Выбрать главу

Hiromatsu amaldiçoou a própria inabilidade para jogar esses jogos necessários.

- Quanto ao espaço necessário - disse abruptamente -, talvez o senhor devesse me dizer. E qual é a carga, exatamente? Quantos mosquetes, quanta munição, e assim por   diante? O metal está em barras ou em moedas? É prata ou ouro?

- Zukimoto!

- Sim, Yabu-sama.

- Traga a lista do conteúdo. - Cuido de você mais tarde, pensou Yabu. Zukimoto saiu correndo.- Deve estar cansado, Hiromatsu-san. Talvez tomasse um chá? Preparamos acomodações para o senhor. Os banhos são totalmente inadequados, mas talvez um o refrescasse um pouco.

- Obrigado. O senhor é muito previdente. Um pouco de chá e um banho seriam excelentes. Mais tarde. Primeiro conte-me tudo o que aconteceu desde que o navio chegou aqui.

Yabu contou-lhe os fatos, omitindo a parte sobre a cortesã e o menino, que não tinha importância. Por ordem de Yabu, Omi contou a sua história, exceto a sua conversa particular com Yabu. E Mura contou a sua, excluindo a parte sobre a ereção de Anjin, o que, raciocinou Mura, embora interessante, poderia ofender Hiromatsu, cujas ereções, na idade dele, devem ser poucas e espaçadas. Hiromatsu olhou para a coluna de fumaça que ainda se erguia da pira.

- Quantos piratas sobraram?

- Dez, senhor, incluindo o líder - disse Omi.

- Onde está ele agora?

- Na casa de Mura.

- O que ele fez? Qual foi a primeira coisa que fez lá depois de sair do buraco?

- Foi direto para a casa de banho, senhor - disse Mura rapidamente. - Agora está dormindo, senhor, como um morto.

- Não precisou carregá-lo desta vez?

- Não, senhor.

- Parece que ele aprende depressa. - Hiromatsu deu uma olhada em Omi, novamente. - Acha que podem ser ensinados a se comportar?

- Não. Não com certeza, Hiromatsu-sama.

- Você poderia limpar a urina de um inimigo das suas costas?

- Não, senhor.

- Nem eu. Nunca. Os bárbaros são muito estranhos. - Hiromatsu voltou a atenção para o navio. - Quem vai supervisionar o carregamento?

- Meu sobrinho, Omi-san.

- Bom. Omi-san, quero partir antes do pôr-do-sol. Meu capitão o ajudará a ser muito rápido. Dentro de três bastões. - A unidade de tempo era o tempo que um bastão de incenso padrão levava para queimar, aproximadamente uma hora.

- Sim, senhor.

- Por que não vem comigo para Osaka, Yabu-san? - disse Hiromatsu, como se se tratasse de um pensamento repentino. - O Senhor Toranaga ficaria encantado em receber todas estas coisas das suas mãos. Pessoalmente. Por favor, há bastante espaço. - Quando Yabu começou a protestar, permitiu-lhe que continuasse por um tempo, conforme Toranaga ordenara, e depois disse, conforme Toranaga ordenara: - Eu insisto. Em nome do Senhor Toranaga, eu insisto. Sua generosidade precisa ser recompensada.

Com a minha cabeça e as minhas terras? perguntou Yabu a si mesmo amargamente, sabendo que não havia nada que pudesse fazer agora senão aceitar agradecido.

- Obrigado. Ficaria honrado.

- Bom. Muito bem, está tudo feito - disse Punho de Aço com um alívio evidente. - Agora um pouco de chá. E um banho.

Polidamente Yabu conduziu-o pela colina, até a casa de Omi. O velho foi lavado e esfregado e depois se deitou agradavelmente no calor e no vapor. Mais tarde as mãos de Suwo o puseram novo. Um pouco de arroz, peixe cru e verduras em conservas, consumidos frugalmente a sós. Chá bebido em boa porcelana.   Um rápido cochilo sem sonhos.

Após três bastões a shoji se abriu. A guarda pessoal sabia muito bem que não devia entrar no quarto sem ser convidada; Hiromatsu já estava acordado e a espada meio desembainhada  o pronta.

