Выбрать главу

— Mais tarde, Anjin-san. — Yabu dirigiu-se para o topo da escada de embarque.

Blackthorne voltou-se para os seus homens. — Tomem seus lugares. Depressa. E cuidado com a língua. Falem apenas holandês — há um a bordo que compreende português! Conversarei com vocês quando estivermos a caminho! Mexam-se!

Os homens se dispersaram, contentes por se afastarem da presença de Yabu. Uraga e vinte dos samurais de Blackthorne subiram a bordo. Os outros estavam se formando no molhe, para embarcar na galera.

— Estes são seus guardas pessoais, se lhe aprouverem, senhor — disse Uraga.

— Meu nome é Anjin-san, não "senhor" — disse Blackthorne.

— Por favor, desculpe-me, Anjin-san. — Uraga começou a subir os degraus.

— Pare! Fique embaixo! Ninguém jamais sobe ao tombadilho sem a minha permissão! Diga a eles.

— Sim, Anjin-san. Por favor, desculpe-me.

Blackthorne foi até o costado para observar a galera atracando, exatamente a oeste deles. — Ginsel! Vá a terra e observe-os pegar as nossas espias! Veja que sejam presas adequadamente. Parecem vivas agora!

Então, com o navio sob controle, Blackthorne examinou os vinte homens. — Por que foram todos escolhidos do grupo amarrado, Uraga-san?

— Eles são um clã, sen... Anjin-san. Como irmãos, senhor. Rogam a honra de defendê-lo.

— Anata wa — anata wa — anata wa Blackthorne apontou dez homens ao acaso e ordenou que desembarcassem, para serem substituídos por outros vassalos seus, também a serem selecionados por Uraga ao acaso. E disse a Uraga que deixasse claro que todos os seus vassalos deviam ser como irmãos, ou podiam cometer seppuku imediatamente.

— Wakarimasu?

— Hai, Anjin-san. Gomen nasai.

Logo as espias de proa estavam a bordo da outra embarcação. Blackthorne inspecionou tudo, examinou o vento novamente, usando todo o seu sentido marítimo, sabendo que, mesmo dentro das águas benignas da vasta enseada de Yedo, a jornada poderia ser perigosa se um temporal repentino começasse.

— Zarpar! — gritou. — Ima, capitão-san!

O outro capitão acenou e deixou a galera afastar-se do molhe. Naga estava a bordo da outra embarcação, apinhada com samurais e o resto dos vassalos de Blackthorne. Yabu erguia-se ao lado de Blackthorne no tombadilho do Erasmus. O navio adernou ligeiramente e um tremor percorreu-o quando foi tomado pelo peso de uma corrente. Blackthorne e toda a tripulação ficaram cheios de júbilo, a excitação de estarem mais uma vez ao mar sobrepujando as preocupações. Ginsel estava debruçado sobre a minúscula plataforma de estibordo, atado a uma corda, indicando o rumo e avisando das braças. O atracadouro começou a ficar distante.

— Ó de bordo à freme! Yukkuri sei! Devagar!

— Hai, Anjin-san — foi o grito em resposta. Juntos os dois navios dirigiram-se para fora da enseada, luzes de âncora ao topo dos mastros.

— Bom, Anjin-san — disse Yabu. — Muito bom!

Yabu esperou até que estivessem bem ao largo, então chamou Blackthorne à parte. — Anjin-san — disse cautelosamente, o senhor me salvou a vida ontem. Compreende? Detendo aqueles ronins. Lembra-se?

— Sim. Apenas meu dever.

 — Não, não dever. Em Anjiro, lembra-se daquele outro homem, o marinheiro ... lembra-se?

— Sim, lembro-me.

— Shikata ga nai, neh? Karma, neh? Aquilo foi antes de samurai ou hatamoto... — Os olhos de Yabu cintilavam à luz da lanterna. Ele tocou a espada de Blackthorne e falou suave e claramente: — ...antes de Vendedor de óleo, neh? De samurai para samurai, peço que esqueça tudo antes. Comece o novo. Esta noite. Por favor? Compreende?

— Sim, compreendo.

— Precisa de mim, Anjin-san. Sem mim, nenhum wako bárbaro. Não pode consegui-los sozinho. Não em Nagasaki. Nunca. Eu posso consegui-los, ajudá-lo a consegui-los. Agora lutamos do mesmo lado. O lado de Toranaga. O mesmo lado. Sem mim, não wako, compreende?

