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— Sim. Por favor, desculpe-me. Isso é privilégio exclusivo seu. Peço-lhe que me perdoe por ter duvidado do senhor.

— Por que eu deveria lhe perdoar por ser o que é, amigo velho? Eu precisava que você fizesse o que fez e dissesse o que disse. Agora preciso de você mais do que nunca. Preciso de alguém em quem possa confiar. É por isso que estou lhe fazendo a confidência. Isto tem que ficar em segredo entre nós.

— Oh, senhor, faz-me tão feliz...

— Sim — disse Toranaga. — É a única coisa de que tenho medo.

— Senhor?

— Você é comandante-chefe. Só você pode neutralizar esse motim estúpido que está sendo tramado enquanto aguardo. Confio em você e devo confiar. Meu filho não pode controlar os meus generais, embora nunca viesse a demonstrar alegria com o segredo, se o soubesse, mas o seu rosto é o portão da sua alma, amigo velho.

— Então deixe-me tirar a vida depois de ter acomodado os generais.

— Isso não é ajuda. Você deve mantê-los unidos, à espera da minha pretensa partida, neh? Simplesmente terá que vigiar o seu rosto e o seu sono como nunca antes. Você é o único no mundo que sabe — é o único em quem devo confiar, neh?

— Perdoe-me minha estupidez. Não falharei. Explique-me o que devo fazer.

— Diga aos meus generais a verdade: que você me persuadiu a aceitar o seu conselho, que também é o deles, neh? Formalmente ordeno que a minha partida seja adiada por sete dias. Depois adiarei de novo. Por doença, dessa vez. Você é o único que sabe.

— E depois? Depois será Céu Carmesim?

— Não, conforme o planejado originalmente. Céu Carmesim foi sempre um último plano, neh?

— Sim. E o Regimento de Mosquetes? Não poderia abrir caminho através das montanhas?

— Parte do caminho. Mas não o caminho todo até Kyoto. — Mande assassinar Zataki.

— Isso poderia ser possível. Mas Ishido e seus aliados ainda são invencíveis. — Toranaga revelou-lhe os argumentos de Omi, Yabu, Igurashi e Buntaro, no dia do terremoto. — Naquela época ordenei Céu Carmesim como outro ardil para confundir Ishido... e também tive as partes certas da discussão cochichadas em ouvidos errados. Mas o fato é que a força de Ishido ainda é invencível.

— Como podemos dividi-Ia? E quanto a Kiyama e Onoshi? — Não, esses dois estão implacavelmente contra mim. Todos os cristãos estarão contra mim, exceto o meu cristão, e logo o colocarei, a ele e ao seu navio, em uso, um uso ótimo. Tempo é o que mais preciso. Tenho aliados e amigos secretos por todo o império, e se tivesse tempo... Cada dia que eu ganho enfraquece mais Ishido. Esse é o meu plano de batalha. Cada dia de atraso é importante. Ouça, depois das chuvas, Ishido virá contra o Kwanto, numa manobra de tenazes, Ikawa Jikkyu avançando contra o sul, Zataki ao norte. Nós vamos deter Jikkyu em Mishima, depois recuar até o passo Yokosé e Odawara, de onde fazemos nossa resistência final. Ao norte reteremos Zataki nas montanhas ao longo da estrada Hosho-kaido, em algum lugar perto de Mikawa. O que Omi e Igurashi disseram é verdade: podemos rechaçar o primeiro ataque e não deve haver outra grande invasão. Lutamos e esperamos atrás das nossas montanhas. Lutamos e protelamos e esperamos e depois, quando a fruta estiver madura... Céu Carmesim.

— Iuuuh, que esse dia chegue logo!

— Ouça, amigo velho, só você pode controlar os meus generais. Com tempo e o Kwanto seguro, completamente seguro, podemos vencer o primeiro ataque e então as alianças de Ishido começarão a se romper. Uma vez que isso aconteça, o futuro de Yaemon está garantido e o testamento do táicum, inviolável.

— Não tomará o poder sozinho, senhor?

— Pela última vez: "A lei pode subverter a razão, mas a razão não pode subverter a lei, ou a nossa sociedade toda se rasgará como um tatami velho. A lei pode ser usada para confundir a razão, a razão certamente não pode ser usada para subverter a lei". O testamento do táicum é lei.

Hiromatsu curvou-se em aceitação. — Muito bem, senhor. Nunca mencionarei isso de novo. Por favor, desculpe-me. Agora... — Deixou seu sorriso mostrar-se. — Agora, o que devo fazer?

