Выбрать главу

— Mas os guardas não a deixarão, Mariko-san — dissera Sazuko, perturbada.

— Não se preocupe — dissera ela. — Nada mudou. Dentro do castelo podemos nos mover livremente, embora com escoltas. — Eles a impedirão! Oh, por que a senhora...

— Mariko-san tem razão, criança — disse Kiri, sem medo. — Nada mudou. Vemo-nos em breve, Mariko-san. — Depois Kiri seguira para a sua ala no castelo, marrons fecharam o portão fortificado e Mariko respirara de novo, vindo para sua casa com Yabu e Blackthorne.

Agora estava se lembrando de como, no momento em que estivera lá sozinha, carregando a bandeira sozinha, vira a mão direita de Blackthorne preparando a faca de arremesso e de como se sentira mais forte por causa disso. Sim, Anjin-san, pensou. Você era o único com quem eu sabia que podia contar. Estava lá quando precisei de você.

Seus olhos dirigiram-se para Yabu, sentado de pernas cruzadas à sua frente, rilhando os dentes. Que Yabu tivesse, em público, tomado uma posição de apoio a ela, seguindo-a, surpreendera-a. Por causa desse apoio, e porque perder a calma com ele não adiantaria nada, ela ignorou a sua truculenta insolência e começou a representar. — Por favor, desculpe a minha estupidez, Yabu-sama — disse, numa voz penitente e embargada de lágrimas. — Claro que o senhor tem razão. Sinto muito, sou apenas uma mulher estúpida.

— Concordo! É estupidez enfrentar Ishido no seu próprio ninho, neh?

— Sim, sinto muito, por favor, desculpe-me. Posso oferecer-lhe saquê ou chá? — Mariko bateu palmas. Imediatamente a porta interna se abriu e Chimmoko apareceu, o cabelo em desalinho, o rosto amedrontado e inchado de choro. — Traga chá e saquê para os meus convidados. E comida. E faça-se apresentável! Como se atreve a aparecer assim! O que está pensando que isto é, uma cabana de camponeses? Envergonha-me diante do Senhor Kasigi! Chimmoko saiu correndo, em lágrimas.

— Sinto muito, senhor. Por favor, desculpe a insolência dela. — Eh, isso não tem importância, neh? E quanto a Ishido? Iiiiih, senhora... a sua alfinetada sobre "camponês" atingiu o alvo, feriu o poderoso senhor general. A senhora tem um inimigo e tanto agora! Iiiiiih, isso arrancou-lhe as frutas e espremeu-as na frente de todo mundo!

— Oh, o senhor acha? Oh, por favor, desculpe-me, não tive a intenção de insultar a ele.

— Eh, ele é um camponês, sempre foi, sempre será, e sempre odiou aqueles de nós que somos autênticos samurais.

— Oh, que inteligente de sua parte, senhor, saber isso. Oh, obrigada por me dizer. — Mariko curvou-se e fez que secou uma lágrima. — Posso por favor dizer que me sinto muito protegida agora... a sua força... Não fosse o senhor, Senhor Kasigi, acho que eu teria desmaiado.

— Estupidez atacar Ishido na frente de todo mundo -— disse Yabu, ligeiramente apaziguado.

— Sim. Tem razão. É uma lástima que todos os nossos líderes não sejam tão fortes e inteligentes quanto o senhor, porque então o Senhor Toranaga não se encontraria numa enrascada tão grande.

— Concordo. Mas a senhora ainda nos enfiou numa latrina até o nariz.

— Por favor, desculpe-me. Sim, a culpa é toda minha. — Mariko fingiu conter as lágrimas bravamente. Baixou os olhos e sussurrou: — Obrigada, senhor, por aceitar as minhas desculpas. O senhor é muito generoso.

Yabu assentiu, considerando o elogio merecido, a servilidade dela necessária, e a si próprio inigualável. Ela pediu desculpas novamente, acalmou-o e bajulou-o. Logo ele estava complacente. — Posso, por favor, explicar a minha estupidez ao Anjin-san? Talvez ele possa sugerir um modo de... — Deixou as palavras esmorecer, penitentemente.

— Sim. Muito bem.

Mariko curvou-se em agradecimentos reconhecidos, voltou-se para Blackthorne e falou em português. — Por favor, escute, Anjin-san, escute e não faça perguntas em português. Sinto muito, mas primeiro tive que acalmar este bastardo mal-humorado — é assim que se diz? — Rapidamente contou-lhe o que fora dito e por que Ochiba saíra às pressas.

