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— Hai? — Dozo.

A porta fortificada girou nos gonzos silenciosamente. Toranaga estava sentado na outra extremidade da sala quadrada, sobre um elevado forrado de tatamis. Sozinho.

Blackthorne ajoelhou-se e se curvou profundamente, as mãos estendidas no chão. — Konbanwa, Toranaga-sama. Ikaga desu ka? — Okagesana de genki desu. Anata wa?

Toranaga parecia mais velho e sem viço, e muito mais magro do que antes. Shikata ga nai, disse Blackthorne a si mesmo. O karma de Toranaga não vai afetar o Erasmus — o navio será o seu salvador, por Deus.

Respondeu às perguntas-padrão de Toranaga num japonês simples de boa pronúncia, usando uma técnica simplificada que desenvolvera com a ajuda de Alvito. Toranaga cumprimentou-o pelo progresso e começou a falar mais depressa.

Blackthorne usou uma das frases de reserva que havia elaborado com Alvito e Mariko: — Por favor, desculpe-me, senhor, como o meu japonês não é bom, poderia falar mais devagar e usar palavras simples, assim como eu tenho que usar palavras simples? Por favor, desculpe-me por lhe causar tanto incômodo. — Está bem. Sim, certamente. Diga-me, o que achou de Yokosé?

Blackthorne respondeu, acompanhando-o, as respostas vacilantes, o vocabulário ainda muito limitado, até que Toranaga fez uma pergunta cujas palavras-chave ele perdeu inteiramente. — Dozo? Gomen nasai, Toranaga-sama — disse desculpando-se. — Wakarimasen.

Toranaga repetiu numa linguagem mais simples. Blackthorne olhou para Mariko. — Sinto muito, Mariko-san, o que é "sonkei sit beki um?

— "Em condição de navegar", Anjin-san.

— Ah! Domo. — Blackthorne voltou-se. O daimio perguntara se ele poderia se certificar rapidamente de que o navio estava em total condição de navegar, e quanto tempo isso levaria. Ele respondeu: — Sim, fácil. Meio dia, senhor.

Toranaga pensou um instante, depois disse-lhe que fizesse isso no dia seguinte e se apresentasse a ele à tarde, durante a hora do Bode. — Wakarimasu?

— Hai.

— Então você poderá ver os seus homens — acrescentou Toranaga.

— Senhor?

— Os seus vassalos. Mandei chamá-lo para lhe dizer que amanhã você terá os seus vassalos.

— Ah, desculpe, compreendi. Vassalos samurais. Duzentos homens.

— Sim. Boa noite, Anjin-san. Vê-lo-ei amanhã.

— Por favor, desculpe-me, senhor, posso respeitosamente perguntar três coisas?

— O quê?

— Primeiro: possível ver minha tripulação agora, por favor? Poupar tempo, neh? Por favor.

Toranaga concordou e deu uma ordem curta a um dos samurais para que guiasse Blackthorne. — Leve uma guarda de dez homens. Leve o Anjin-san lá e traga-o de volta ao castelo. — Sim, senhor.

— Depois, Anjin-san?

— Por favor, possível conversar sozinho? Pouco tempo. Por favor, desculpe minha rudeza. — Blackthorne tentou não demonstrar a ansiedade quando Toranaga perguntou a Mariko do que se tratava. Ela respondeu sinceramente que só sabia que o Anjin-san tinha alguma coisa particular a dizer, mas que não perguntara o que era.

— Tem certeza de que estará correto que eu peça a ele, Mariko-san? — dissera Blackthorne quando começaram a subir os degraus.

— Oh, sim. Desde que o senhor espere até ele terminar. Mas esteja certo de saber exatamente o que vai dizer, Anjin-san. Ele está... ele não está tão paciente quanto normalmente é. — Ela não perguntara o que ele queria perguntar, e ele não dissera nada.

— Muito bem, Anjin-san — disse Toranaga. — Por favor, espere lá fora, Mariko-san. — Ela se curvou e saiu. — Sim?

— Sinto muito ouvir Senhor Harima de Nagasaki agora inimigo.

Toranaga se surpreendeu, pois ficara sabendo do compromisso público de Harima com Ishido apenas quando chegara a Yedo. — Onde obteve essa informação?

— Por favor?

Toranaga repetiu a pergunta mais devagar.

— Ah! Compreendo. Ouvi sobre Senhor Harima em Hakoné. Gyoko-san nos diz. Gyoko-san ouvir em Mishima.

