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— Não, desculpe, por favor, sinto muito. — A cabeça de Blackthorne estava doendo devido à concentração. Ainda assim, quando Mariko lhe disse o que fora dito, respondeu com uma gravidade zombeteira. — Ah, sinto muito, Mariko-sama. Se Saruji-san é realmente seu filho, por favor, diga à Senhora Ochiba que eu não sabia que as senhoras aqui se casam com dez anos. Ela traduziu. E acrescentou alguma coisa que os fez rir.

— O que foi que a senhora disse?

— Ah! — Mariko notou os malévolos olhos de Kiyama sobre Blackthorne. — Por favor, desculpe-me, Senhor Kiyama, posso apresentar-lhe o Anjin-san?

Polidamente Kiyama retribuiu a mesura muito correta de Blackthorne. — Dizem que o senhor alega ser cristão.

— Por favor?

Kiyama não se dignou repetir, então Mariko traduziu.

— Ah, desculpe, Senhor Kiyama — disse Blackthorne em japonês. — Sim. Sou cristão... mas seita diferente.

— Sua seita não é bem-vinda nas minhas terras. Nem em Nagasaki — ou Kyushu, eu imaginaria —, ou nas terras de quaisquer daimios cristãos.

Mariko conservou o sorriso no lugar. Perguntava a si mesma se Kiyama teria pessoalmente ordenado o assassino Amida, e também o ataque da noite passada. Traduziu, suprimindo o gume da descortesia de Kiyama, todo mundo na sala ouvindo atentamente.

— Não sou padre, senhor — disse Blackthorne, diretamente a Kiyama. — Se eu na sua terra... só comércio. Nada de conversa de padre ou ensino. Respeitosamente peço comércio apenas.

— Não quero o seu comércio. Não o quero nas minhas terras. O senhor está proibido de entrar nas minhas terras sob pena de morte. Compreende?

— Sim, compreendo — disse Blackthorne. — Sinto muito. — Ótimo. — Arrogante, Kiyama voltou-se para Ishido. — Deveríamos excluir completamente do império esses bárbaros e essa seita. Proporei isso ao conselho na próxima reunião. Devo dizer abertamente que acho que o Senhor Toranaga foi desavisado em tornar qualquer estrangeiro, particularmente este homem, samurai. É precedente muito perigoso.

— Isso com certeza não tem importância! Todos os erros do atual senhor do Kwanto serão corrigidos muito em breve. Neh?

— Todo mundo comete enganos, senhor general — disse Kiyama, enfaticamente. — Apenas Deus é onividente e perfeito. O único engano real que o Senhor Toranaga jamais cometeu foi ter colocado os próprios interesses à frente dos do herdeiro.

— Sim — disse Ishido.

— Por favor, com licença — disse Mariko —, mas isso não é verdade. Sinto muito, mas estão ambos enganados sobre o meu amo.

Kiyama voltou-se para ela. Polidamente. — É perfeitamente correto que a senhora tome essa posição, Mariko-san. Mas, por favor, não vamos discutir isso esta noite. Então, senhor general, onde se encontra o Senhor Toranaga agora? Quais são as suas notícias mais recentes?

— Pelo pombo-correio de ontem, fui informado de que ele estava em Mishima. Agora estou recebendo relatórios diários sobre o seu progresso.

— Bom. Então dentro de dois dias ele deixará suas fronteiras? — perguntou Kiyama.

— Sim. O Senhor Ikawa Jikkyu está pronto para lhe dar as boas-vindas, conforme merece a sua posição.

— Bom. — Kiyama sorriu para Ochiba. Gostava muito dela. — Neste dia, senhora, em honra da ocasião, talvez a senhora perguntasse ao herdeiro se ele permitiria que os regentes se curvassem diante dele?

— O herdeiro ficaria honrado, senhor — respondeu ela, para aplauso dos presentes. — E depois, talvez o senhor e todos aqui fossem convidados dele para uma competição de poesia. Talvez os regentes fossem os juízes?

Houve mais aplausos.

— Obrigado, mas, por favor, talvez a senhora, o Príncipe Ogaki e algumas das damas fossem os juízes.

— Muito bem, se o senhor assim deseja.

— Agora, senhora, qual será o tema? E a primeira linha do poema? — perguntou Kiyama, muito contente, pois era renomado pela sua poesia assim como pela habilidade com a espada e ferocidade na guerra.