— Isso é grave — disse ele, perscrutando-a com o olhar. — Neh?

— Sim. O Senhor Yabu pede o seu conselho. O que deveria ser feito para superar a confusão em que a minha estupidez colocou os senhores?

— Que estupidez? — Blackthorne observava-a e a inquietação dela aumentou. Baixou os olhos para as esteiras. Ele falou diretamente a Yabu. — Não sei ainda, senhor. Agora compreendo, agora penso.

— O que há para pensar? — retrucou Yabu, azedo. — Estamos trancados.

Mariko traduziu sem levantar os olhos.

— Isso é verdade, não é, Mariko-san? — disse Blackthorne. — Isso sempre foi verdade.

— Sim, sinto muito.

Ele deu-lhes as costas para contemplar a noite. Havia archotes colocados em suportes nos muros de pedra que cercavam o jardim da frente. A luz tremeluzia sobre as folhas e as plantas que tinham sido aguadas apenas com essa finalidade. A oeste ficava o portão de ferro, guardado por alguns marrons.

— Você — ela o ouviu dizer em latim, sem se voltar. — Preciso falar-lhe em particular.

— Você. Sim, e eu com você — respondeu ela, mantendo o rosto desviado de Yabu, não confiando em si mesma. — Esta noite o encontrarei. — Olhou para Yabu. — O Anjin-san concorda com o senhor, sobre a minha estupidez, sinto muito.

— Mas de que serve isso agora?

— Anjin-san — disse ela, a voz segura —, mais tarde, ainda esta noite, vou ver Kiritsubo-san. Sei onde ficam os seus aposentos. Eu o encontrarei.

— Sim. Obrigado. — Ele continuava de costas para ela. — Yabu-sama — disse ela humildemente —, esta noite vou ver Kiritsubo-san. Ela é sábia, talvez tenha uma solução.

— Há apenas uma solução — disse Yabu com uma determinação que a envenenou, os olhos dele em fogo. — Amanhã a senhora pedirá desculpas. E ficará.

Kiyama chegou pontualmente. Saruji vinha com ele e o coração dela pesou no peito. Quando se concluíram as saudações formais, Kiyama disse gravemente: — Agora, por favor, explique por quê, Mariko-san.

— Não estamos em guerra, senhor. Não deveríamos estar confinados, nem ser tratados como reféns, portanto posso ir-me conforme me agradar.

— Não é preciso que se esteja em guerra para que se tenha reféns. Você sabe disso. A Senhora Ochiba foi refém em Yedo contra a segurança do seu amo aqui e ninguém estava em guerra. O Senhor Sudara e família são reféns com o irmão dele hoje, e eles não estão em guerra. Neh?

Ela mantinha os olhos baixos.

— Há muitos aqui que são reféns contra a respeitosa obediência dos seus senhores ao conselho de regentes, os dirigentes legais do reino. Isso é prudente. É um costume comum. Neh? — Sim, senhor.

— Bom. Agora, por favor, conte-me a verdadeira razão. — Senhor?

Kiyama disse com impaciência: — Não jogue comigo! Também não sou camponês! Quero saber por que você fez o que fez esta noite.

Mariko ergueu os olhos. — Sinto muito, mas o senhor general simplesmente me aborreceu com a sua arrogância, senhor. Realmente tenho ordens. Não há mal em levar Kiri e a Senhora Sazuko embora por alguns dias, ao encontro do nosso amo.

— Você sabe muito bem que isso é impossível. O Senhor Toranaga deve saber disso igualmente bem.

— Sinto muito, mas meu amo deu-me ordens. Um samurai não contesta as ordens do seu senhor.

— Sim. Mas eu as contesto porque são um absurdo. Seu amo não lida com absurdos nem comete erros. Insisto em que tenho igualmente o direito de questioná-la.

— Por favor, desculpe-me, senhor, não há nada a discutir. — Mas há. Há Saruji a discutir. Além do fato de que a conheço a vida toda, honrei-a a vida toda. Hiromatsu é o meu amigo vivo mais velho, seu pai foi um amigo querido e um honrado aliado meu, até os últimos catorze dias de sua vida.

— Um samurai não questiona as ordens de um suserano. — Agora você pode fazer apenas de duas uma, Mariko -san: pede desculpas e fica, ou tenta partir. Se tentar partir, será detida.