Blackthorne observou a galera à frente um instante, examinou o convés e seus marujos. Depois olhou para Yabu. — Sim, compreendo.

— Compreende "ódio", a palavra "ódio"? — Sim.

— O ódio vem do medo. Eu não o temo. O senhor precisa não ter medo de mim. Nunca mais. Eu quero o que quero: os seus novos navios aqui, o senhor aqui, capitão dos novos navios. Posso ajudá-lo muitíssimo. Primeiro o Navio Negro... ah, sim, Anjin-san — disse ele, vendo a alegria perpassar pelo rosto de Blackthorne, convencerei o Senhor Toranaga. O senhor sabe que sou um lutador, neh? Comandarei o ataque. Tomarei o Navio Negro para o senhor por terra. Juntos, o senhor e eu, somos mais fortes do que um só. Neh?

— Sim. Possível conseguir mais homens? Mais do que os meus duzentos?

— Se o senhor precisar de dois mil... cinco mil! Não se preocupe, o senhor comanda o navio, eu comando o combate. Concorda?

— Sim. Acordo justo. Obrigado. Concordo.

— Bom, muito bom, Anjin-san — disse Yabu satisfeito. Sabia que aquela sociedade beneficiaria a ambos, por mais que o bárbaro o odiasse. Novamente a lógica de Yuriko fora impecável.

Antes, naquela mesma noite, ele vira Toranaga e pedira permissão para ir imediatamente a Osaka para preparar o caminho para ele. — Por favor, desculpe-me, mas considerei o assunto muito urgente — dissera Yabu deferentemente, conforme ele e a esposa planejaram. — Afinal de contas, o senhor devia ter alguém de posição lá para se certificar de que todos os arranjos estão perfeitos. Ishido é um camponês e não entende de cerimônia, neh? Os preparativos devem estar perfeitos ou o senhor não deve ir, neh? Poderia levar semanas, neh?

Ele ficara encantado com a facilidade com que Toranaga fora persuadido. — Depois também há o navio bárbaro, senhor. É melhor colocá-lo em Yokohama imediatamente, para o caso de tai-fun. Supervisionarei isso pessoalmente, com a sua permissão, antes de ir. O Regimento de Mosquetes pode guardar o navio, isso lhe dá alguma coisa para fazer. Depois prosseguirei diretamente para Osaka com a galera. Por mar seria melhor e mais rápido, neh?

— Muito bem, sim, se acha que isso é prudente, Yabu-san, faça. Mas leve Naga-san consigo. Deixe-o no comando em Yokohama.

— Sim, senhor. — Depois Yabu contara a Toranaga sobre a raiva do Tsukku-san e dissera que, se o Senhor Toranaga quisesse que o Anjin-san vivesse tempo suficiente para conseguir homens em Nagasaki, para o caso de Toranaga desejar que o navio se fizesse ao mar, então talvez isso devesse ser feito imediatamente, sem hesitação. — O padre ficou muito furioso. Acho que furioso o bastante para lançar seus convertidos contra o Anjin-san!

— Tem certeza?

— Oh, sim, senhor. Talvez eu devesse colocar o Anjin-san sob a minha proteção no momento. — Depois, como se se tratasse de um pensamento súbito, acrescentou: — O mais simples seria levar o Anjin-san comigo. Posso dar início a preparativos em Osaka, continuar até Nagasaki, conseguir os novos bárbaros, depois completar os preparativos no meu regresso.

— Faça o que achar melhor — dissera Toranaga. — Deixo a seu critério, meu amigo. O que importa, neh? O que importa qualquer coisa?

Yabu ficou feliz de, finalmente, poder agir. Apenas a presença de Naga não fora planejada, mas isso não tinha importância e, na verdade, seria prudente tê-lo em Yokohama.

Yabu estava observando o Anjin-san — a postura alta, arrogante, os pés ligeiramente afastados, oscilando tranqüilamente com o jogo da embarcação e o jogo das ondas, aparentemente uma parte do navio, tão imenso, forte e diferente. Tão diferente de quando estava em terra. Conscientemente Yabu começou a assumir uma postura semelhante, imitando-o com cuidado.

— Quero mais do que o Kwanto, Yuriko-san — sussurrara à esposa pouco antes de sair de casa. — Só mais uma coisa. Quero o controle do mar. Quero ser almirante supremo. Investiremos toda a renda do Kwanto no plano de Omi de escoltar o bárbaro ao país dele, para comprar mais navios e trazê-los para cá. Omi irá com ele, neh?