— Por favor, Mariko-san, a senhora responderia ao Senhor Kiyama? — disse Ochiba, e novamente muitos ali lhe admiraram a sagacidade — ela era uma poetisa medíocre, enquanto Mariko era famosa.

Mariko ficou contente de que tivesse chegado o momento de começar. Pensou um momento. Depois disse: — Deveria ser sobre hoje, Senhora Ochiba, e a primeira linha: "Num galho sem folhas... "

Ochiba e todos eles a cumprimentaram pela escolha. Kiyama estava cordial agora, e disse: — Excelente, mas teremos que ser muito bons para competir com a senhora, Mariko-san.

— Espero que me desculpe, senhor, mas não vou competir. — Claro que vai! — riu Kiyama. — A senhora é uma das melhores do reino! Não seria a mesma coisa se a senhora não competisse.

— Sinto muito, senhor, por favor, desculpe-me, mas não estarei aqui.

— Não compreendo.

— O que quer dizer, Mariko-san? -— disse Ochiba.

— Oh, por favor, desculpe-me, senhora — disse Mariko —, mas deixo Osaka amanhã... com a Senhora Kiritsubo e a Senhora Sazuko.

O sorriso de Ishido desapareceu. — Parte para onde? — Ao encontro do nosso suserano, senhor.

— Ele... o Senhor Toranaga estará aqui dentro de poucos dias, neh?

— Faz meses que a Senhora Sazuko não vê o marido, e o meu Senhor Toranaga ainda não teve o prazer de conhecer o filho mais novo. Naturalmente a Senhora Kiritsubo nos acompanhará. Também faz muito tempo que ele não vê a ama de suas damas, neh?

— O Senhor Toranaga estará aqui tão em breve que ir ao encontro dele é desnecessário.

— Mas eu considero necessário, senhor general.

— A senhora acabou de chegar — disse Ishido, incisivo — e estivemos esperando com ansiedade pela sua companhia, Mariko-san. A Senhora Ochiba particularmente. Concordo com o Senhor Kiyama, claro que a senhora deve competir.

— Sinto muito, mas não estarei aqui.

— Obviamente está cansada, senhora. Acabou de chegar. Com certeza este não é o momento de discutir um assunto tão particular. — Ishido voltou-se para Ochiba. — Talvez, Senhora Ochiba, a senhora devesse saudar o remanescente dos convidados? — Sim... sim, naturalmente — disse Ochiba, desconcertada. Imediatamente a fila começou a se formar, obediente, e uma conversação nervosa se iniciou, mas o silêncio tombou de novo quando Mariko disse: — Obrigada, senhor general. Concordo, mas isto não é um assunto particular e não há nada a discutir. Partirei amanhã para prestar meus respeitos ao meu suserano com as damas dele.

Ishido disse friamente: — A senhora está aqui por convite pessoal do Filho do Céu, junto com as boas-vindas dos regentes. Por favor, seja paciente. O seu senhor estará aqui muito em breve.

— Concordo, senhor. Mas o convite de Sua Majestade Imperial é para o vigésimo segundo dia. Não me ordena — nem a ninguém — que fique confinada em Osaka até lá. Ou ordena? — Esquece-se da sua educação, Senhora Toda.

— Por favor, desculpe-me, era a última coisa que eu pretendia. Sinto muito, peço desculpas. — Mariko voltou-se para Ogaki, o cortesão. — Senhor, o convite do Exaltado exige a minha presença aqui até que ele chegue?

O sorriso de Ogaki foi rijo. — O convite é para o vigésimo segundo dia deste mês, senhora. Exige a sua presença para esse dia.

— Obrigada, senhor. — Mariko curvou-se e encarou a plataforma de novo. — Exige a minha presença para esse dia, senhor general. Não antes. Portanto partirei amanhã.

— Por favor, seja paciente, senhora. Os regentes deram-lhe as boas-vindas e há muitos preparativos em que necessitarão da sua assistência, para a chegada do Exaltado. Agora, Senhora Ochi...

— Sinto muito, senhor, mas as ordens do meu suserano têm precedência. Devo partir amanhã.

— A senhora não partirá amanhã e pedimos-lhe, não, solicitamos-lhe, Mariko-san, participar na competição da Senhora Ochiba. Agora, Senhora...

— Então estou confinada aqui, contra a minha vontade? — Mariko-san — disse Ochiba —, deixemos o assunto agora, por favor?