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— Penso que o senhor escolheu corretamente.

— O quê?

— Primeiro tome o seu banho, depois acho que tenho um presente para o senhor.

— Que presente?

— O seu irmão Mizuno virá após a refeição noturna.

— Isso é um presente? -— indignou-se Yabu. — O que eu poderia querer com esse imbecil?

— Informação ou prudência especial, mesmo vinda de um imbecil, pode ter valor igual à que vem de um conselheiro, neh? Às vezes até mais.

— Que informação?

— Primeiro o seu banho. E comida. Precisará estar com a cabeça fresca esta noite, Yabu-chan.

Yabu a teria pressionado, mas o banho o tentava e, na verdade, estava dominado por uma agradável lassidão que não sentia há muitos dias. Parte dela devia-se à deferência de Toranaga naquela manhã, parte à deferência geral dos últimos dias. Mas a maior parte vinha da matança, a ondulação de alegria que correra para o braço, para a cabeça. Ah, matar tão habilmente, de homem para homem, diante de homens, isso é uma alegria concedida a muito poucos, muito raramente. Rara o suficiente para ser apreciada e saboreada.

Então deixou a esposa e entregou-se mais ainda à sua alegria. Permitiu que mãos lhe cuidassem do corpo e depois, refrescado e revigorado, dirigiu-se para um aposento com varanda. Os últimos raios de crepúsculo adornavam o céu. A lua estava baixa, crescente, e delgada. Ele comeu frugalmente, em silêncio. Um pouco de sopa e vegetais em conserva.

A garota sorriu, convidativa. — Devo desdobrar os futons agora, senhor?

Yabu balançou a cabeça. — Mais tarde. Antes diga à minha esposa que quero vê-Ia.

Yuriker chegou, usando um quimono asseado mas velho. — So desu ka?

— Seu irmão está esperando. Devemos vê-lo sozinho. Primeiro o senhor o vê, depois conversamos, o senhor e eu — também a sós. Por favor, seja paciente, neh?

Kasigi Mizuno, irmão mais novo de Yabu e pai de Omi, era um homem pequeno com olhos bulbosos, testa alta e cabelo ralo. Suas espadas não pareciam lhe cair bem e ele mal sabia manejá-las. Mesmo com arco e flecha não era muito melhor.

Mizuno curvou-se e cumprimentou Yabu pela habilidade daquela tarde, pois a notícia da façanha se espalhara rapidamente em torno do castelo, intensificando ainda mais a reputação de Yabu como lutador. Depois, ansioso por agradar, foi ao ponto. — Recebi uma carta em código hoje, do meu filho, senhor. A Senhora Yuriko achou que seria melhor entregá-la ao senhor pessoalmente. — Estendeu o pergaminho a Yabu, com a decodificação. A mensagem de Omi dizia: "Pai, por favor diga ao Senhor Yabu rapidamente e em particular, primeiro, que o Senhor Buntaro veio a Mishima, secretamente via Takato. Um dos homens dele deixou isso escapar durante uma noite de bebedeira que organizei em honra deles. Segundo: durante essa visita secreta a Takato, que durou três dias, Buntaro viu o Senhor Zataki duas vezes e a senhora mãe dele, três. Terceiro: antes de o Senhor Hiromatsu partir de Mishima, disse à sua nova consorte, a Senhora Oko, que não se preocupasse, porque enquanto eu viver, o Senhor Toranaga nunca deixará o Kwanto. Quarto: que..."

Yabu levantou os olhos. — Como Omi pode saber o que Punho de Aço disse privadamente à consorte? Não temos espiões na casa dele.

— Agora temos, senhor. Por favor, continue a ler. "Quarto: que Hiromatsu está decidido a cometer traição, se necessário, e confinará Toranaga em Yedo, se necessário, e ordenará Céu Carmesim contra a recusa de Toranaga, com ou sem o assentimento do Senhor Sudara, se necessário. Quinto: que isto são verdades a que se pode dar crédito. A criada pessoal da Senhora Oko é filha da mãe adotiva de minha esposa, e foi introduzida no serviço da Senhora Oko aqui em Mishima quando, lamentavelmente, a criada dela curiosamente contraiu uma indisposição devastadora. Sexto: Buntaro-san está como louco, meditabundo e furioso: hoje desafiou e massacrou um samurai de propósito, amaldiçoando o nome do Anjin-san. Por último: espiões relatam que Ikawa Jikkyu concentrou dez mil homens em Suruga, prontos para se derramar pelas nossas fronteiras. Por favor, apresente ao Senhor Yabu as minhas saudações... " O resto da mensagem era inconseqüente.

— Jikkyu, hein!? Será que vou para a morte sem tomar vingança desse demônio!?

