Выбрать главу

— Aceita mais um pouco, Anjin-san?

— Obrigado, Fujiko. Sim. Arroz, por favor. E um pouco de peixe. Bom... muito... — Procurou a palavra "delicioso" e disse-a várias vezes para memorizar. — Sim, delicioso, neh?

Fujiko ficou satisfeita. — Obrigada. Este peixe é do norte. Água mais fria ao norte, compreende? O nome é "kurima-ebi". Ele repetiu o nome e guardou-o na memória. Quando terminou e as bandejas foram levadas, ela lhe serviu mais chá e tirou um pacote da manga.

— Dinheiro, Anjin-san. — Mostrou-lhe as moedas de ouro. — Cinqüenta kobans. Valem cento e cinqüenta kokus. O senhor quer, neh? Para os marinheiros. Por favor, está compreendendo? — Sim, obrigado.

— Não há de quê. Suficiente?

— Sim. Acho que sim. Onde conseguiu?

— O... — Fujiko procurou um meio simples de dizer. — Eu vou importante homem Toranaga. Chefe. Como Mura, neh? Não samurai... só prestamista. Assino meu nome pelo senhor.

— Ah, compreendo. Obrigado. Meu dinheiro? Meus kokus? — Oh, sim.

— Esta casa. Comida. Criados. Quem paga? — Oh, eu pago. Do seu... dos kokus um ano. — É suficiente, por favor? Kokus suficientes? — Oh, sim. Sim, acredito que sim — disse ela. — Por que preocupação? Preocupação no rosto?

— Oh, por favor, desculpe-me, Anjin-san. Não estou preocupada. Não preocupação...

— Dor? Queimadura dor?

— Não dor. Veja. — Cuidadosamente Fujiko se levantou das espessas almofadas que ele insistia que ela usasse. Ajoelhou-se diretamente sobre os tatamis sem qualquer sinal de desconforto, depois se sentou sobre os calcanhares e se acomodou. — Pronto, tudo melhor.

— Iiiiiih, muito bom — disse ele, satisfeito por ela. — Mostrar, hein?

Ela se ergueu com cuidado, levantou a barra das saias e permitiu-lhe que olhasse as costas das pernas. O tecido da cicatriz não se fendera e não havia supuração. — Muito bom — disse ele. — Sim, logo como pele de bebê, neh?

— Obrigada, sim. Macia. Obrigada, Anjin-san.

Ele notou a leve mudança na voz dela, mas não comentou. Naquela noite não a mandou embora.

O "travesseiro" foi satisfatório. Nada mais. Para ele não houve crepúsculo ou alegre lassidão. Foi apenas um acasalamento. Tão errado, pensou ele, e no entanto não errado, neh?

Antes de deixá-lo, ela se ajoelhou, curvou-se novamente e pousou as mãos sobre a testa dele. — Agradeço-lhe de todo o coração. Por favor, durma agora, Anjin-san.

— Obrigado, Fujiko-san. Durmo mais tarde.

— Por favor, durma agora. É meu dever e me daria grande prazer.

O toque da mão era quente e seco e não era agradável. Ainda assim, ele fingiu adormecer. Ela o acariciou inabilmente, embora com grande paciência. Depois, silenciosamente, voltou para o seu quarto. Agora sozinho de novo, e contente por estar sozinho, Blackthorne apoiou a cabeça nos braços e olhou na escuridão.

Tomara uma decisão em relação a Fujiko durante a viagem de Yokosé a Yedo.

— É o seu dever — dissera-lhe Mariko, deitada nos seus braços.

— Acho que seria um erro, neh? Se ela engravidar, bem, vou levar quatro anos para navegar até em casa e voltar, e Deus sabe o que pode acontecer até lá.

Ele se lembrava de como Mariko tremera então. — Oh, Anjin-san, isso é muito tempo.

— Três então. Mas você estará a bordo comigo. Vou levá-la de volta com...

— A sua promessa, meu querido! Nada do que é, neh?

— Tem razão. Sim. Mas com Fujiko muitas coisas ruins poderiam acontecer. Não acho que ela desejaria um filho meu. — Você não sabe isso. Não o compreendo, Anjin-san. É o seu dever. Ela sempre poderia evitar um filho, neh? Não esqueça, ela é sua consorte. Na verdade, você lhe tira a dignidade se não a convida para "travesseirar". Afinal de contas, o próprio Toranaga ordenou que ela fosse para a sua casa.

— Por que ele fez isso?

— Não sei. Não tem importância. Ordenou, por conseguinte é o melhor para você e o melhor para ela. Foi bom, neh? Ela tem cumprido seu dever do melhor modo que pode, neh? Por favor, mas você não acha que devia cumprir seu dever?

