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— Sinto muito, Ochiba-sama, mas sou uma pessoa simples. Disse abertamente que tenho ordens do meu suserano. Se não obedecer a elas, então devo saber por quê. Senhor general, estou confinada aqui até o vigésimo segundo dia? Em caso afirmativo, por ordem de quem?

— A senhora é uma hóspede de honra — disse Ishido cuidadosamente, desejando que ela se submetesse. — Repito, senhora, seu senhor estará aqui muito em breve.

Mariko sentiu-lhe o poder e se esforçou para resistir a ele. — Sim, mas, sinto muito, de novo pergunto respeitosamente: estou confinada em Osaka pelos próximos dezoito dias e, em caso afirmativo, por ordem de quem?

Ishido mantinha os olhos cravados nela. — Não, a senhora não está confinada.

— Obrigada, senhor. Por favor, desculpe-me por falar tão diretamente — disse Mariko. Muitas das damas na sala voltaram-se para as suas vizinhas, e algumas cochicharam abertamente o que todos os retidos em Osaka contra a própria vontade pensavam: — Se ela pode ir, eu também posso, neh? E você também, neh? Vou amanhã... oh, que maravilha!

A voz de Ishido cortou a onda de sussurro. — Mas, Senhora Toda, já que resolveu falar de modo tão presunçoso, sinto que é meu dever pedir aos regentes uma rejeição formal — para o caso de outros compartilharem do seu equívoco. — Sorriu melancolicamente em meio ao silêncio congelado. — Até lá a senhora se manterá preparada para responder às perguntas deles e receber a disposição regulamentar.

— Eu ficaria honrada, senhor — disse Mariko —, mas meu dever é para com o meu suserano.

— Naturalmente. Mas isso será por apenas alguns dias.

— Sinto muito, senhor, mas meu dever é para com o meu suserano para os próximos dias.

— A senhora se imbuirá de paciência, senhora. Não levará mais que pouco tempo. O assunto está encerrado. Agora, Senhor Ki...

— Sinto muito, mas não posso atrasar a minha partida por pouco tempo.

Ishido berrou: — Recusa-se a obedecer ao conselho de regentes?

— Não, senhor — disse Mariko com orgulho. — Não, a menos que eles violem o meu dever para com o meu suserano, que é dever primordial de um samurai!

— A-senhora-se-preparará-para-encontrar-os-regentes-com-paciência-filial!

— Sinto muito, tenho ordens do meu suserano de escoltar suas damas ao encontro dele. Imediatamente. — Tirou um pergaminho da manga e estendeu-o a Ishido formalmente.

Ele o abriu com violência e o examinou. Depois levantou os olhos e disse: — Ainda assim, a senhora esperará uma determinação dos regentes.

Mariko olhou esperançosa para Ochiba, mas ali havia apenas gélida desaprovação. Voltou-se para Kiyama. Kiyama ficou igualmente silencioso, igualmente inabalável.

— Por favor, desculpe, senhor general, mas não há guerra — começou ela. — Meu amo está obedecendo aos regentes, portanto pelos próximos dezoito...

— O assunto está encerrado!

— Este assunto estará encerrado, senhor general, quando o senhor tiver a educação de me deixar concluir! Não sou uma camponesa para ser pisoteada. Sou Toda Mariko-noh-Buntaro noh-Hiromatsu, filha do Senhor Akechi Jinsai, minha linhagem é Takashima e somos samurais há mil anos, e digo que nunca serei cativa, refém ou confinada. Nos próximos dezoito dias e até o dia, por ordem do Exaltado, sou livre para ir aonde quiser — assim como todo mundo.

— Nosso... nosso amo, o táicum, foi camponês uma vez. Muitos... muitos samurais são camponeses, foram camponeses.

Cada daimio foi, no passado, camponês. Até o primeiro Takashima. Todo mundo foi camponês uma vez. Ouça atentamente: a-senhora-esperará-pela-vontade-dos-regentes.

— Não. Sinto muito, meu primeiro dever é a obediência ao meu suserano.

Enfurecido, Ishido começou a caminhar na direção dela. Embora Blackthorne não tivesse compreendido quase nada do que fora dito, sua mão direita deslizou despercebida para a manga esquerda para preparar a faca de arremesso escondida. Ishido parou diante dela. — A-senhora-...