- Yabu-sama está esperando lá fora, senhor. Diz que o navio está carregado.

- Excelente.

Hiromatsu se dirigiu para a varanda e satisfez suas necessidades no balde.

- Seus homens são muito eficientes, Yabu-san.

- Os seus homens ajudaram, Hiromatsu-san. São mais que eficientes. - Sim, e pela altura do sol, é bom que sejam mesmo, pensou Hiromatsu, depois disse cordialmente: - Nada como uma boa urinada quando se está com a bexiga cheia, já que há muito vigor atrás do jato. Neh? Faz a gente se sentir jovem novamente. Na minha idade é preciso sentir-se jovem. - Afrouxou a tanga confortavelmente, esperando que Yabu fizesse alguma observação cortês em anuência, mas não houve nenhuma. Sentiu a irritação começar a erguer-se, mas refreou-a. - Mande levar o líder pirata para o meu navio.

- O quê?

- O senhor foi muito generoso fazendo presente do navio o do conteúdo. A tripulação é conteúdo. Portanto leve o líder pirata para Osaka. O Senhor Toranaga quer vê-lo. Naturalmente  o senhor faz o que quiser com o resto deles. Mas durante a sua   ausência, por favor providencie para que os seus assistentes entendam que os bárbaros são propriedade do meu amo e que é melhor que haja nove em bom estado de saúde, vivos e aqui quando ele   os quiser.

Yabu correu para o molhe, onde Omi deveria estar. Quando deixara Hiromatsu no banho, havia subido o caminho que passava, sinuoso, perto do pátio de funeral. Ali se curvara rapidamente para a pira e continuara, ladeando os campos em degraus de trigo e frutas, para finalmente dar num pequeno altiplano bem acima da aldeia. Um bem cuidado santuário de kami guardava aquele lugar agradável. Uma árvore antiga provia sombra e tranqüilidade. Fora até lá para acalmar a raiva o para pensar. Não se atrevera a se aproximar do navio, de Omi ou de seus homens porque sabia que teria ordenado que a maioria, se não todos, cometessem seppuku, o que teria sido um desperdício, e teria massacrado a aldeia, o que teria sido tolice - somente camponeses apanhavam peixe e cultivavam o arroz que produzia a riqueza dos samurais.

Enquanto estivera sentado, encolerizara-se sozinho e tentara estimular o cérebro, o sol declinou e dissipou a névoa do mar.

As nuvens que encobriam as montanhas distantes a oeste se fragmentaram por um instante e ele vira a beleza dos altos picos cobertos de neve. A vista o acalmara e ele começara a relaxar e a pensar num plano.

Ponha os seus espiões para descobrir o espião, disse a si mesmo. Nada do que Hiromatsu disse indicou se o traidor é daqui ou de Yedo. Em Osaka você tem amigos poderosos, o próprio Senhor Ishido entre eles. Talvez um deles possa descobrir esse espírito maligno. Mas mande uma mensagem secreta à sua esposa, para o caso de o informante estar lá. E quanto a Omi?

Deixar à responsabilidade dele encontrar o informante aqui? Será ele o informante? Não é provável, mas não é impossível. É mais que provável que a traição tenha começado em Yedo. Uma questão de tempo. Se Toranaga, em Osaka, recebeu a informação no momento em que o navio chegou aqui, então Hiromatsu teria vindo para cá antes. Você tem informantes em Yedo. Deixe-os provar o próprio valor.

E quanto aos bárbaros? Agora são o seu único lucro do navio. Como é que você pode usá-los? Espere, Omi não lhe deu a resposta? Poderia usar o conhecimento que eles têm do mar o dos navios para negociar com Toranaga pelas armas, neh?

Outra possibilidade: tornar-se vassalo de Toranaga completamente. Dar-lhe o seu plano. Pedir-lhe que o autorize a liderar o Regimento das Armas - para glória dele. Mas um vassalo não deve nunca esperar que seu senhor o recompense por seus serviços ou mesmo os reconheça. Servir é um dever, dever é samurai, samurai é imortalidade. Seria o melhor caminho, pensou Yabu, o melhor. Mas eu posso realmente ser vassalo dele? Ou de Ishido?