— Por favor, seja paciente, senhor — disse Yuriko. — Diga-lhe, Mizuno-san.

— Senhor — começou o homenzinho —, durante meses tentamos pôr em prática o seu plano, aquele que o senhor sugeriu quando o bárbaro chegou. Lembra-se, com todas aquelas moedas de prata, o senhor mencionou que cem ou até quinhentas, nas mãos do cozinheiro certo, eliminariam Ikawa Jikkyu de uma vez por todas. — Os olhos de Mizuno pareceram tornar-se ainda mais anfíbios. — Parece que Mura, o cabeça de Anjiro, tem um primo, o qual tem um primo, cujo irmão é o melhor cozinheiro de Suruga. Ouvi dizer hoje que ele foi aceito na casa de Jikkyu. Já recebeu duzentas por conta e o preço total é quinhe...

— Não temos esse dinheiro! Impossível! Como posso levantar quinhentas — estou tão endividado agora, que não posso levantar nem cem!

— Por favor, desculpe-me, senhor. Sinto muito, mas o dinheiro já está separado. Nem todas as moedas do bárbaro continuaram na caixa-forte. Mil moedas extraviaram-se antes de o dinheiro ser oficialmente contado. Sinto muito.

Yabu olhou-o apalermado. — Como?

— Parece que Omi-san recebeu ordem de fazer isso em seu nome. O dinheiro foi trazido para cá secretamente, para a Senhora Yuriko, cuja permissão foi solicitada e concedida antes de se correr o risco de contrariá-lo.

Yabu pensou sobre isso um longo tempo. — Quem ordenou? — Eu. Depois de obter permissão.

— Obrigado, Mizuno-san. E obrigado, Yuriko-san. — Yabu curvou-se para ambos. — Ora! Jikkyu, hein? Finalmente! — Bateu calorosamente no ombro do irmão e o homenzinho foi quase patético no seu prazer servil. — Agiu muito bem, irmão. Mandarlhe-ei alguns rolos de seda. Como vai a senhora sua esposa?

— Bem, senhor, muito bem. Pede-lhe que aceite os seus melhores votos.

— Vamos comer juntos. Bem... bom. Agora, quanto ao resto do relatório... quais são os seus pontos de vista?

— Nada, senhor. Eu estaria mais interessado no que o senhor acha que significa.

— Primeiro... — Yabu parou ao captar o olhar da esposa, advertindo-o, e mudou o que ia dizer. — Primeiro e último, significa que Omi-san, seu filho, é leal e um excelente vassalo. Se eu tivesse controle sobre o futuro, eu o promoveria — sim, ele merece promoção, neh?

Mizuno ficou untuosamente encantado. Yabu foi paciente com ele, tagarelando, cumprimentando-o de novo, e, tão logo a polidez o permitiu, dispensou-o.

Yuriko mandou buscar chá. Quando ficaram absolutamente a sós de novo, ele disse: — O que significa o resto?

O rosto dela refletia sua excitação agora: — Por favor, desculpe-me, senhor, mas quero lhe dar uma nova idéia: Toranaga está nos fazendo a todos de tolos e não tem intenção, nem nunca teve, de ir a Osaka render-se.

— Absurdo!

— Deixe-me dar-lhe fatos... Oh, senhor, não sabe como é feliz em ter o seu vassalo Omi e esse estúpido irmão que roubou mil moedas. A prova da minha teoria poderia ser esta: Buntaro san, um íntimo de confiança, é enviado secretamente a Zataki. Por quê? Obviamente para levar uma nova oferta. O que tentaria Zataki? O Kwanto — apenas isso. Por isso a oferta é o Kwanto — em troca de lealdade, desde que Toranaga seja novamente presidente do conselho de regentes — um conselho novo com um novo mandato. Ele poderia se permitir dar o Kwanto então, neh? — Ela esperou, depois continuou meticulosamente: — Se ele convence Zataki a trair Ishido, está a um quarto do caminho até a capital, Kyoto. Como o pacto com o irmão pode ser consolidado? Reféns! Ouvi esta tarde que o Senhor Sudara, a Senhora Genjiko, suas filhas e filho vão visitar a veneranda avó em Takato, dentro de dez dias.

— Todos eles?

— Sim. Depois Toranaga devolve o navio ao Anjin-san, tão bom quanto se estivesse novo, com todos os canhões e pólvora, duzentos fanáticos e todo aquele dinheiro, certamente o suficiente para contratar mais mercenários bárbaros, wakos de Nagasaki. Por quê? Para permitir-lhe atacar e tomar o Navio Negro dos bárbaros. Se não houver Navio Negro, não haverá dinheiro, e haverá um problema imenso para os padres cristãos que controlam Kiyama, Onoshi e todos os traidores daimios cristãos.