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Ginsel postou-se diante de Blackthorne. — Pensei que fôssemos voltar esta noite. Por que não vamos voltar esta noite?

— Quanto tempo vamos ficar aqui, piloto, e quanto tempo... — Piloto, e Yedo? — perguntou Ginsel mais alto. — Quanto tempo vamos ficar aqui com esses malditos macacos?

— Sim, macacos, por Deus! — disse Sonk, alegre. — E o nosso equipamento e a nossa gente?

— Sim, os nossos "eters", piloto? Nossa gente e nossas garotas.

— Estarão lá amanhã. — Blackthorne controlou a aversão que sentia. — Tenham paciência, voltarei assim que puder. Baccus, você fica encarregado. — Voltou-se para descer.

— Vou junto — disse Jan Roper truculentamente, seguindo-o. — Estamos numa enseada, portanto temos precedência e quero algumas armas.

Blackthorne voltou-se para ele e uma dúzia de espadas deixaram as bainhas, prontas para matar Jan Roper. — Mais uma palavra sua e você é um homem morto. — O mercador alto e magro corou e parou. — Dobre a língua perto destes samurais porque qualquer um deles lhe arrancará a cabeça antes que eu possa detê-los por causa da sua maldita grosseria — sem falar de outras coisas! Eles são suscetíveis, e perto de você eu também estou ficando suscetível, e você terá armas quando precisar delas. Compreendeu?

Jan Roper assentiu, mal-humorado, e recuou. Os samurais ainda estavam ameaçadores, mas Blackthorne os acalmou e lhes ordenou, sob pena de morte, que deixassem a tripulação em paz. — Voltarei logo. — Desceu a escada e entrou no bote, seguido de Uraga e outro samurai. Chisato, o capitão, aproximou-se de Jan Roper, que estremeceu sob a ameaça, curvou-se e recuou.

Quando já estavam bem afastados do navio, Blackthorne agradeceu a Uraga por capturar o traidor.

— Por favor, não agradeça. Foi apenas o meu dever. Blackthorne disse em japonês, de modo que o outro homem pudesse compreender: — Sim, dever. Mas os seus kokus mudam agora. Agora não vinte, mas cem por ano.

— Oh, senhor, obrigado. Não mereço. Eu estava apenas cumprindo o meu dever e devo...

— Fale devagar. Não compreendo.

Uraga pediu desculpas e disse mais lentamente. Blackthorne elogiou-o de novo, depois acomodou-se mais confortavelmente na popa do bote, sua exaustão dominando-o. Forçou os olhos a continuarem abertos e olhou para o navio, lá atrás, para se certificar de que estava bem posicionado. Van Nekk e os outros estavam à amurada, e ele se arrependeu de tê-los trazido a bordo, embora soubesse que não tivera opção. Sem eles a viagem não teria sido segura.

Escória rebelde, pensou. Que diabo faço com eles? Todos os meus vassalos sabem sobre a aldeia eta e todos eles são tão repulsivos quanto... Jesus Cristo, que mixórdia! Karma, neh? Adormeceu. Quando o bote embicou na praia perto do molhe, despertou. De imediato não conseguiu se lembrar de onde estava. Sonhara que estava de volta ao castelo, nos braços de Mariko, exatamente como na noite anterior.

Na noite anterior, estavam deitados, meio adormecidos depois de terem feito amor, Fujiko totalmente a par, Chimmoko de guarda, quando Yabu e seus samurais esmurraram o batente da porta. A noite começara de modo muito agradável. Fujiko discretamente também convidara Kiku, e ele nunca a vira mais bela e exuberante. Quando os sinos soaram a hora do Javali, Mariko chegara pontualmente. Houvera muita alegria e saquê, mas logo Mariko quebrara o encanto.

— Sinto muito, mas está correndo grande perigo, Anjin-san. — Ela explicou e quando acrescentou o que Gyoko dissera sobre não confiar em Uraga, tanto Kiku quanto Fujiko ficaram igualmente perturbadas.

— Por favor, não se preocupem. Eu o vigiarei, não temam — tranqüilizara-as ele.

Mariko continuara: — Talvez o senhor também devesse vigiar Yabu-sama, Anjin-san.

— O quê?

— Esta tarde vi o ódio no seu rosto. Ele também viu.

— Não tem importância — dissera ele. — Shikata ga nai, neh?