Nesse momento houve um movimento à porta. Uma criada em frente abriu caminho através da multidão e veio correndo para Ochiba. — Por favor, desculpe-me, ama — choramingou ela —, mas é Yodoko-sama... ela pede que a senhora, ela está... A senhora deve se apressar, o herdeiro já está lá... Preocupada, Ochiba olhou para Mariko e Ishido, depois para os rostos que a fitavam. Fez meia mesura aos convidados e saiu às pressas. Ishido hesitou. — Lidarei com a senhora mais tarde, Mariko-san — disse, e seguiu Ochiba, seus passos pesados sobre os tatamis.

No seu rastro, o sussurro começou a fluir e refluir de novo. Sinos tocaram a mudança da hora.

Blackthorne aproximou-se de Mariko. — Mariko-san — perguntou —, o que está acontecendo?

Ela continuou a fitar a plataforma sem vê-Ia. Kiyama tirou a mão apertada ao punho da espada e flexionou-a: — Mariko-san! — Sim? Sim, senhor?

— Posso sugerir-lhe voltar para casa? Talvez eu tivesse permissão para conversar cora a senhora mais tarde, digamos à hora do Javali?

— Sim, sim, naturalmente. Por favor... por favor, desculpe-me, mas eu tinha que... — suas palavras esmoreceram.

— Este é um dia de mau agouro, Mariko-san. Que Deus a tome em sua guarda. — Kiyama deu-lhe as costas e dirigiu-se à sala com autoridade: — Sugiro que retornemos às nossas casas para esperar... esperar e orar para que o Infinito leve a Senhora Yodoko rápida e tranqüilamente, e com honra, para a sua paz, se o momento dela chegou. — Olhou para Saruji, que ainda estava pasmado. — Venha comigo. — Saiu. Saruji começou a segui-lo, não querendo deixar a mãe, mas impelido pela ordem e intimidado pela atenção sobre ele.

Mariko fez uma meia mesura para a sala e começou a sair.

Kiri passou a língua pelos lábios secos. A Senhora Sazuko estava ao lado dela, tremulamente apreensiva. Kiri tomou a mão da Senhora Sazuko e as duas mulheres acompanharam Mariko. Yabu avançou com Blackthorne, atrás delas, muito consciente de que eram os únicos samurais presentes usando o uniforme de Toranaga.

Do lado de fora, cinzentos os esperavam.

— Mas o que, em nome de todos os deuses, possuiu a senhora para que tomasse tal posição? Estúpido, neh? — enfureceu-se Yabu.

— Sinto muito — disse Mariko, ocultando a verdadeira razão, desejando que Yabu a deixasse em paz, furiosa com as maneiras odiosas dele. — Simplesmente aconteceu, senhor. Num momento era uma comemoração de aniversário e depois... Não sei. Por favor, desculpe-me, Yabu-sama. Por favor, desculpe-me, Anjin-san.

Novamente Blackthorne começou a dizer alguma coisa, mas mais uma vez Yabu o subjugou e ele se apoiou à janela, totalmente irritado, a cabeça latejando com o esforço de tentar compreender.

— Sinto muito, Yabu-sama — disse Mariko, e pensou: como os homens são cansativos, precisam de que tudo seja explicado com tantos detalhes. Não conseguem nem ver os pêlos nas próprias pálpebras.

— A senhora desencadeou uma tempestade que nos engolirá a todos! Estúpido, neh?

— Sim, mas não é certo que sejamos trancados e o Senhor Toranaga realmente me deu ordem de ...

— Essas ordens são loucas! A sua cabeça deve ter sido possuída por demônios! A senhora terá que pedir desculpas e recuar. Agora a segurança será mais cerrada do que o buraco do eu de um mosquito. Ishido certamente cancelará nossas permissões para partir e a senhora arruinou tudo. — Olhou para Blackthorne. — O que fazemos agora?

— Por favor?

Os três haviam acabado de chegar à principal sala de recepção na casa de Mariko, que ficava dentro do anel externo de fortificações. Cinzentos haviam-nos escoltado até ali e muitos mais do que o habitual estavam agora estacionados do lado de fora do portão dela. Kiri e a Senhora Sazuko tinham ido para os seus próprios aposentos com outra guarda "de honra" de cinzentos, e Mariko prometera juntar-se a elas após o seu encontro com Kiyama.