorne examinou as pistolas. Estavam ambas engatilhadas. — A outra também estava engatilhada?

— Sim. Claro. Esta terra é hostil, não notou, Inglês? Diga-lhes que me larguem!

— Esse não é o modo habitual de visitar um amigo à noite. Neh?

— Estou lhe dizendo que esta terra é hostil. Estou sempre armado assim. Você não, normalmente? Minha Nossa Senhora, diga a esses bastardos que me deixem em paz.

— Isso é tudo? Tudo?

— Claro. Diga-lhes que me deixem em paz, Inglês! Blackthorne entregou as pistolas a um samurai e deu um passo à frente. Seus dedos tatearam cuidadosamente a face interna do largo cinto de couro de Rodrigues. Um estilete escorregou de sua bainha secreta, muito fino, muito maleável, feito do melhor aço de Damasco. Yoshinaka praguejou contra os samurais que haviam feito a vistoria. Eles se desculparam, mas Blackthorne só olhava para Rodrigues.

— Mais alguma coisa? — perguntou, o estilete solto na mão. Rodrigues sustentou-lhe o olhar, impassível.

— Eu digo a eles onde olhar... e como olhar, Rodrigues. Como um espanhol faria ... alguns deles. Hein?

— Me cago en la leche, che cabrón!

— Que va, leche! Depressa! — Nenhuma resposta. Blackthorne avançou com a faca. — Dozo, Yoshinaka-san. Watash... Rodrigues disse, rouco: — Na fita do meu chapéu —, e Blackthorne parou.