— Chega de sermões! Ame-me e não fale mais.

— Como devo amá-lo? Ah, como Kiku-san me disse hoje? — Como é isso?

— Assim.

— Isso é muito bom ... muito bom.

— Oh, esqueci, acenda a lâmpada, por favor, Anjin-san. Tenho uma coisa para lhe mostrar.

— Mais tarde, agora eu...

— Oh, por favor, desculpe-me, tem que ser agora. Comprei para você. É um livro de "travesseiro". As figuras são muito engraçadas.

— Não quero ver um livro de "travesseiro" agora.

— Mas, desculpe, Anjin-san, talvez uma das gravuras o excitasse. Como se pode aprender sobre "travesseiro" sem um livro de "travesseiro"?

— Já estou excitado.

— Mas Kiku-san disse que é o melhor meio de escolher posições. São quarenta e sete. Algumas parecem surpreendentes e muito difíceis, mas, ela disse que é importante tentar todas... Por que está rindo?

— Você está rindo... por que eu não deveria rir também? — Mas eu estava rindo porque você também estava, e eu senti o seu estômago balançando e você não vai deixar que eu me levante. Por favor, deixe-me levantar, Anjin-san!

— Ah, mas você não pode ser tão rabugenta, Mariko, querida. Não há mulher no mundo que possa realmente ser tão rabugenta assim...

— Mas, Anjin-san, por favor, deve deixar que eu me levante. Quero lhe mostrar.

— Está bem. Se isso ...

— Oh, não, Anjin-san, eu não queria — você não deve — não pode só esticar a mão — por favor, ainda não — oh, por favor, não se afaste — oh, como o amo assim...

Blackthorne lembrava-se daquela noite. Mariko excitou-o mais do que Kiku, e Fujiko não era nada comparada às duas. E Felicity?

Ah, Felicity, pensou ele, concentrando-se no seu grande problema. Devo estar louco por amar Mariko, e Kiku. E no entanto... a verdade sobre Felicity é que agora ela não pode se comparar sequer com Fujiko. Fujiko é limpa. Pobre Felicity. Nunca serei capaz de lhe dizer, mas a lembrança de nós dois no cio como um par de arminhos sobre o feno ou sob cobertas rançosas faz a minha pele se arrepiar. Agora conheço coisa melhor. Agora poderia ensiná-la, mas ela gostaria de aprender? E como poderíamos nos limpar, permanecer limpos e viver limpos?

Meu lar é lixo amontoado sobre lixo, mas é lá que se encontra a minha mulher, é lá que estão meus filhos e é lá que eu sou. — Não pense nesse lar, Anjin-san — dissera Mariko uma vez, quando ele se deixara envolver pela névoa escura das lembranças. — O lar real é aqui, o outro está a dez milhões de vezes, dez milhões de bastões de distância. Aqui é a realidade. O senhor vai enlouquecer se tentar atingir a wa a partir de tais impossibilidades. Ouça, se o senhor quer paz deve aprender a tomar chá de uma xícara vazia.

Ela lhe mostrara como. — O senhor pensa na realidade na xícara, pensa que o chá está lá, a quente e verde-clara bebida dos deuses. Se se concentrar intensamente... Oh, um professor zen poderia lhe mostrar, Anjin-san. É muito difícil, mas muito fácil. Como gostaria de ser inteligente o bastante para lhe mostrar, pois então todas as coisas do mundo podem ser suas, bastando pedi-Ias... até o presente mais inconquistáveclass="underline" a tranqüilidade perfeita.

Ele tentara muitas vezes, mas nunca conseguiu tomar a bebida quando ela não estava lá.

— Não tem importância, Anjin-san. Leva muito tempo para aprender, mas o senhor aprenderá, algum dia.

— A senhora consegue?

— Raramente. Apenas em momentos de grande tristeza ou solidão. Mas o sabor do chá irreal parece dar um sentido à vida. É difícil de explicar. Fiz uma ou duas vezes. Às vezes se atinge a wa com a simples tentativa.

Agora, deitado no escuro do castelo, o sono tão remoto, ele acendeu a vela com a pederneira e se concentrou na pequena xícara de porcelana que Mariko lhe dera e que ele agora mantinha sempre ao lado da cama. Tentou durante uma hora. Mas não conseguiu purificar a mente. Inevitavelmente os mesmos pensamentos se atropelavam: quero partir, quero ficar. Tenho medo de voltar, tenho medo de permanecer aqui. Odeio a ambos e amo a ambos. E depois há os "eters".