— Não. Sinto muito, foi um engano. Por que o senhor chamou os seus homens de volta quando Yabu-sama estava cercado? Com certeza isso também foi um engano grave. Eles o teriam rapidamente liquidado e seu inimigo estaria morto sem risco para o senhor.

— Não teria sido direito, Mariko-san. Tantos homens contra um só. Não seria justo.

Mariko explicara a Fujiko e a Kiku o que ele dissera. — Por favor, desculpe-me, Anjin-san, mas todas nós acreditamos que esse é um modo de pensar muito perigoso e pedimos que renuncie a ele. É totalmente errado e muito ingênuo. Por favor, desculpe-me por ser tão brusca. Yabu-san o destruirá.

— Não. Ainda não. Ainda sou importante demais para ele. E para Omi-san.

— Kiku-san disse: "Por favor, diga ao Anjin-san para tomar cuidado com Yabu, e com esse Uraga. O Anjin-san pode achar difícil avaliar ‘importância' aqui, neh?"

— Sim, concordo com Kiku-san -— dissera Fujiko.

Mais tarde Kiku partira para ir distrair Toranaga. Então Mariko rompera a paz na sala de novo. — Esta noite devo dizer sayonara, Anjin-san. Parto ao amanhecer.

— Não, não há necessidade disso agora — dissera ele. — Pode ser tudo mudado agora. Eu a levarei a Osaka. Arranjarei uma galera ou um navio costeiro. Em Nagasa...

— Não, Anjin-san. Sinto muito, devo partir conforme o ordenado. — O argumento mais persuasivo não conseguira demovê-la. Ele sentira Fujiko a observá-lo em silêncio, o coração doendo com a idéia da partida de Mariko. Olhara para Fujiko. Ela pedira licença por um momento. Fechara a shoji atrás de si e eles ficaram sozinhos, sabendo que Fujiko não voltaria, que estavam seguros por algum tempo. O amor foi urgente e violento. Depois houve vozes e passos e tempo apenas suficiente para se recomporem antes que Fujiko se juntasse a eles pela porta interna e Yabu entrasse na sala, trazendo ordens de Toranaga para uma partida imediata, secreta. — ...Yokohama, depois Osaka para uma breve parada, Anjin-san, em frente até Nagasaki, de volta a Osaka, e para casa! Mandei buscar a sua tripulação e que se apresentasse ao navio.

Ele fora dominado pela excitação ante a vitória enviada pelo céu. — Sim, Yabu-san. Mas Mariko-san... Mariko-san vai a Osaka também, neh? Melhor conosco, mais rápido, mais seguro, neh?

— Impossível, sinto muito. Deve se apressar. Vamos! A maré — compreende "maré", Anjin-san?

— Hai, Yabu-san. Mas Mariko-san vai a Osaka...

— Sinto muito, ela tem ordens, assim como nós temos ordens. Mariko-san! Explique-lhe. Diga-lhe que se apresse. Yabu fora inflexível, e tão tarde da noite era impossível ir até Toranaga, pedir-lhe que anulasse a ordem. Não houvera tempo ou privacidade para conversar mais com Mariko ou com Fujiko, além de dizer os adeuses formais. Mas logo se encontrariam em Osaka. — Muito em breve, Anjin-san — dissera Mariko...

— Senhor Deus, não me deixe perdê-la — disse Blackthorne, as gaivotas grasnando acima da praia, seus gritos intensificandolhe a solidão.

— Perder a quem, senhor?

Blackthorne voltou à realidade. Apontou para o navio à distância. — Chamamos navios de "ela", pensamos em navios no feminino, não no masculino. Wakarimasu ka?

— Hai.

Blackthorne ainda podia ver os vultos minúsculos da sua tripulação e seu dilema insolúvel despontou mais uma vez. Você precisa tê-los a bordo, disse a si mesmo, e mais homens como eles. E os novos também não vão se dar com os samurais, e serão católicos igualmente, a maioria deles. Deus no paraíso, como controlá-los todos? Mariko tinha razão. Perto dos católicos sou um homem morto.

— Até eu, Anjin-san — dissera ela na noite passada. — Não, Mariko-san. Você não.

— Você disse que éramos inimigos, esta tarde.

— Eu disse que a maioria dos católicos são meus inimigos. — Eles o matarão se puderem.

— Sim. Mas você... nós vamos nos encontrar mesmo em Osaka?

— Sim. Eu o amo. Anjin-san, lembre-se, tenha cuidado com Yabu-san...