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- Sim. Mas, prometo-lhe, este Anjin-san aprenderá muito depressa. - Yabu contou-lhe o plano que Omi sugerira como se fosse uma idéia sua.

- Isso poderia ser perigoso demais.

- Faria que ele aprendesse depressa, neh? E então estaria domesticado.

Após uma pausa, Toranaga disse:

- Como manteria o sigilo durante o treinamento?

- Izu é uma península, a segurança é excelente lá. Vou me basear perto de Anjiro, bem ao sul e longe de Mishima.

- Bom. Vamos estabelecer ligação por pombos-correio entre Anjiro, Osaka e Yedo imediatamente.

- Excelente. Preciso de apenas cinco ou seis meses e...

- Teremos sorte se dispusermos de seis dias! - bufou Hiromatsu. - Está dizendo que a sua famosa rede de espionagem foi destruída, Yabu-san? Certamente o senhor recebeu relatórios? Ishido não está se mobilizando? Onoshi não está se mobilizando? Não estamos trancados aqui?

Yabu não respondeu.

- Bem? - disse Toranaga.

- Os relatórios indicam que tudo isso está acontecendo, e mais - disse Yabu. - Se são seis dias, são seis dias, e isso é karma. Mas eu o creio inteligente demais para ser emboscado aqui. Ou incitado à guerra prematura.

- Se eu concordasse com o seu plano, você me aceitaria como seu líder?

- Sim. E quando o senhor vencesse, eu ficaria honrado em aceitar Suruga e Totomi como parte do meu feudo para sempre.

- Totomi dependeria do sucesso do seu plano.

- De acordo.

- Obedecerá a mim? Com toda a sua honra?

- Sim. Pelo bushido, por Buda, pela vida de minha mãe, de minha esposa e pela minha prosperidade.

- Bom - disse Toranaga. - Vamos urinar sobre o trato.

Dirigiu-se para a beirada das ameias. Caminhou pela borda da seteira, depois pelo parapeito. Setenta pés abaixo estava o jardim interno. Hiromatsu susteve o fôlego, horrorizado com a bravata do amo. Viu-o voltar-se e chamar Yabu com um aceno, para que se pusesse a seu lado. Yabu obedeceu. O mais leve toque os faria rolar para a morte.

Toranaga afrouxou o quimono e a tanga para o lado; o mesmo fez Yabu. Juntos urinaram e misturaram a urina e observaram-na borrifar o jardim lá embaixo.

- O último acordo que selei deste modo foi com o próprio taicum - disse Toranaga, enormemente aliviado por ter podido esvaziar a bexiga. - Foi quando ele resolveu me dar Kwanto, as Oito Províncias, como feudo. Claro, naquela altura o inimigo, Hojo, ainda era senhor delas, de modo que primeiro tive que conquistá-las. Eram tudo o que restava da oposição contra nós. Claro, também, que eu tive que renunciar aos meus feudos hereditários de Imagawa, Owari e Ise imediatamente, por honra. Ainda assim, concordei e urinamos sobre o trato. - Caminhou pelo parapeito com facilidade, ajeitando a tanga confortavelmente como se estivesse em pé no próprio jardim, e não pousado tão alto, como uma águia. - Foi um bom negócio para nós dois. Dominamos Hojo e cortamos cinco mil cabeças naquele ano. Destruímos a ele e a toda a sua tribo. Talvez você tenha razão, Kasigi Yabu-san. Talvez possa me ajudar, como ajudei ao taicum. Sem mim o taicum nunca se teria tornado taicum.

- Posso ajudá-lo a se tornar regente único, Toranaga-sama. Mas não shogun.

- É claro. Essa é uma honra que eu não busco, por mais que meus inimigos digam em contrário. - Toranaga pulou para a segurança das lajes de pedra. Olhou para Yabu que ainda se erguia sobre o estreito parapeito, arrumando o sash. Sentiu-se extremamente tentado a dar-lhe um rápido empurrão, pela insolência. Em vez disso, sentou-se e soltou sonoros gases. - Assim está melhor. Como está a sua bexiga, Punho de Aço?

- Cansada, senhor, muito cansada. - O velho dirigiu-se para o lado e também a esvaziou sobre as ameias, mas não se postou onde Toranaga e Yabu haviam estado. Estava contente por não ter tido que selar o trato com Yabu. Esse acordo eu nunca honrarei. Nunca.