— Essa mulher é bem informada. Talvez bem informada demais.

— Senhor?

— Nada. Continue. O que há com o Senhor Harima?

— Senhor, posso respeitosamente dizer: meu navio, grande arma contra Navio Negro, neh? Se eu tomo Navio Negro bem rápido — padres muito zangados porque não dinheiro cristão aqui — não dinheiro também português outras terras. Ano passado não Navio Negro aqui, por isso não dinheiro, nelh? Se agora tomar Navio Negro rápido, muito rápido, e também próximo ano, todos padres grande medo. Essa é a verdade, senhor. Penso padres devem ceder se se ameaçar. Padres deste jeito para Toranaga-sama! — Blackthorne fechou a mão como quem agarra, para ser mais claro.

Toranaga ouvira atentamente, observando-lhe os lábios, assim como ele fazia o mesmo. — Estou acompanhando, mas para quê, Anjin-san?

— Senhor?

Toranaga adotou o mesmo esquema de usar poucas palavras: — Para obter o quê? Pegar o quê? Conseguir o quê?

— Senhor Onoshi, Senhor Kiyama e Senhor Harima.

— Então você quer interferir na nossa política, como os padres? Também acha que sabe como nos governar, Anjin-san? — Sinto muito, por favor, desculpe, não compreendo.

— Não tem importância. — Toranaga pensou um longo tempo, depois disse: — Os padres dizem que não têm poder para dar ordens aos daimios cristãos.

— Não verdade, senhor, por favor, desculpe. Dinheiro grande poder sobre padres. É a verdade, senhor. Se não Navio Negro este ano, e no próximo ano também não Navio Negro, ruína. Muito, muito mau para padres. É a verdade, senhor. Dinheiro é poder. Por favor, considere: com Céu Carmesim ao mesmo tempo ou antes, eu ataco Nagasaki. Nagasaki inimigo agora, neh? Tomo Navio Negro e ataco rotas marítimas entre Kyushu e Honshu. Talvez ameaça suficiente para transformar inimigo em amigo?

— Não. Os padres pararão o comércio. Não estou em guerra com os padres nem com Nagasaki. Oti com ninguém. Vou a Osaka. Não haverá Céu Carmesim. Wakarimasu?

— Hai. — Blackthorne não se perturbou. Sabia que agora Toranaga compreendia claramente que essa possível tática certamente esvaziaria uma larga proporção das forças de Kiyama Onoshi-Harima, todas baseadas em Kyushu. E o Erasmus certamente poderia destroçar qualquer transferência de tropa marítima em larga escala, daquela ilha para a ilha principal. Tenha paciência, advertiu a si mesmo. Deixe Toranaga pensar no assunto. Talvez seja como Mariko diz: há um longo tempo entre aqui e Osaka, e quem sabe o que pode acontecer? Prepare-se para o melhor, mas não tema o pior.

— Anjin-san, por que não dizer isso diante de Mariko-san? Ela diria aos padres? Você acha que sim?

— Não, senhor. Só querer tentar falar direto. Guerra não assunto de mulher. Um último pedido, Toranaga-sarna. — Blackthorne se lançou no rumo que escolhera. — Costume hatamoto pedir favores, às vezes. Por favor, desculpe, senhor, posso respeitosamente dizer agora possível pedido?

O leque de Toranaga parou. — Que favor?

— Sei divórcio fácil se senhor diz. Peço Toda Mariko-sama esposa. — Toranaga ficou pasmado e Blackthorne receou ter ido longe demais. — Por favor, desculpe a minha rudeza — acrescentou.

Toranaga recuperou-se rapidamente. — Mariko-san concorda?

— Não, Toranaga-sama. Segredo meu. Nunca dizer a ela, a ninguém. Segredo meu apenas. Não dizer a Toda Mariko-san. Nunca. Kinjiru, neh? Mas sei raiva entre marido e mulher. Divórcio fácil no Japão. Esse meu segredo apenas. Pedir Senhor Toranaga apenas. Muito secreto. Nunca Mariko-san. Por favor, desculpe se o ofendi.

— Isso é uma solicitação presunçosa para um estrangeiro. Inaudita! Como você é um hatamoto, o dever me obriga a considerá-la, embora você fique proibido de mencioná-la sob quaisquer circunstâncias, a ela ou ao marido. Está claro?

— Por favor? — perguntou Blackthorne, sem compreender nada, quase incapaz de pensar.

— Pedido e pensamento muito maus, Anjin-san. Compreende?