— Finja que me convenceu a adiar. Simplesmente controle-os todos com o seu punho de aço.

— Quanto tempo devo manter o fingimento? — Não sei.

— Não confio em mim mesmo, senhor. Posso cometer um engano, sem a intenção disso. Acho que posso manter a alegria longe do rosto por alguns dias. Com a sua permissão, as minhas "dores" devem se tornar sérias, e ficarei confinado ao leito, sem visitas, neh?

— Bom. Faça isso dentro de quatro dias. A partir de hoje, demonstre que está sentindo dor. Não será difícil, neh?

— Não, senhor. Sinto muito. Fico contente de que a batalha comece este ano. No próximo... posso não ser capaz de ajudar.

— Absurdo. Mas será este ano se eu disser sim ou não. Dentro de dezesseis dias partirei de Yedo para Osaka. Até lá você terá dado a sua "aprovação relutante" e liderará a marcha. Só você e eu sabemos que haverá adiamentos posteriores e que bem antes de atingir as minhas fronteiras, voltarei a Yedo.

— Por favor, perdoe-me por ter duvidado do senhor. Não fosse porque devo permanecer vivo para ajudar os seus planos, eu não poderia viver com a minha vergonha.

— Não há de que se envergonhar, amigo velho. Se você não tivesse sido convencido, Ishido e Zataki teriam percebido o truque. Oh, a propósito, como estava Buntaro-san quando você o viu?

— Perturbado, senhor. Será bom termos uma boa batalha para ele lutar.

— Ele sugeriu me substituir como suserano?

— Se ele me dissesse isso, eu lhe teria arrancado a cabeça. Imediatamente!

— Mandarei chamar você dentro de três dias. Peça para me ver diariamente, mas eu recusarei até lá.

— Sim, senhor. — O velho general curvou-se humildemente. — Por favor, perdoe este velho tolo. Deu-me um sentido para a vida novamente. Obrigado. — E saiu.

Toranaga tirou a pequena tira de papel da manga e releu a mensagem da mãe com uma satisfação enorme. Com a estrada nordeste possivelmente aberta e Ishido possivelmente traído lá, as suas probabilidades melhoravam enormemente. Atirou a mensagem às chamas. O papel contorceu-se reduzindo-se a cinzas. Contente, ele desmanchou a cinza, transformando-a em pó. Agora, quem deve ser o novo comandante-chefe? perguntou a si mesmo.

Ao meio-dia, Mariko atravessou o adro do torreão, por entre as silenciosas fileiras de guardas, e entrou. O secretário de Toranaga a esperava numa das ante-salas do térreo. — Sinto muito ter mandado chamá-la, Senhora Toda — disse ele sem prestar-lhe atenção.

— O prazer foi meu, Kawanabi-san.

Kawanabi era um samurai velho, de traços severos, com a cabeça raspada. Já fora sacerdote budista. Fazia anos, agora, que lidava com toda a correspondência de Toranaga. Normalmente era brilhante e entusiasmado. Naquele dia, como a maioria das pessoas no castelo, estava grandemente inquieto. Estendeu a ela um pequeno rolo de pergaminho. — Aqui estão os documentos de viagem para Osaka, devidamente assinados. Deve partir amanhã e chegar lá o mais rápido possível.

— Obrigada. — A voz dela soou minúscula para ela mesma. — O Senhor Toranaga diz que talvez tenha alguns despachos particulares para a senhora levar à Senhora Kiritsubo e à Senhora Koto. Também para o Senhor General Ishido e a Senhora Ochiba. Ser-lhe-ão entregues amanhã ao amanhecer se... sinto muito, se estiverem prontos. Providenciarei para que lhe sejam entregues.

— Obrigada.

Dentre uma quantidade de rolos empilhados com um esmero pedante na escrivaninha baixa dele, Kawanabi selecionou um documento oficial. — Fui instruído para lhe entregar isto. É o aumento do feudo do seu filho, conforme o prometido pelo Senhor Toranaga. Dez mil kokus anuais. Está datado do último dia do mês passado e... bem, aqui está.

Ela aceitou, leu e examinou os selos oficiais. Estava tudo perfeito. Mas não lhe deu felicidade alguma. Ambos acreditavam que era um papel vazio agora. Se a vida do seu filho fosse poupada, ele se tornaria ronin. — Obrigada. Por favor, agradeça ao Senhor Toranaga pela honra que me confere. Posso ser autorizada a vê-lo antes de partir?