- Yabu-san, tudo isto deve ser mantido em segredo. Penso que você deve partir dentro dos próximos dois ou três dias - disse Toranaga.

- Sim. Com as armas e o bárbaro, Toranaga-sama?

- Sim. Irá de navio. - Toranaga olhou para Hiromatsu.

- Prepare a galera.

- O navio está pronto. As armas e a pólvora continuam nos porões - retrucou Hiromatsu, seu rosto retratando a desaprovação.

- Ótimo.

Você conseguiu, Yabu queria gritar. Conseguiu as armas, o Anjin-san, tudo. Conseguiu os seus seis meses. Toranaga nunca irá à guerra rapidamente. Mesmo que Ishido o assassine nos próximos dias, ainda assim você conseguiu tudo. O Buda, proteja Toranaga até que eu esteja ao mar!

- Obrigado - disse, com uma sinceridade sem limites. - O senhor nunca terá um aliado mais fiel.

Depois de Yabu se retirar, Hiromatsu caiu em cima de Toranaga.

- Isso foi uma péssima coisa. Estou envergonhado por esse acordo. Estou envergonhado de que meu conselho conte tão pouco. Obviamente vivi para além da minha utilidade para o senhor e estou muito cansado. Esse pequeno daimio ordinário sabe que o manipulou como a um fantoche. Ora, ele até teve o descaramento de usar a espada Murasama na sua presença.

- Notei - disse Toranaga.

- Acho que os deuses o enfeitiçaram, senhor. O senhor abertamente ignorou um insulto assim e permitiu que ele se regozijasse na sua frente. Abertamente permitiu que Ishido o envergonhasse diante de todos nós. Impediu a mim e a todos nós de protegê-lo. Recusa à minha neta, uma dama samurai, a honra e a paz da morte. Perdeu o controle do conselho, seu inimigo está manobrando melhor e agora o senhor urina sobre um trato solene que é um plano repugnante como jamais ouvi, e faz isso com um homem que lida com imundície, veneno e traição, como o pai antes dele. - Hiromatsu tremia de raiva. Toranaga não respondeu, apenas o encarou calmamente, como se ele não tivesse dito nada. - Por todos os kamis, vivos e mortos, o senhor está enfeitiçado! - Hiromatsu explodiu. - Eu o questiono, grito, insulto-o, e o senhor apenas me encara! O senhor enlouqueceu ou fui eu quem enlouqueceu. Peço permissão para cometer seppuku ou, se o senhor não me conceder essa paz, rasparei a cabeça e me tornarei monge, qualquer coisa, qualquer coisa, mas deixe-me ir.

- Você não fará nem uma coisa nem outra. Vai, sim, mandar buscar o padre bárbaro, Tsukku-san.

E Toranaga riu.

CAPÍTULO 19

O Padre Alvito, a cavalo, desceu a colina do castelo, à frente da sua companhia habitual de batedores jesuítas. Estavam todos vestidos como sacerdotes budistas, exceto pelo rosário e o crucifixo que levavam à cintura. Eram quarenta, todos japoneses e filhos bem-nascidos de samurais cristãos, alunos do seminário de Nagasaki que haviam acompanhado o padre a Osaka. Estavam todos bem montados e ajaezados, e tão disciplinados quanto o séquito de qualquer daimio.

Alvito apressava-se num trote ligeiro, sem se dar conta do sol quente, através dos bosques e das ruas da cidade, em direção à missão jesuítica, um casarão de pedra em estilo europeu que se erguia próximo aos desembarcadouros e que se elevava sobre sua aglomeração de anexos, salas de contabilidade e depósitos, onde toda a seda de Osaka era negociada e comprada.

O cortejo atravessou com estrépito os altos portões de ferro abertos nos muros de pedra, entrou no pátio central, calçado, e se deteve perto da porta principal. Já havia criados à espera para ajudar o Padre Alvito a desmontar. Ele deslizou da sela e atirou-lhes as rédeas. Suas esporas cantaram nas pedras quando ele avançou a passos largos por sob a abóbada da construção principal, dobrou a esquina, ultrapassou a pequena capela, e atravessou alguns arcos rumo ao pátio interno, que continha uma fonte e um tranqüilo jardim. A porta da antecâmara estava aberta. Conteve a própria ansiedade, recompôs-se, e entrou.